Medvedev, a mando de Putin, esclareceu o que a Rússia fará se a ofensiva ucraniana sair vitoriosa: usará armas nucleares. Não interessa se o recado é irresponsável, ou totalmente suicidário. O que conta, nesta linha vermelha, que foi pela primeira vez traçada nos territórios invadidos, é que o círculo que rodeia Putin, como Medvedev, Shoigu, Patrushev e Gerasimov, está a avisar a NATO e Kiev.
Medvedev divulgou as regras do jogo russo: não vale a pena a contraofensiva ter sucesso, correr bem, expulsar os russos, porque a Ucrânia desaparecerá. Esta proclamação, esta banalização do arsenal nuclear, que se distribui pela Rússia e Bielorrússia, é o sinal evidente de que as forças ucranianas estão a avançar com mais força, temeridade e eficácia.
O comando militar russo conhece a situação do seu Exército no Leste e Sul da Ucrânia, sabe que são cada vez mais escassas e perigosas as linhas de comunicação e de logística, bem como a fragilidade dos seus arsenais no território invadido. O avanço da Ucrânia tem estado muito ligado à destruição e ataques em profundidade, e na retaguarda russa, com os seus mísseis, drones e artilharia.
Já não há um lugar seguro para os russos no Donbass, e muito menos no seu próprio país, incluindo a capital. Tal como disse Zelensky, a guerra está a entrar na Rússia, e esse cenário nunca ninguém traçou ou sonhou. No limite, em desespero absoluto, na iminência da derrota, que acontecerá, Putin usará as armas nucleares. Quem tira estes loucos do Kremlin?
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