José Vieira Mendes

Jornalista, crítico e programador de cinema
Opinião

Portugal ficou sem rede no mundial dos telefonemas

Trump ligou, Infantino abriu a gaveta, Balogun entrou, os EUA levaram quatro e Portugal descobriu tarde demais que uma lenda pouco móvel não faz pressão alta

Cultura

“Um Julgamento”: O povo absolveu Wagner Moura, portanto a verdade ainda tem defesa

Em “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, Christiane Jatahy e Wagner Moura transformam Ibsen num tribunal elétrico, cinematográfico e moralmente implacável. No CCB, Thomas Stockmann foi absolvido por larga maioria. Mas a pergunta saiu do palco e aterrou, com estrondo, na Base das Lajes: quem é afinal o inimigo do povo quando a terra, a água e os corpos começam a apresentar provas? Que curiosa coincidência

Opinião

Carlos Queiroz, o homem a quem Portugal deve mais do que gosta de admitir

Esta madrugada, no Gana–Colômbia, o velho professor volta a entrar em campo como selecionador do país africano e contra o esquecimento português. E nós, que tanto gostamos de celebrar vitórias, talvez devêssemos aprender a agradecer a quem nos ensinou que era possível ganhá-las — e sermos como os grandes do futebol. Mesmo que leiam esta crónica amanhã, ela continua a ser fundamental

Cultura

Wagner Moura leva a verdade a “Um Julgamento” no CCB

Wagner Moura e a encenadora brasileira Christiane Jatahy trazem a Lisboa Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo, uma peça que não adapta Ibsen: continua-o, confronta-o e chama o público ao banco dos jurados

Sociedade
Exclusivo

A nação que Hollywood construiu

Nos 250 anos da Independência Americana, o cinema continua a vender-nos a América como sonho, sermão, parque temático e conflito moral, às vezes tudo no mesmo plano

Opinião

“Mínimos e os Monstros”: a América faz 250 anos e Portugal fica no buraco 18

Entre a estreia de Mínimos e os Monstros, criaturas amarelas que querem fazer cinema, monstros que escapam do ecrã e Donald Trump a descobrir Portugal pelo green, o 4 de Julho chega-nos este ano como uma superprodução de Hollywood dobrada em diplomacia recreativa

Cultura

Ernst Lubitsch: Um toque no fresco do cinema

Até 14 de julho, o Nimas troca o calor, o Mundial e a solenidade por Ernst Lubitsch: o mestre que fazia rir com portas fechadas, adultérios elegantes e malícia em fato de gala

Cultura

Mel Brooks: cem anos a rir-se na cara da morte

O homem que fez de Hitler um número musical, de Frankenstein uma vedeta de cabaret e da velhice uma anedota continua a provar que a comédia, quando é mesmo grande, entra à vontade, parte a mobília e ainda deixa gorjeta

Cultura

“The Disenchantment of Lisbon — Lisbon is not cool anymore” | Um não-guia turístico de Lisboa

O livro, por enquanto apenas disponível em inglês, é um anti-guia feroz, divertido e melancólico sobre a cidade que trocou moradores por malas de rodinhas, tascas por brunches e alma por investimento imobiliário

Opinião

CR7, a Seleção de Portugal, a positividade tóxica e a máquina de fazer dinheiro

Portugal passou, mas deixou o futebol no hotel de Palm Beach. Entre a boa energia de Roberto Martínez, a máquina de imprimir dinheiro e a obsessão nacional por encontrar o número 7 em cada ataque, a Seleção chegou aos dezasseis avos-de-final como quem entra num casamento de canadianas: sorridente, maquilhada, mas profundamente coxa

Cultura

Hollywood, a IA e “Artificial”, o filme que ninguém quer estrear

A máquina tem medo do espelho. “Artificial”, o filme de Luca Guadagnino sobre Sam Altman ficou sem casa de distribuição, a produtora A24 namora a IA da Google e Hollywood descobre, com ar muito surpreendido, que vender a “alma ao diabo” tem cláusulas de confidencialidade

Opinião

A Seleção Nacional e CR7 na Rota da Seda

Portugal está na Rota da Seda, pois vai a Houston jogar com o Uzbequistão, mas parece que a seleção entrou por engano num conto de Xerazade, com Ronaldo no papel de sultão, Roberto Martínez já sem mais histórias ou desculpas para dar, e a bela cidade de Samarcanda à espera ao fundo, coberta de azulejos, pó e ansiedade nacional

Opinião

O cromo, a caderneta e a estátua

Portugal jogou como uma caderneta de cromos mal colada, Martínez voltou a rezar ao altar do camisola 7 e Ronaldo, mais do que cromo raro, pareceu a estátua da Praça CR7 do Funchal

Cultura

“Toy Story 5” | O sapo entrou no quarto e roubou a infância

A Pixar volta a fazer aquilo que parecia impossível: transformar bonecos de plástico, cowgirls de pano, astronautas avariados e um tablet em forma de sapo em mais uma maravilhosa comédia sobre a infância, a tecnologia, a amizade e essa coisa terrível que é crescer sem os pais darem por isso

Cultura

“Duas Vezes João Liberada”: O Santo Ofício, o fantasma e a câmara de filmar

O filme de Paula Tomás Marques, chega às finalmente às salas depois da estreia na Berlinale 2025 e de uma quase viagem de circum-apresentação em festivais internacionais. Um filme português sobre as questões de género, História, cinema e a mania muito nacional de perseguir quem não cabe na moldura.

Cultura

“Magalhães”: o herói que afinal chegou ao fim do mundo e encontrou a sua própria sombra

O realizador filipino Lav Diaz transforma Fernão de Magalhães num santo torto da expansão marítima: menos navegador glorioso, mais conquistador perdido entre Deus, febre, fome e o delírio colonial.

Atualidade

“O Dia da Revelação”: Um manual de etiqueta para os portugueses falarem com extraterrestres sem fazerem figuras de parvo

Com Steven Spielberg de regresso aos extraterrestres em “O Dia da Revelação”, convém perguntar se Portugal estaria mesmo preparado para receber uma nave vinda do espaço sem transformar tudo logo numa comissão parlamentar de inquérito, num festival ou num debate televisivo com vários tudólogos de serviço

Opinião

Santo António, Pessoa e o crime perfeito de ser português

No dia em que Lisboa cheira a sardinha assada, manjerico e vinho entornado, também nasceu o homem que transformou a cidade entre a poesia e o filme policial passado dentro da cabeça

Cultura

“A Bronx Tale: One Man Show”: O padrinho, o pai e o miúdo que não quis ser gangster

O veterano ator norte-americano Chazz Palminteri trouxe ontem ao Cinema São Jorge — e repete dia 18, às 21h00, mais uma sessão e se tiver oportunidade e bilhetes, não perca, embora seja em inglês e sem legendagem eletrónica — o espetáculo teatral “A Bronx Tale: One Man Show” e provou que, às vezes, basta um homem, uma cadeira e 18 fantasmas para fazer mais ‘cinema’ do que muita produção com orçamento de assalto a banco

«Os Lusíadas» estão à venda!
Opinião

Camões, esse argumentista que Portugal nunca conseguiu pagar como devia

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, talvez valha a pena lembrar que o nosso maior poeta escreveu, antes de o cinema existir, aquilo que o cinema português ainda hoje tenta filmar: glória, naufrágio, desejo, desengano e uma estranha vocação nacional para perder com estilo

Cultura

“Hungry - 4 Toneladas de Raiva”: O Joaquim de Almeida e a vingança da Popota

Um hipopótamo no bayou da Louisiana, turistas em pânico e o nosso Joaquim de Almeida a fazer de Walker "Tuga" de Nova Orleães. O cinema ainda tem salvação? Tem, sim senhor. Está salvo com filmes como Hungry - 4 Toneladas de Raiva, que estreia esta semana nas salas. Uma série B com muito suspense. E sem jacarés