A alma de Cabo Verde em 120 minutos
O futebol tornou-se numa indústria dominada pelos milhões, pelo marketing e pelo valor do mercado dos jogadores. Foi preciso um veterano cabo-verdiano chegar ao maior palco do mundo para nos abanar e acordar. Vozinha e Cabo Verde acordaram o mundo
Como se ama um país quando ele deixa de nos representar?
No caso do Mundial, que se deveria manter um momento de união, porque a presença da seleção nacional evoca esse sentimento de pertença, ele torna-se contraditório quando nos confrontamos com o silêncio e as incoerências éticas de algumas figuras no espaço público
Ontem, o Estado português chumbou mais uma vez no teste à democracia
A narrativa já estava escrita antes das imagens serem captadas: “são vândalos”. E assim se absolve quem deu a ordem e se condena quem a sofreu
As fronteiras começam na nossa cabeça e é aí que as temos de cancelar
Nos meus tempos de criança, eu achava que as fronteiras eram linhas grossas desenhadas nos mapas da escola, daquelas traçadas com régua que separam o mundo por cores. Não percebia por que razão não podíamos simplesmente passar de um lado para o outro. Afinal, dos dois lados havia pessoas que riam e choravam, miúdos com os mesmos medos e a mesmíssima vontade de brincar
Ódio à solta
Uma democracia sã assenta no confronto de ideias, por muito duro que ele seja. O que a extrema-direita propõe é o fim do debate e a sua substituição por um espetáculo permanente, onde o ruído ocupa o lugar da política, e quem assiste, repete amestradamente o que lhe ensinaram a gritar
E se o problema nunca fosse “eles”?
O inimigo também nos une. Não é uma união bonita, nem empática. Nasce do medo e da rejeição de alguém. Une-nos pela negativa em que assumimos que “nós não somos eles”. É uma união frágil, mas que acaba por funcionar. Quem nos governa sabe muito bem disso
O que nos indigna, afinal: a cantina dos ricos ou a oração dos outros?
No Colégio dos Salesianos de Manique, veio a público que crianças partilham o mesmo espaço escolar mas não a mesma cantina. Há, na prática, comida “dos ricos” e comida “dos pobres”. Aqui, não estamos a falar de identidade cultural ou liberdade religiosa. Estamos a falar de desigualdade social institucionalizada dentro de um espaço educativo
Hasbará, IA e democracia: as narrativas que moldam o poder e a erosão global da democracia
O investimento na Google mencionado anteriormente serve precisamente para garantir que, durante operações militares, a “verdade” algorítmica seja aquela que foi comprada
O Presidente que Portugal não precisa e não quer
Cotrim de Figueiredo representa este projeto com discurso polido e sapatos engraxados. Ventura representa-o aos gritos e de chinelos
Dois pesos, duas medidas: Quem se pune e quem se protege?
O que está em causa já não é apenas a Venezuela e a Palestina. É o precedente que se consolida quando o mundo aceita que alguns Estados podem violar o Direito Internacional sem consequências, enquanto outros são punidos até à asfixia económica por tentarem escolher caminhos próprios
É um crime. Já todos sabemos. Então porque acontece?
Ao mesmo tempo, Israel continua plenamente integrado em eventos culturais europeus, como se nada estivesse a acontecer. A Eurovisão é o exemplo mais obsceno dessa normalização. Um concurso que se diz apolítico mas aceita a participação de um Estado acusado de crimes de guerra e violações sistemáticas do direito internacional. A razão é política e económica: grandes patrocinadores e muitos interesses instalados
A luta contra o sistema que escolhe quem deve ou não deve morrer é universal
A mesma lógica que permite a brutalidade contínua sobre o povo palestiniano e que ignora as crises africanas é a que transforma o Mediterrâneo num palco de disputa, onde vidas são ativamente tratadas como descartáveis para proteger a "Fortaleza Europeia"
Novos templários do ridículo
No fundo, estes novos templários do ridículo sonham com cruzadas. Mas no fim, eles não passarão porque é difícil avançar quando se tropeça na própria caricatura
A demagogia da proibição da burca
É o mesmo velho discurso colonial que dizia civilizar povos bárbaros, agora mascarado de feminismo de ocasião. A velha arrogância que sempre quis citar o que as mulheres podem ou não fazer com o seu corpo
Aporofobia
O verdadeiro escândalo, o que a moral dominante não tolera, é um pobre digno, um pobre consciente, um pobre que recusa ser invisível e resiste à opressão e luta pelos seus direitos