O CPAP continua a ser o tratamento de referência para a apneia obstrutiva do sono moderada a grave. Mas a realidade da consulta mostra outra coisa: uma parte considerável dos doentes não tolera a máquina. O ruído, a sensação de claustrofobia com a máscara, a boca seca ou simplesmente a dificuldade em manter o hábito todas as noites levam muitos a abandonar o tratamento — e a voltar a expor-se aos riscos da apneia não tratada. Para estes casos, e para as formas ligeiras a moderadas da doença, existe uma alternativa validada cientificamente que poucos doentes conhecem: o dispositivo de avanço mandibular (DAM).
Porque é que a apneia do sono não pode ficar sem tratamento
A apneia obstrutiva do sono caracteriza-se por interrupções repetidas da respiração durante o sono, causadas pelo colapso das vias aéreas superiores. As suas consequências vão muito além do cansaço diurno ou do ronco: está bem documentada a associação entre apneia não tratada e um risco aumentado de hipertensão arterial, arritmias, enfarte do miocárdio, AVC e diabetes tipo 2. Por isso, mesmo quando o CPAP não é tolerado, abandonar o tratamento não é uma opção segura — é preciso encontrar uma alternativa eficaz.
O que é o dispositivo de avanço mandibular
O DAM é um aparelho oral feito por medida, semelhante a um aparelho de proteção dentária, que se usa apenas durante o sono. O seu mecanismo é simples e eficaz: reposiciona ligeiramente a mandíbula para a frente, o que aumenta o espaço da via aérea superior e reduz o colapso dos tecidos moles que provoca as pausas respiratórias.
Não substitui o CPAP em casos graves de apneia, mas em casos ligeiros a moderados a evidência científica mostra eficácia comparável em muitos doentes — com uma vantagem importante: a adesão ao tratamento costuma ser significativamente superior, precisamente porque o dispositivo é mais discreto, silencioso e confortável do que uma máscara ligada a uma máquina.
Quem pode ser um bom candidato
Nem todos os doentes com apneia são candidatos ideais ao DAM. A decisão deve ser sempre feita em conjunto com o médico responsável pelo diagnóstico (habitualmente pneumologista ou especialista em medicina do sono), com base na gravidade da apneia identificada no estudo do sono. Também é necessária uma avaliação dentária prévia, para garantir que existem dentes e estrutura óssea suficientes para suportar o dispositivo e que a articulação temporomandibular está saudável.
O papel do dentista no acompanhamento
A confeção do DAM deve ser feita por um dentista com formação específica em medicina dentária do sono. O processo não termina na entrega do aparelho: é necessário um acompanhamento regular para ajustar gradualmente o grau de avanço mandibular, avaliar o conforto e monitorizar possíveis efeitos a longo prazo na articulação temporomandibular ou na oclusão dentária.
Uma conversa que vale a pena ter
Se lhe foi diagnosticada apneia do sono e o CPAP não está a resultar — seja por intolerância, seja por desconforto, vale a pena falar com o seu médico sobre a possibilidade de avaliação para um dispositivo de avanço mandibular. Não é a solução para todos os casos, mas para muitos doentes representa a diferença entre abandonar o tratamento e conseguir, finalmente, dormir — e respirar — em segurança.
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