Instintivamente, tentamos fugir do desconforto através da procura de estímulos prazerosos. Entra então em ação o nosso sistema de recompensa, sempre pronto a motivar-nos para comportamentos que, mesmo que por breves instantes, nos façam sentir melhor ou, pelo menos, não tão mal. Procuramos conforto na comida, nas redes sociais, nas séries, no trabalho, nas viagens, no consumo de substâncias intoxicantes ou estimulantes, nas relações ou em qualquer forma de entretenimento.
A verdade é que esta busca constante e bem-sucedida por prazer, longe de restaurar o nosso equilíbrio, está a desregular-nos. O nosso sistema de recompensa, concebido para lidar com estímulos esporádicos, não está preparado para a estimulação contínua a que hoje é submetido. Saturado, este sistema começa a falhar. E, quando isso acontece, mergulhamos cada vez mais num ciclo de prazer instantâneo e descartável que nos deixa, paradoxalmente, cada vez mais insatisfeitos e desconfortáveis.
