Otimismo cético
Rejeito a resignação de quem acha que nada pode mudar, sem ceder à ingenuidade de esperar soluções mágicas de líderes ou instituições. É fundamental manter o pensamento crítico, apontar a cumplicidade do silêncio e continuar a exigir humanidade para todos. Só assim a vida faz sentido. Como cantou Jorge Palma: “sem arrastar atrás nem mestre nem Deus"
Confunde-se tudo para causar confusão
Convém não confundir, deliberadamente ou por conveniência, aquilo que está realmente em causa. A vinda de Jerry Seinfeld não está a ser contestada por ele ser pró-Israel. Não é essa a questão. O que está a ser contestado são as posições que assumiu perante o genocídio em Gaza, as afirmações desumanizadoras sobre os palestinianos e o discurso de ódio que tem decidido amplificar contra quem defende a libertação da Palestina
Opinião | MEO Commedia a La Carte Fest: ainda estão a tempo de cancelar Jerry Seinfeld
Os três homens que estão na origem do festival escolheram Jerry Seinfeld como cabeça de cartaz. E têm todo o direito de fazer essa escolha. Mas, precisamente por terem esse direito, também têm de aceitar que ela seja questionada
As touradas representam o País? Perguntem ao povo
Falam da "faena", como se de um bailado ou de arte se tratasse. Mas qual é a arte em brilhar à custa de um animal exausto, massacrado, assustado, ensanguentado, espicaçando-o e ludibriando-o com o capote para lhe espetar ferros no dorso? E depois de deleitarem os espectadores com o animal já moribundo, entra um grupo de supostos corajosos para o pegar e tentar imobilizar. Depois, o destino continua a ser a morte
Tontos úteis com stories patrocinadas
Israel desta vez não apostou em políticos. Convidou um grupo de influencers portugueses a visitar o país. Israel sabe que um influencer jovem a postar stories de férias parece mais espontâneo do que um político, que gera mais desconfiança
Porque não se pára? Antes de avançar, é preciso verificar
Alegar que "ninguém foi prejudicado" choca de frente com a realidade dos 1.117 alunos que viram a sua nota descer depois de já ter sido publicada em pauta e que tiveram uma expectativa errada durante dias. Foi um grande prejuízo
A vida não é prisão
Hoje, em Portugal, um doente pode recusar tratamentos que o manteriam vivo, o que na prática leva a uma morte lenta. A eutanásia não inventa essa possibilidade, apenas a torna mais rápida e menos dolorosa. Chama-se a isso aliviar o sofrimento. É uma questão de compaixão
A alma de Cabo Verde em 120 minutos
O futebol tornou-se numa indústria dominada pelos milhões, pelo marketing e pelo valor do mercado dos jogadores. Foi preciso um veterano cabo-verdiano chegar ao maior palco do mundo para nos abanar e acordar. Vozinha e Cabo Verde acordaram o mundo
Como se ama um país quando ele deixa de nos representar?
No caso do Mundial, que se deveria manter um momento de união, porque a presença da seleção nacional evoca esse sentimento de pertença, ele torna-se contraditório quando nos confrontamos com o silêncio e as incoerências éticas de algumas figuras no espaço público
Ontem, o Estado português chumbou mais uma vez no teste à democracia
A narrativa já estava escrita antes das imagens serem captadas: “são vândalos”. E assim se absolve quem deu a ordem e se condena quem a sofreu
As fronteiras começam na nossa cabeça e é aí que as temos de cancelar
Nos meus tempos de criança, eu achava que as fronteiras eram linhas grossas desenhadas nos mapas da escola, daquelas traçadas com régua que separam o mundo por cores. Não percebia por que razão não podíamos simplesmente passar de um lado para o outro. Afinal, dos dois lados havia pessoas que riam e choravam, miúdos com os mesmos medos e a mesmíssima vontade de brincar
Ódio à solta
Uma democracia sã assenta no confronto de ideias, por muito duro que ele seja. O que a extrema-direita propõe é o fim do debate e a sua substituição por um espetáculo permanente, onde o ruído ocupa o lugar da política, e quem assiste, repete amestradamente o que lhe ensinaram a gritar
E se o problema nunca fosse “eles”?
O inimigo também nos une. Não é uma união bonita, nem empática. Nasce do medo e da rejeição de alguém. Une-nos pela negativa em que assumimos que “nós não somos eles”. É uma união frágil, mas que acaba por funcionar. Quem nos governa sabe muito bem disso
O que nos indigna, afinal: a cantina dos ricos ou a oração dos outros?
No Colégio dos Salesianos de Manique, veio a público que crianças partilham o mesmo espaço escolar mas não a mesma cantina. Há, na prática, comida “dos ricos” e comida “dos pobres”. Aqui, não estamos a falar de identidade cultural ou liberdade religiosa. Estamos a falar de desigualdade social institucionalizada dentro de um espaço educativo
Hasbará, IA e democracia: as narrativas que moldam o poder e a erosão global da democracia
O investimento na Google mencionado anteriormente serve precisamente para garantir que, durante operações militares, a “verdade” algorítmica seja aquela que foi comprada
O Presidente que Portugal não precisa e não quer
Cotrim de Figueiredo representa este projeto com discurso polido e sapatos engraxados. Ventura representa-o aos gritos e de chinelos
Dois pesos, duas medidas: Quem se pune e quem se protege?
O que está em causa já não é apenas a Venezuela e a Palestina. É o precedente que se consolida quando o mundo aceita que alguns Estados podem violar o Direito Internacional sem consequências, enquanto outros são punidos até à asfixia económica por tentarem escolher caminhos próprios
É um crime. Já todos sabemos. Então porque acontece?
Ao mesmo tempo, Israel continua plenamente integrado em eventos culturais europeus, como se nada estivesse a acontecer. A Eurovisão é o exemplo mais obsceno dessa normalização. Um concurso que se diz apolítico mas aceita a participação de um Estado acusado de crimes de guerra e violações sistemáticas do direito internacional. A razão é política e económica: grandes patrocinadores e muitos interesses instalados
A luta contra o sistema que escolhe quem deve ou não deve morrer é universal
A mesma lógica que permite a brutalidade contínua sobre o povo palestiniano e que ignora as crises africanas é a que transforma o Mediterrâneo num palco de disputa, onde vidas são ativamente tratadas como descartáveis para proteger a "Fortaleza Europeia"
Novos templários do ridículo
No fundo, estes novos templários do ridículo sonham com cruzadas. Mas no fim, eles não passarão porque é difícil avançar quando se tropeça na própria caricatura