O acesso à saúde não devia ser um teste de persistência
Por vezes, fica a sensação de que o cidadão tem de se apresentar perante o sistema quase em tom de desculpa: "Peço desculpa por incomodar, mas estou doente. Será que me podem ajudar?" Ora, os cuidados de saúde não constituem um favor. Constituem um direito. E os direitos perdem significado quando o seu exercício se torna excessivamente difíci
Fiscalizar o vizinho ou fiscalizar o poder?
O objetivo central deveria ser saber como promover a autonomia das pessoas, quebrar ciclos de pobreza, aumentar a participação no mercado de trabalho e reforçar a inclusão social. No entanto, uma parte significativa do debate concentra-se na identificação de potenciais abusos
Cuidar não é ocupar tempo
A inclusão social dos beneficiários de prestações é um objetivo legítimo. Mas o cuidado não pode ser tratado como moeda de troca. Porque cuidar não é apenas ocupar tempo. Cuidar é uma profissão. E uma das mais importantes para o futuro coletivo
Gish Gallop
Enquanto comentadores discutem se Passos exagerou ao associar imigração e insegurança, outros debatem se ele está apenas a verbalizar preocupações reais da população. Entretanto, o ciclo mediático já avançou para outra frase polémica. O resultado é uma democracia permanentemente reativa, emocional e cansada
Autonomia no setor social: Cooperar não é subordinar
Cooperar não pode significar apenas identificar falhas, exigir relatórios ou criar novos procedimentos. Cooperar exige diálogo, proximidade e humildade institucional para reconhecer que ninguém conhece melhor determinados problemas do que aqueles que convivem diariamente com eles
A política está vazia! Encheu-se de ruído
O excesso de ruído tem consequências. Quando os cidadãos sentem que a política é apenas conflito, espetáculo ou troca de acusações, cresce o afastamento em relação às instituições e aumenta a desconfiança. A participação diminui porque muitos deixam de acreditar que a política possa representar uma verdadeira ferramenta de mudança
As IPSS que sustentam a ação social
As IPSS estão cansadas de burocracias criadas por quem raramente conhece a realidade de um lar às sete da manhã, de uma creche à hora de entrada ou de um apoio domiciliário num dia de chuva
O tráfico de droga já não é rentável!
A burla digital explora o bem mais vulnerável da atualidade: a confiança
Fascismo, nunca mais! Olá neofascismo!
Se há lição a retirar, é que o combate a este fenómeno não pode ser feito apenas com memória histórica ou indignação moral. Exige compreensão profunda, capacidade crítica e, sobretudo, a reconstrução de confiança nas instituições democráticas. Porque o maior risco do neofascismo não é a sua visibilidade — é precisamente a sua capacidade de parecer normal
Tudo é política
A política organiza-nos, sim. Dá-nos forma, impõe limites, desenha fronteiras. Mas não nos habita por inteiro. Porque há um território mais fundo, mais antigo, quase indizível — feito de memória, de rituais, de gestos herdados sem instruções
Constituição e liberdade
Há ainda um risco que não pode ser ignorado: o de utilizar as próprias regras constitucionais para enfraquecer a democracia
O poder das palavras: a responsabilidade do discurso dos líderes
Em última análise, o poder das palavras reside na sua capacidade de moldar realidades. Cabe aos líderes reconhecer esse poder e utilizá-lo com responsabilidade, conscientes de que cada declaração pode contribuir para aproximar ou afastar, construir ou destruir
O poder dos impostos
m fases de doença avançada, quando a cura pode não ser um objetivo concretizável, destaca-se uma certeza: que o foco na qualidade de vida pode ser tão ou mais importante que apenas priorizar a duração da mesma
Até que ponto escolhemos livremente?
Onde começa a autodeterminação? Até onde se estende o algoritmo?
A paz é inconveniente
O facto de homens poderosos gostarem de “brincar” às guerras não seria particularmente grave se o fizessem nos seus quintais, com espadas. A realidade, porém, é outra: quem paga o preço são os inocentes. Quem morre, quem perde a casa, quem vê a sua vida suspensa são pessoas que não têm voz nem voto nas decisões que lhes destroem o quotidiano
Opinião | Todos odeiam a Europa?
Criticar a Europa raramente vem acompanhado de uma proposta concreta para inverter o alegado declínio. Protesta-se. Aponta-se o dedo. Mas qual é a alternativa? Viver como nas monarquias do Golfo, onde o poder político é exercido por uma elite hereditária e onde a crítica pode custar a liberdade?
Opinião | Será que basta trabalhar?
Enquanto os determinantes sociais continuarem a moldar de forma decisiva as trajetórias individuais, a promessa de que “quem trabalha mais chega mais longe” permanecerá, para muitos, uma narrativa distante da realidade
Portugal não é só Lisboa
Viver fora de Lisboa é carregar um carimbo para o resto da vida. Um selo silencioso que nos identifica como os parentes pobres do País. Aqui, viver é sinónimo de trabalho, resiliência e luta. Não temos oportunidades ao virar da esquina — temos de as criar. Não somos coitadinhos. Somos gente de raça, que não se resigna
Uma pescadinha de rabo na boca
Se tudo é incerto, se tudo é manipulado, se políticos e jornalistas são vistos como “comprados”, a política deixa de ser um confronto de ideias e transforma-se num concurso de ressentimentos
O trabalho invisível… é trabalho
Por detrás de cada trabalhador pontual, de cada criança que chega à escola organizada, de cada espaço limpo, cada refeição preparada há horas de esforço que ninguém contabiliza