Opinião
Narcisismo nas relações íntimas e o impacto na saúde mental
Nem sempre a teia começa por um sinal de perigo. Pode começar por um sentimento de exceção: elogios, confidências e promessas fazem a mulher sentir que, finalmente, alguém a vê. Chama-se love bombing à profusão de afeto usada para conquistar influência e manipular. O entusiasmo inicial, por si só, não prova abuso. Mas, quando existe engodo, este apresenta-se com a linguagem do afeto. Confiar não é um defeito: a responsabilidade pela mentira pertence a quem mente
Somos todos NAZA
O primeiro-ministro israelita pediu a identificação e a investigação criminal dos militares entrevistados em NAZA. Nada que surpreenda. Aliás não prevejo longa vida para os realizadores. Não imediatamente, mas dentro duns anos serão decerto vítimas dum acidente qualquer. O poder quando desafiado, não perdoa
O mundo encolhe, como o meu útero
O corpo que já não responde como antes, o dinheiro que nunca chega, o mundo que parece ter enlouquecido e a sensação de que estamos sempre a tentar recuperar o controlo de qualquer coisa que já nos escapou das mãos. Diz-me lá, minha amiga, como é que se recupera o ânimo?
Advogados: os direitos dos outros, os deveres de sempre
Sobre a CPAS, a desproteção social e a estranha ideia de que quem defende direitos não precisa de os ter
Análise | Portugal e o preço político dos combustíveis
Portugal depende de energia importada e de mercados internacionais sobre os quais não decide e responde a essa exposição com instrumentos desenhados para situações excecionais
Passos Coelho e as virtudes que não o obrigam a nada
Em 2011, Passos Coelho reconheceu a falta que Diogo Vasconcelos faria ao País, aquando do último adeus, na Sala dos Retratos da Igreja da Lapa, no Porto. Quinze anos depois, ao elogiar André Ventura e defender um entendimento com o Chega, obriga-me a regressar àquelas palavras e ao homem que tive a honra e o privilégio de conhecer
Passos Coelho quer mesmo muito ser primeiro-ministro
Percebe-se bem de onde vem a pressa. O tempo passa e nem Montenegro cai nem ele almoça. A esperança numa intervenção do PGR parece ter esmorecido. E, mesmo que o escândalo fosse grande, era capaz de jurar que o primeiro-ministro só se demitiria se saísse algemado de São Bento. Seguro, esse, tratava de se esconder debaixo de uma mesa qualquer
Firmas do mal
Os jovens não abandonam as “firmas” porque um adulto lhes diz para o fazer. Saem quando encontram uma alternativa credível ao que o grupo lhes dava: identidade, rendimento, proteção e reconhecimento
Dizem por aí... que ser ou não ser, eis a questão
A farinheira vegetal não é farinheira de carne, tal como os cogumelos não são vieiras. Ainda assim, podem entrar numa feijoca, em favas ou num prato que faz parte das nossas memórias. Ser ou não ser: eis a questão que estes nomes deixam em suspenso. Dizem-nos o que estes produtos não são e ajudam-nos a imaginar aquilo que podem vir a ser à mesa
"Dói-me um dente. Preciso de um antibiótico?" Opinião de um dentista
Compreendo a expectativa de quem chega a uma consulta de urgência. Está com dor, quer uma solução, e uma receita é algo concreto: leva-a consigo, vai à farmácia, sente que começou imediatamente a tratar-se. Ouvir que o antibiótico não está indicado é facilmente interpretado como ter recebido menos
O despertar das Fúrias. Opinião da escritora Safaa Dib
Este continua a ser um mundo pertencente, em grande medida, aos homens brancos heterossexuais, que ainda cometem abusos da pior espécie, protegidos pelo sistema
Conservar a natureza para quê?
Uma estratégia sem pessoas no território, técnicos no terreno, financiamento estável, calendário exigente e avaliação pública corre o risco de continuar a conservar sobretudo no papel
Não existe saúde sem ideologia
Portugal aplica 10,4% da sua riqueza em saúde, acima da média da OCDE, mas as famílias pagam diretamente 8,8 mil milhões de euros por ano, perto de 28% do total, um dos valores mais altos da União Europeia
Quando as bibliotecas se tornam espaços de cidadania
Na Austrália, bibliotecas públicas e universitárias são espaços de conhecimento, convivência e cidadania. Uma experiência em Sydney leva um professor brasileiro de Direitos Culturais a repensar o lugar que estes equipamentos ocupam na sociedade
E se parar também fosse avançar?
Adiar por um ano um mestrado, um estágio ou o primeiro emprego pode facilmente ser interpretado como um atraso no percurso, sobretudo quando estamos habituados a medir cada etapa pelo que acrescenta à seguinte. No entanto, nem tudo aquilo que fazemos precisa de ter um resultado imediato ou de servir diretamente o próximo passo
Como pode a química ajudar a construir um futuro mais sustentável?
Quando pensamos nos grandes desafios do nosso tempo – alterações climáticas, energia, água, saúde, poluição ou escassez de recursos –, raramente a primeira palavra que nos ocorre é “química”. E, no entanto, será difícil responder a qualquer um deles sem ela
Quando o cansaço vence o bom senso. O que é a "MFA Fatigue"
Neste caso, a proteção continua a funcionar como previsto. O que está a ser explorado é a nossa dificuldade em manter a atenção
Porque é tão difícil dizer não, mesmo quando a nossa saúde pede que paremos?
Na investigação científica, o conceito de carga alostática ajuda a compreender o desgaste associado à adaptação repetida ou prolongada a situações exigentes
Portugal entrou na era das maiorias por medida. Opinião de Marcelo Avelino Copelli
Montenegro governa sem maioria, o PS procura viabilizar o Orçamento sem integrar o Governo e os acordos variam conforme a matéria. O poder reparte-se pelo Parlamento, mas a responsabilidade pelas decisões não pode diluir-se entre os partidos
Que país é este?
Não se trata de escolher entre Cristiano Ronaldo e os problemas dos portugueses. Essa é uma falsa questão. Podemos celebrar os nossos campeões e, simultaneamente, exigir respostas para os problemas estruturais do País
E se Ronaldo fosse bolseiro? Opinião de uma advogada
Para se ter uma noção das proporções, e sem nenhum reparo ao dinheiro que é dele e de quem lho paga, a Forbes calcula que Ronaldo tenha ganho 300 milhões de dólares no último ano, mais de 700 mil euros por dia, ao passo que um doutorando português recebe do Estado pouco mais de 1.300 euros por mês, de maneira que os quatro anos de bolsa de quem anda à procura de um planeta ou de uma vacina valem pouco mais de duas horas do capitão