O fim do desconforto como critério educativo
Quando a escola deixa de tornar obrigatório um autor que ensina a desconfiar do óbvio, não está apenas a reorganizar conteúdos. Está, silenciosamente, a redefinir o tipo de pensamento que considera essencial. Menos inquieto, menos crítico, mais adaptado. Mais capaz de funcionar dentro daquilo que já está definido do que de questionar aquilo que nunca foi realmente escolhido
Uma geração chamada a liderar, sem espaço para pensar
Confunde-se presença com participação, opinião com reflexão e exposição com influência, quando participar implica compreender o que está em causa, reconhecer a complexidade e ter critérios para sustentar posições, algo que exige mais do que visibilidade
A responsabilidade na guerra híbrida
As vidas humanas já não se perdem apenas no campo de batalha tradicional. Perdem-se também numa realidade exponencialmente mais rápida e potencialmente mais devastadora
A centralidade impotente dos direitos humanos
Os direitos humanos são frequentemente mobilizados depois do dano consumado, para denunciar, qualificar e lamentar. Raramente funcionam como critério efetivo no momento da decisão. Tornam-se linguagem do depois, não do antes. Não previnem, descrevem. Não vinculam, comentam
A desigualdade que se instala no direito à palavra
Talvez uma das formas mais eficazes de controlo não seja negar a liberdade, mas concedê-la sob condição. Uma liberdade tolerada enquanto não rompe, enquanto não perturba, enquanto não obriga a redistribuir o risco.
Quando a expressão vira estratégia: A manipulação silenciosa do pensamento
A chamada “liberdade de pensamento” surge hoje moldada pela velocidade da informação e pela pressão para reagir antes de refletir. Não nos impedem de pensar; empurram-nos a pensar depressa. As narrativas chegam antes das perguntas, as conclusões antes dos factos
O diplomata na era das redes e das fake news
O diplomata moderno vive a solidão de decisões que poucos compreendem e muitos criticam, sempre consciente de caminhar sobre terreno instável
Carta aberta de uma estudante de Direito: Gaza e o Direito Internacional
Surge então o dilema: como reconhecer o Estado da Palestina se o seu governo efetivo está ligado a uma força armada que não respeita o Direito Internacional Humanitário? Mas, ao mesmo tempo, como não reconhecer um território que, historicamente, sempre lhe pertenceu?