Isabel Oliveira

Ativista social
Opinião

A alma de Cabo Verde em 120 minutos

O futebol tornou-se numa indústria dominada pelos milhões, pelo marketing e pelo valor do mercado dos jogadores. Foi preciso um veterano cabo-verdiano chegar ao maior palco do mundo para nos abanar e acordar. Vozinha e Cabo Verde acordaram o mundo

Opinião

Escombros

Enquanto a malta chora na sala a ver o resgate milagroso de uma criança na Venezuela, há miúdos a morrer sufocados no entulho em Gaza, ou desfeitos pelo fogo nas tendas de al-Mawasi (ainda ontem), que supostamente eram "zonas seguras", mas onde os drones atacam na mesma

Opinião

Como se ama um país quando ele deixa de nos representar?

No caso do Mundial, que se deveria manter um momento de união, porque a presença da seleção nacional evoca esse sentimento de pertença, ele torna-se contraditório quando nos confrontamos com o silêncio e as incoerências éticas de algumas figuras no espaço público

Opinião

Ontem, o Estado português chumbou mais uma vez no teste à democracia

A narrativa já estava escrita antes das imagens serem captadas: “são vândalos”. E assim se absolve quem deu a ordem e se condena quem a sofreu

Governo dos EUA vai recolher amostras de ADN de detidos em fronteira
Opinião

As fronteiras começam na nossa cabeça e é aí que as temos de cancelar

Nos meus tempos de criança, eu achava que as fronteiras eram linhas grossas desenhadas nos mapas da escola, daquelas traçadas com régua que separam o mundo por cores. Não percebia por que razão não podíamos simplesmente passar de um lado para o outro. Afinal, dos dois lados havia pessoas que riam e choravam, miúdos com os mesmos medos e a mesmíssima vontade de brincar

Opinião

Ódio à solta

Uma democracia sã assenta no confronto de ideias, por muito duro que ele seja. O que a extrema-direita propõe é o fim do debate e a sua substituição por um espetáculo permanente, onde o ruído ocupa o lugar da política, e quem assiste, repete amestradamente o que lhe ensinaram a gritar

Opinião

E se o problema nunca fosse “eles”?

O inimigo também nos une. Não é uma união bonita, nem empática. Nasce do medo e da rejeição de alguém. Une-nos pela negativa em que assumimos que “nós não somos eles”. É uma união frágil, mas que acaba por funcionar. Quem nos governa sabe muito bem disso

Opinião

O que nos indigna, afinal: a cantina dos ricos ou a oração dos outros?

No Colégio dos Salesianos de Manique, veio a público que crianças partilham o mesmo espaço escolar mas não a mesma cantina. Há, na prática, comida “dos ricos” e comida “dos pobres”. Aqui, não estamos a falar de identidade cultural ou liberdade religiosa. Estamos a falar de desigualdade social institucionalizada dentro de um espaço educativo

Opinião

Hasbará, IA e democracia: as narrativas que moldam o poder e a erosão global da democracia

O investimento na Google mencionado anteriormente serve precisamente para garantir que, durante operações militares, a “verdade” algorítmica seja aquela que foi comprada

Opinião

O Presidente que Portugal não precisa e não quer

Cotrim de Figueiredo representa este projeto com discurso polido e sapatos engraxados. Ventura representa-o aos gritos e de chinelos

Opinião

Dois pesos, duas medidas: Quem se pune e quem se protege?

O que está em causa já não é apenas a Venezuela e a Palestina. É o precedente que se consolida quando o mundo aceita que alguns Estados podem violar o Direito Internacional sem consequências, enquanto outros são punidos até à asfixia económica por tentarem escolher caminhos próprios

Opinião

É um crime. Já todos sabemos. Então porque acontece?

Ao mesmo tempo, Israel continua plenamente integrado em eventos culturais europeus, como se nada estivesse a acontecer. A Eurovisão é o exemplo mais obsceno dessa normalização. Um concurso que se diz apolítico mas aceita a participação de um Estado acusado de crimes de guerra e violações sistemáticas do direito internacional. A razão é política e económica: grandes patrocinadores e muitos interesses instalados

Opinião

A luta contra o sistema que escolhe quem deve ou não deve morrer é universal

A mesma lógica que permite a brutalidade contínua sobre o povo palestiniano e que ignora as crises africanas é a que transforma o Mediterrâneo num palco de disputa, onde vidas são ativamente tratadas como descartáveis para proteger a "Fortaleza Europeia"

Opinião

Novos templários do ridículo

No fundo, estes novos templários do ridículo sonham com cruzadas. Mas no fim, eles não passarão porque é difícil avançar quando se tropeça na própria caricatura

Opinião

A demagogia da proibição da burca

É o mesmo velho discurso colonial que dizia civilizar povos bárbaros, agora mascarado de feminismo de ocasião. A velha arrogância que sempre quis citar o que as mulheres podem ou não fazer com o seu corpo

Opinião

Indecência social

Opinião

Aporofobia

O verdadeiro escândalo, o que a moral dominante não tolera, é um pobre digno, um pobre consciente, um pobre que recusa ser invisível e resiste à opressão e luta pelos seus direitos