Opinião
E se Ronaldo fosse bolseiro? Opinião de uma advogada
Para se ter uma noção das proporções, e sem nenhum reparo ao dinheiro que é dele e de quem lho paga, a Forbes calcula que Ronaldo tenha ganho 300 milhões de dólares no último ano, mais de 700 mil euros por dia, ao passo que um doutorando português recebe do Estado pouco mais de 1.300 euros por mês, de maneira que os quatro anos de bolsa de quem anda à procura de um planeta ou de uma vacina valem pouco mais de duas horas do capitão
Vivemos em apneia
Não temos tempo para respirar entre uma emergência e a seguinte. Reagimos. Corrigimos. Anunciamos. Regulamos. Criamos medidas. Respondemos à urgência
Recusar o fait-divers: a distração também governa
Um país que discute tudo o que o entretém e se resigna perante o que o fere acaba por entregar aos outros o comando da própria vida
O mapa invisível das redes de cocaína. Por um especialista em Segurança Pública
Portugal é uma das portas de entrada da droga na Europa. É também um dos países onde essa porta está a ser aberta
Prémio Laranja sem Sumo para a ingratidão com a viabilização de um Orçamento a distrair as atenções do esgotamento das ilusões
Por ser o rosto orçamental da gestão política de um ciclo de ilusões, baseadas em fundos europeus, trabalhadores imigrantes e aumento da carga fiscal, o prémio Laranja sem Sumo do bocejo orçamental vai para Miranda Sarmento
A análise à proposta de OE para 2027 por um especialista em Finanças
O OE 2027 irá obrigatoriamente acomodar um conjunto significativo de medidas já aprovadas e legisladas, cujos compromissos assumidos deverão rondar os €4,8 mil milhões, o que constitui uma significativa pressão sobre as contas públicas em 2027
Opinão: Quanto vale a felicidade?
A resposta dada pelo executivo, em Assembleia Municipal, para justificar os 530 mil euros gastos num festival de apenas um dia realizado poucas semanas após o encerramento das Festas do Mar, as grandes festas do concelho, passou por questionar quanto vale a felicidade dos munícipes que não têm oportunidade de ir ao Rock in Rio ou a outro qualquer festival pago e que, dessa forma, puderam assistir gratuitamente a um espetáculo com o Padre Guilherme
Ver mal sai caro ao País. Opinião de um optometrista
No conjunto, os acidentes relacionados com visão deficiente geram uma cadeia de custos que o País continua a pagar: custos diretos, como cuidados de saúde, tratamentos, indemnizações e reabilitação; e custos indiretos, como perda de produtividade, absentismo, reformas antecipadas e impacto emocional e social
A hospitalidade também se constrói com quem fica
A hospitalidade não começa num hotel, nem termina à mesa de um restaurante. Começa muito antes. Começa na forma como um território recebe, preserva, conta a sua história e cria condições para que quem nele vive tenha razões para continuar a fazê-lo
Anestesia social em Portugal
Entre amigos, por mensagem, discutimos futebol, partilhamos indignações, escolhemos um lado numa guerra de comentários nas redes sociais, reclamamos do preço da renda, do SNS, da escola, do salário... E no dia seguinte voltamos à nossa vida como se a política fosse uma coisa só dos outros
Prémios de mérito: Entre o direito ao reconhecimento e a exclusão. Opinião de uma professora
Dizemos aos alunos que todos avançam de formas diferentes, mas construímos um pódio estreito. Dizemos que cada progresso conta, mas entregamos diplomas quase sempre aos mesmos. Dizemos que a diferença tem valor, mas exaltamos publicamente apenas aquilo que pode ser comparado, ordenado e classificado
Portugal–Argentina: o jogo de despedida que o mundo merecia
A Argentina soube transformar a última noite de Messi numa celebração nacional. Durante anos exigiu-lhe tudo. Na última noite, limitou-se a agradecer-lhe. Portugal terá, mais cedo ou mais tarde, de fazer o mesm
De França fala a democracia
Ora, é aqui que a democracia que substitui a força pela palavra se distancia daquilo que é realmente e sucumbe à lei do mais forte, já que, quando o voice das pessoas era não-violento, não houve as reuniões de emergência, as respostas políticas, a atenção mediática ou a mobilização institucional que, prontamente, existiram, depois, quando as escolas começaram a ser bloqueadas, os bens destruídos e as pessoas feridas
O papel do educador social no ensino do Português Língua Estrangeira e Língua de Acolhimento
Para um migrante, não compreender português pode significar depender de terceiros para resolver situações básicas. Pode significar isolamento, dificuldade no acesso aos serviços, maior vulnerabilidade laboral ou dificuldade em acompanhar a vida escolar dos filhos
O problema não são os imigrantes
São tempos difíceis. Mas continuar a apontar o dedo aos imigrantes só serve para adiar as perguntas que realmente importam, e essas não desaparecem só porque encontrámos um bode expiatório mais fácil
Como podemos aceitar que o digital seja regulado por quem não o compreende?
Entregámos primeiro o mundo digital. Descobrimos depois os riscos. Estamos agora ocupados a escrever as regras. Falta-nos ainda fazer aquilo que provavelmente deveria ter acontecido antes de tudo o resto: ensinar as pessoas a viver nele
Quem matou o escritório, a minha geração ou a que veio a seguir?
Uma reflexão sobre o teletrabalho, as gerações e a liberdade de escolher onde trabalhamos
Da transição energética à energia inteligente: o desafio económico de Portugal
A transição energética está a deixar de ser apenas uma questão ambiental. Está a transformar-se numa questão económica, tecnológica e estratégica
Prémio Laranja sem Sumo para os consensos envergonhados na terra dos brandos costumes
Pela ausência de legitimidade democrática e de qualquer desígnio de futuro para a sua governação pisca-pisca, o Orçamento com o PS e o arrendamento com o Chega, o prémio Laranja sem Sumo da terra dos brandos costumes vai para Luís Montenegro
O mundo está a habituar-se à guerra
Quando deixamos de distinguir entre o que é legal e o que é conveniente, entre o que é legítimo e o que é simplesmente poderoso, começamos a transformar o Direito numa espécie de decoração moral do sistema internacional: bonito de citar, importante nos discursos, completamente dispensável quando começa a incomodar
A Justiça não é uma linha de montagem
O problema começa quando se esquece que, no processo penal, nem tudo o que é incómodo é abusivo, nem tudo o que é improcedente é manifestamente infundado, nem tudo o que consome tempo é tempo perdido