Portugal ficou sem rede no mundial dos telefonemas
Trump ligou, Infantino abriu a gaveta, Balogun entrou, os EUA levaram quatro e Portugal descobriu tarde demais que uma lenda pouco móvel não faz pressão alta
“Um Julgamento”: O povo absolveu Wagner Moura, portanto a verdade ainda tem defesa
Em “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, Christiane Jatahy e Wagner Moura transformam Ibsen num tribunal elétrico, cinematográfico e moralmente implacável. No CCB, Thomas Stockmann foi absolvido por larga maioria. Mas a pergunta saiu do palco e aterrou, com estrondo, na Base das Lajes: quem é afinal o inimigo do povo quando a terra, a água e os corpos começam a apresentar provas? Que curiosa coincidência
Carlos Queiroz, o homem a quem Portugal deve mais do que gosta de admitir
Esta madrugada, no Gana–Colômbia, o velho professor volta a entrar em campo como selecionador do país africano e contra o esquecimento português. E nós, que tanto gostamos de celebrar vitórias, talvez devêssemos aprender a agradecer a quem nos ensinou que era possível ganhá-las — e sermos como os grandes do futebol. Mesmo que leiam esta crónica amanhã, ela continua a ser fundamental
Wagner Moura leva a verdade a “Um Julgamento” no CCB
Wagner Moura e a encenadora brasileira Christiane Jatahy trazem a Lisboa Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo, uma peça que não adapta Ibsen: continua-o, confronta-o e chama o público ao banco dos jurados
A nação que Hollywood construiu
Nos 250 anos da Independência Americana, o cinema continua a vender-nos a América como sonho, sermão, parque temático e conflito moral, às vezes tudo no mesmo plano
“Mínimos e os Monstros”: a América faz 250 anos e Portugal fica no buraco 18
Entre a estreia de Mínimos e os Monstros, criaturas amarelas que querem fazer cinema, monstros que escapam do ecrã e Donald Trump a descobrir Portugal pelo green, o 4 de Julho chega-nos este ano como uma superprodução de Hollywood dobrada em diplomacia recreativa
Ernst Lubitsch: Um toque no fresco do cinema
Até 14 de julho, o Nimas troca o calor, o Mundial e a solenidade por Ernst Lubitsch: o mestre que fazia rir com portas fechadas, adultérios elegantes e malícia em fato de gala
Mel Brooks: cem anos a rir-se na cara da morte
O homem que fez de Hitler um número musical, de Frankenstein uma vedeta de cabaret e da velhice uma anedota continua a provar que a comédia, quando é mesmo grande, entra à vontade, parte a mobília e ainda deixa gorjeta
“The Disenchantment of Lisbon — Lisbon is not cool anymore” | Um não-guia turístico de Lisboa
O livro, por enquanto apenas disponível em inglês, é um anti-guia feroz, divertido e melancólico sobre a cidade que trocou moradores por malas de rodinhas, tascas por brunches e alma por investimento imobiliário
CR7, a Seleção de Portugal, a positividade tóxica e a máquina de fazer dinheiro
Portugal passou, mas deixou o futebol no hotel de Palm Beach. Entre a boa energia de Roberto Martínez, a máquina de imprimir dinheiro e a obsessão nacional por encontrar o número 7 em cada ataque, a Seleção chegou aos dezasseis avos-de-final como quem entra num casamento de canadianas: sorridente, maquilhada, mas profundamente coxa
Hollywood, a IA e “Artificial”, o filme que ninguém quer estrear
A máquina tem medo do espelho. “Artificial”, o filme de Luca Guadagnino sobre Sam Altman ficou sem casa de distribuição, a produtora A24 namora a IA da Google e Hollywood descobre, com ar muito surpreendido, que vender a “alma ao diabo” tem cláusulas de confidencialidade
A Seleção Nacional e CR7 na Rota da Seda
Portugal está na Rota da Seda, pois vai a Houston jogar com o Uzbequistão, mas parece que a seleção entrou por engano num conto de Xerazade, com Ronaldo no papel de sultão, Roberto Martínez já sem mais histórias ou desculpas para dar, e a bela cidade de Samarcanda à espera ao fundo, coberta de azulejos, pó e ansiedade nacional
O cromo, a caderneta e a estátua
Portugal jogou como uma caderneta de cromos mal colada, Martínez voltou a rezar ao altar do camisola 7 e Ronaldo, mais do que cromo raro, pareceu a estátua da Praça CR7 do Funchal
“Toy Story 5” | O sapo entrou no quarto e roubou a infância
A Pixar volta a fazer aquilo que parecia impossível: transformar bonecos de plástico, cowgirls de pano, astronautas avariados e um tablet em forma de sapo em mais uma maravilhosa comédia sobre a infância, a tecnologia, a amizade e essa coisa terrível que é crescer sem os pais darem por isso
“Duas Vezes João Liberada”: O Santo Ofício, o fantasma e a câmara de filmar
O filme de Paula Tomás Marques, chega às finalmente às salas depois da estreia na Berlinale 2025 e de uma quase viagem de circum-apresentação em festivais internacionais. Um filme português sobre as questões de género, História, cinema e a mania muito nacional de perseguir quem não cabe na moldura.
“Magalhães”: o herói que afinal chegou ao fim do mundo e encontrou a sua própria sombra
O realizador filipino Lav Diaz transforma Fernão de Magalhães num santo torto da expansão marítima: menos navegador glorioso, mais conquistador perdido entre Deus, febre, fome e o delírio colonial.
“O Dia da Revelação”: Um manual de etiqueta para os portugueses falarem com extraterrestres sem fazerem figuras de parvo
Com Steven Spielberg de regresso aos extraterrestres em “O Dia da Revelação”, convém perguntar se Portugal estaria mesmo preparado para receber uma nave vinda do espaço sem transformar tudo logo numa comissão parlamentar de inquérito, num festival ou num debate televisivo com vários tudólogos de serviço
Santo António, Pessoa e o crime perfeito de ser português
No dia em que Lisboa cheira a sardinha assada, manjerico e vinho entornado, também nasceu o homem que transformou a cidade entre a poesia e o filme policial passado dentro da cabeça
“A Bronx Tale: One Man Show”: O padrinho, o pai e o miúdo que não quis ser gangster
O veterano ator norte-americano Chazz Palminteri trouxe ontem ao Cinema São Jorge — e repete dia 18, às 21h00, mais uma sessão e se tiver oportunidade e bilhetes, não perca, embora seja em inglês e sem legendagem eletrónica — o espetáculo teatral “A Bronx Tale: One Man Show” e provou que, às vezes, basta um homem, uma cadeira e 18 fantasmas para fazer mais ‘cinema’ do que muita produção com orçamento de assalto a banco
Camões, esse argumentista que Portugal nunca conseguiu pagar como devia
No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, talvez valha a pena lembrar que o nosso maior poeta escreveu, antes de o cinema existir, aquilo que o cinema português ainda hoje tenta filmar: glória, naufrágio, desejo, desengano e uma estranha vocação nacional para perder com estilo
“Hungry - 4 Toneladas de Raiva”: O Joaquim de Almeida e a vingança da Popota
Um hipopótamo no bayou da Louisiana, turistas em pânico e o nosso Joaquim de Almeida a fazer de Walker "Tuga" de Nova Orleães. O cinema ainda tem salvação? Tem, sim senhor. Está salvo com filmes como Hungry - 4 Toneladas de Raiva, que estreia esta semana nas salas. Uma série B com muito suspense. E sem jacarés