Vade retro
Quando uma sociedade começa a aceitar a ideia de que “antes é que era”, sem questionar o que esse “antes” implicava, abre caminho a regressões silenciosas. E essas regressões não começam de forma abrupta. Instalam-se gradualmente: em discursos aparentemente técnicos, em revisões seletivas da História, na normalização do excecional
O triunfo dos porcos
As recentes notícias sobre despesas em refeições por autarcas de Matosinhos e Oeiras são um exemplo quase caricatural. Episódios amplificados, descontextualizados e transformados em escândalo mediático, apesar de envolverem responsáveis amplamente reconhecidos pela sua competência e impacto positivo na gestão autárquica
O Governo quer dificultar a nacionalidade para esconder o caos que criou
Esta lei não é sobre nacionalidade. É sobre um Estado que não consegue gerir a imigração, não consegue responder a tempo e, sobretudo, não tem a coragem de assumir falhas
Punir as falhas do Estado: o erro das novas políticas migratórias
Mais do que endurecer políticas, talvez seja tempo de corrigir o que não está a funcionar — e reconhecer que, por detrás de cada processo, existe uma pessoa, uma história e, muitas vezes, uma vida já construída em Portugal
I am the king of the world
A guerra não é um jogo. Não é um gesto simbólico. Não é uma demonstração de força para consumo mediático. A guerra é dor. É o silêncio depois da explosão. É o choro de uma criança que já não chama por ninguém. É uma mãe a segurar um corpo pequeno, demasiado leve, demasiado imóvel
O Presidente, a guerra e o interesse nacional
Perante um contexto internacional em que as guerras regionais podem escalar rapidamente e produzir efeitos globais, o interesse nacional exige uma diplomacia prudente, capaz de apoiar os aliados, sim, mas sem abdicar da defesa dos princípios do direito internacional e da estabilidade regional
A próxima crise migratória não será surpresa. Será consequência
O maior perigo para a Europa já não é militar. É político e social. Se novas vagas migratórias coincidirem com inflação persistente, desigualdade social e insegurança energética, o continente poderá entrar numa transformação profunda: menos integração, fronteiras mais rígidas e um renovado impulso nacionalista
Epstein: Poder, impunidade e a obsessão da eternidade
Epstein tornou-se mais do que um nome próprio. Tornou-se um símbolo das fragilidades institucionais de uma era marcada por desigualdade extrema. Símbolo de um sistema onde riqueza pode funcionar como amortecedor judicial. Símbolo de uma cultura que se deslumbra com o poder e hesita em confrontá-lo
Quem vai reconstruir Portugal?
Portugal precisa de reconstruir — casas, estradas, florestas e comunidades — e reconstruir exige pessoas. Transformar a imigração num tema de medo ou rejeição não protege o País, apenas o enfraquece.
O regresso improvável: como António José Seguro redesenhou o mapa político
O País acorda hoje com novos equilíbrios, novas ambições e uma evidência difícil de ignorar: aquele que durante anos foi visto como “ o patinho feio da política” tornou-se, contra quase todas as previsões, a figura central da República
Kristin: Um teste à governação em tempo de crise
Enquanto outros países investem em prevenção estruturada, Portugal insiste no improviso como virtude nacional e alimenta a ideia perigosa de que a resiliência popular compensa a ausência do Estado. Todos somos Ronaldo — até ao momento em que o improviso falha e os Ronaldos se lesionam.
Proteger as crianças migrantes é um dever democrático
O ódio não começa com violência explícita. Começa com a normalização da indiferença. Começa quando aceitamos que certas crianças podem esperar mais, ter menos, valer menos
Entre o medo e a memória
Num tempo em que o mundo enfrenta crises humanitárias profundas, Portugal escolheu afastar-se — enquanto continua a proclamar, nos discursos e nos textos legais, um humanismo que já não encontra correspondência nos atos
Quem vota? A influência da IA e do algoritmo
A obsessão pelas sondagens transformou as campanhas num exercício de contenção. As tracking polls funcionam como um eletrocardiograma eleitoral: qualquer flutuação provoca correções imediatas, silêncios estratégicos, mudanças de tom ou campanhas de ataque pessoal ao adversário
Venezuela: O 51ª estado dos EUA
Com efeito, se a lógica da substituição do Direito pelo direito da força prevalecer, o mundo tornar-se-á mais fragmentado, mais imprevisível e mais propenso a crises regionais com impacto global, o que para países como o nosso e, muitos membros da CPLP, é um cenário particularmente preocupante
A infância em guerra: quando o Natal não existe
Na República Centro Africana ou no Sudão, o dia de Natal começa com a procura de alimento ou água em poços improvisados onde a única água disponível é turva e esconde outras ameaças
A importância de ser Presidente da República
A escolha do próximo chefe de Estado não é uma mera formalidade democrática: determina a forma como serão geridos futuros conflitos políticos, que margem terá o Governo para atuar e que leitura será feita dos desafios nacionais e internacionais que enfrentamos
O superior interesse
Não sei o que mais me entristeceu, se o desespero da mãe que, perante a decisão de a impedir de ficar com a filha por falta de condições económicas, optou por “raptar” o que já era seu, se a atitude de enorme amor que a levou a entregar a bebé às autoridades, numa resignação de quem sabe que os pobres não têm nem voz nem vontade neste país
Os invisíveis: a pobreza que nenhum candidato quer ver
2,1 milhões de residentes em Portugal encontram-se em risco de pobreza ou exclusão social. 2,1 milhões de pessoas sem voz deviam preocupar o poder político, nem que fosse pelo simples facto de, teoricamente, esse número permitir eleger um grupo parlamentar: o grupo dos invisíveis
Os que entram e os que saem
Ao mesmo tempo que tenta atrair “cérebros” do exterior, Portugal vê os seus próprios jovens a emigrar a um ritmo preocupante
Isto só de burca
Francamente, não entendo esta questão e sobretudo não entendo por que carga de água é ela levantada pelo individuo que, se for PR, prende todos os ilegais (já o estou a ver de cassetete a fazer patrulhas…) e cujo maior sonho é colocar todos os muçulmanos fora de Portugal. Ora, nesse caso, para quê legislar sobre burcas? Ou os manda embora ou os despe. As duas coisas é que não!