De França fala a democracia
Ora, é aqui que a democracia que substitui a força pela palavra se distancia daquilo que é realmente e sucumbe à lei do mais forte, já que, quando o voice das pessoas era não-violento, não houve as reuniões de emergência, as respostas políticas, a atenção mediática ou a mobilização institucional que, prontamente, existiram, depois, quando as escolas começaram a ser bloqueadas, os bens destruídos e as pessoas feridas
Opinião | A pobreza-cara num mundo ao peso
Tudo isto pode soar esquisito, porque é, mas a verdade, como disse James Baldwin a propósito do Harlem, é que “qualquer pessoa que alguma vez tenha lutado contra a pobreza sabe como é extremamente caro ser pobre”. Sim! Quanto mais pobre se é, ou seja, quanto menos se tem, mais caro, literalmente, é ter-se alguma coisa
A mulher, o outro e o nós que sobra
Veja-se que, à luz do direito penal, podia facilmente esquecer-se a situação deste ilícito já que, em popularismos jurídicos, vai-se dizendo, “não há crime sem corpo”, mas será assim mesmo desta vez?
Da Índia a Portugal: quantas pessoas?
Quando o humano se apercebe de que a sua pessoalidade, e, por consequência, o acontecer da pessoa que se é, deixa de encontrar acolhimento na comunidade onde vive, rompe-se a confiança de que essa mesma comunidade ainda possa constituir o lugar onde uma vida encontre sentido, reconhecimento e realização
Junho quente, humano frio
O ambiente, de uma vez por todas, deixou de ser um pressuposto silencioso da história humana, dado como garantido e eterno, para passar, como se vê, a constituir uma das condições da sua própria continuidade
Da Suíça ao “nós”
A Suíça, mesmo apresentando elevados níveis de rendimento per capita, reduzidas taxas de desemprego e sendo uma democracia consolidada com um dos mais elevados índices de qualidade de vida à escala global, viu os seus cidadãos serem, todos, chamados a pronunciar-se, em referendo, quanto à possibilidade de limitar, constitucionalmente, a população do país a dez milhões de habitantes
Onde deixámos a alma da democracia?
A mais profunda crise democrática é a que dispensa, até, que tudo isso aconteça. Aquela que deixa intacto o corpo apaziguadoramente visível da democracia enquanto, em silêncio, com a distraída anuência de todos, lhe esvazia a alma
No trabalhador ainda cabe a sua própria pessoa? Análise de Gonçalo Soares de Jesus
O trabalhador, note-se, continua funcional, produtivo e disponível para responder às exigências do mundo laboral, mas torna-se, progressivamente, incapaz de encontrar, no íntimo mais fundo de si, a pessoa que motiva o próprio trabalho
Nacionalidade: Um Presidente, uma lei e muita espuma
Quando uma lei estrutural, como a da nacionalidade, é promulgada ao mesmo tempo que é objecto de reservas tão expressivas quanto à sua densidade consensual, pertinência e horizonte, aquilo que emerge não é apenas uma tensão ao nível das instituições, mas a imagem de uma política que continua, formalmente, capaz de decidir, mas cada vez menos capaz de sustentar as decisões que produz
De Meloni a Arendt: a curva da política moderna
O escândalo do pacote legislativo apresentado pelo Governo de Meloni, apesar de outras propostas claramente discutíveis, foi haver uma que, sem qualquer pejo ou disfarce, se propunha a pagar cerca de € 615,00 a advogados por cada imigrante que conseguissem – sabe-se lá de que forma ou maneira –, convencer a regressar, voluntariamente, ao seu país de origem
Pacheco Pereira e Ventura: que preso político, afinal?
Uma sociedade, mesmo livre, pode nunca chegar a experimentar plenamente a sua própria liberdade ora porque não sabe o que fazer com ela
Entre Gaza e o esquecimento da infância
O vídeo divulgado de crianças em Gaza, a brincarem ao funeral de um peluche que sorri enquanto morre, expõe, precisamente, essa hipótese: a de uma infância sem chama viva, quanto à qual brincar deixou de ser um ensaio da vida por viver para se tornar numa consentida antecipação do destino que a nega
El Salvador: a terra sem porquês
Aqui, nesta mega prisão perpétua, estão homens e mulheres que não sabem, tampouco, do que são acusados porque, simplesmente, ninguém lhes disse