Manuela Niza Ribeiro

Migrações
Igualmente desiguais

Pensões em risco, portas fechadas: o contrassenso de Portugal

Os imigrantes são hoje um dos pilares efetivos da sustentabilidade corrente da Segurança Social e, mais profundamente, da própria possibilidade de Portugal manter atividade económica, serviços públicos e capacidade de cuidado

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Dos ‘bidonvilles’ ao voto no ódio

Antes de apontarmos o dedo a quem chega sem documentos, talvez devêssemos recordar quantos dos nossos também partiram assim: com medo, sem estudos, sem papéis e apenas com a esperança de que alguém, do outro lado, lhes desse uma oportunidade

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"Lei do retorno": As crianças não são efeitos colaterais

Antes de alargar prazos de detenção, Portugal tem de responder a uma pergunta elementar: onde, em que condições e com que garantias pretende deter imigrantes em geral e crianças em particular?

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Os novos capitães da areia

Os menores que chegam a Ceuta não são personagens de ficção, mas vivem uma tragédia semelhante: são vistos através da lente da segurança, da irregularidade e da pressão migratória, quando deveriam ser reconhecidos, em primeiro lugar, como crianças separadas da sua rede de proteção

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Especializar os tribunais, esquecer quem faz o sistema

A reforma só será completa quando o Estado tiver a coragem de reconhecer o óbvio: a migração exige profissionais especializados, uma carreira própria e uma Administração à altura da responsabilidade que lhe foi confiada

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O privilégio de não ser imigrante

As perguntas sobre benefícios raramente são dirigidas a quem chega com rendimentos elevados. Apenas o imigrante trabalhador continua sentado no banco dos réus

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O bode expiatório do costume

Num país onde um em cada cinco contribuintes da Segurança Social é estrangeiro, culpar os imigrantes pela falta de médicos de família é uma explicação fácil para um problema muito mais antigo

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O medo voltou ao trabalho

Os trabalhadores calam-se. Os cidadãos afastam-se. As organizações tornam-se menos transparentes. Os erros deixam de ser denunciados. Os abusos deixam de ser questionados. E a democracia empobrece

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Reforma do Estado: O silêncio do ministro e a agonia da Administração Pública

Como o medo bloqueou o Estado

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Mais detenção, menos dignidade: o rumo preocupante da política migratória

Criou-se, de forma pouco inocente, uma confusão entre nacionalidade e autorização de residência. São processos distintos, com requisitos e impactos completamente diferentes. A nacionalidade representa um passo final de integração, enquanto a autorização de residência é uma condição essencial para viver legalmente no País. Misturar estes dois planos apenas contribui para desinformar a opinião pública e desviar o foco dos problemas reais

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Vade retro

Quando uma sociedade começa a aceitar a ideia de que “antes é que era”, sem questionar o que esse “antes” implicava, abre caminho a regressões silenciosas. E essas regressões não começam de forma abrupta. Instalam-se gradualmente: em discursos aparentemente técnicos, em revisões seletivas da História, na normalização do excecional

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O triunfo dos porcos

As recentes notícias sobre despesas em refeições por autarcas de Matosinhos e Oeiras são um exemplo quase caricatural. Episódios amplificados, descontextualizados e transformados em escândalo mediático, apesar de envolverem responsáveis amplamente reconhecidos pela sua competência e impacto positivo na gestão autárquica

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O Governo quer dificultar a nacionalidade para esconder o caos que criou

Esta lei não é sobre nacionalidade. É sobre um Estado que não consegue gerir a imigração, não consegue responder a tempo e, sobretudo, não tem a coragem de assumir falhas

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Punir as falhas do Estado: o erro das novas políticas migratórias

Mais do que endurecer políticas, talvez seja tempo de corrigir o que não está a funcionar — e reconhecer que, por detrás de cada processo, existe uma pessoa, uma história e, muitas vezes, uma vida já construída em Portugal

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I am the king of the world

A guerra não é um jogo. Não é um gesto simbólico. Não é uma demonstração de força para consumo mediático. A guerra é dor. É o silêncio depois da explosão. É o choro de uma criança que já não chama por ninguém. É uma mãe a segurar um corpo pequeno, demasiado leve, demasiado imóvel

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O Presidente, a guerra e o interesse nacional

Perante um contexto internacional em que as guerras regionais podem escalar rapidamente e produzir efeitos globais, o interesse nacional exige uma diplomacia prudente, capaz de apoiar os aliados, sim, mas sem abdicar da defesa dos princípios do direito internacional e da estabilidade regional

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A próxima crise migratória não será surpresa. Será consequência

O maior perigo para a Europa já não é militar. É político e social. Se novas vagas migratórias coincidirem com inflação persistente, desigualdade social e insegurança energética, o continente poderá entrar numa transformação profunda: menos integração, fronteiras mais rígidas e um renovado impulso nacionalista

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Epstein: Poder, impunidade e a obsessão da eternidade

Epstein tornou-se mais do que um nome próprio. Tornou-se um símbolo das fragilidades institucionais de uma era marcada por desigualdade extrema. Símbolo de um sistema onde riqueza pode funcionar como amortecedor judicial. Símbolo de uma cultura que se deslumbra com o poder e hesita em confrontá-lo

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Quem vai reconstruir Portugal?

Portugal precisa de reconstruir — casas, estradas, florestas e comunidades — e reconstruir exige pessoas. Transformar a imigração num tema de medo ou rejeição não protege o País, apenas o enfraquece.

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O regresso improvável: como António José Seguro redesenhou o mapa político

O País acorda hoje com novos equilíbrios, novas ambições e uma evidência difícil de ignorar: aquele que durante anos foi visto como “ o patinho feio da política” tornou-se, contra quase todas as previsões, a figura central da República

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Kristin: Um teste à governação em tempo de crise

Enquanto outros países investem em prevenção estruturada, Portugal insiste no improviso como virtude nacional e alimenta a ideia perigosa de que a resiliência popular compensa a ausência do Estado. Todos somos Ronaldo — até ao momento em que o improviso falha e os Ronaldos se lesionam.