Junho quente, humano frio
O ambiente, de uma vez por todas, deixou de ser um pressuposto silencioso da história humana, dado como garantido e eterno, para passar, como se vê, a constituir uma das condições da sua própria continuidade
Da Suíça ao “nós”
A Suíça, mesmo apresentando elevados níveis de rendimento per capita, reduzidas taxas de desemprego e sendo uma democracia consolidada com um dos mais elevados índices de qualidade de vida à escala global, viu os seus cidadãos serem, todos, chamados a pronunciar-se, em referendo, quanto à possibilidade de limitar, constitucionalmente, a população do país a dez milhões de habitantes
Onde deixámos a alma da democracia?
A mais profunda crise democrática é a que dispensa, até, que tudo isso aconteça. Aquela que deixa intacto o corpo apaziguadoramente visível da democracia enquanto, em silêncio, com a distraída anuência de todos, lhe esvazia a alma
No trabalhador ainda cabe a sua própria pessoa? Análise de Gonçalo Soares de Jesus
O trabalhador, note-se, continua funcional, produtivo e disponível para responder às exigências do mundo laboral, mas torna-se, progressivamente, incapaz de encontrar, no íntimo mais fundo de si, a pessoa que motiva o próprio trabalho
Nacionalidade: Um Presidente, uma lei e muita espuma
Quando uma lei estrutural, como a da nacionalidade, é promulgada ao mesmo tempo que é objecto de reservas tão expressivas quanto à sua densidade consensual, pertinência e horizonte, aquilo que emerge não é apenas uma tensão ao nível das instituições, mas a imagem de uma política que continua, formalmente, capaz de decidir, mas cada vez menos capaz de sustentar as decisões que produz
De Meloni a Arendt: a curva da política moderna
O escândalo do pacote legislativo apresentado pelo Governo de Meloni, apesar de outras propostas claramente discutíveis, foi haver uma que, sem qualquer pejo ou disfarce, se propunha a pagar cerca de € 615,00 a advogados por cada imigrante que conseguissem – sabe-se lá de que forma ou maneira –, convencer a regressar, voluntariamente, ao seu país de origem
Pacheco Pereira e Ventura: que preso político, afinal?
Uma sociedade, mesmo livre, pode nunca chegar a experimentar plenamente a sua própria liberdade ora porque não sabe o que fazer com ela
Entre Gaza e o esquecimento da infância
O vídeo divulgado de crianças em Gaza, a brincarem ao funeral de um peluche que sorri enquanto morre, expõe, precisamente, essa hipótese: a de uma infância sem chama viva, quanto à qual brincar deixou de ser um ensaio da vida por viver para se tornar numa consentida antecipação do destino que a nega
El Salvador: a terra sem porquês
Aqui, nesta mega prisão perpétua, estão homens e mulheres que não sabem, tampouco, do que são acusados porque, simplesmente, ninguém lhes disse