Portugal não se divide apenas em dois: o do Governo e da maioria absoluta, e o de toda a oposição parlamentar. Há um terceiro, o mais importante de todos, que não esteve sentado na Assembleia, e que raramente passa por lá: o dos cidadãos portugueses. De todas as idades, cores, matizes, faixas sociais e credo religioso. Este Portugal tem outro Parlamento.
Não se sente melhor do que há uns anos (o grande slogan de Ronald Reagan), está mais instável, tomou consciência da fragilidade do Estado e dos Governos nas crises mundiais e europeias, e perdeu de vista todos os planos que tinha para o futuro, em particular as suas gerações mais novas e extraordinariamente qualificadas.
O Portugal do estado da Nação é outra conversa, que só baralha o verdadeiro. O Governo e a maioria vivem numa irrealidade, estão distanciados dos problemas alheios, mas acreditam, convictamente, que estão a dar tudo, e a fazer bem e no tempo certo. É o positivismo de Kant, e este Governo adora filosofia. É o seu filme.
O resto do Parlamento está noutra. Só podia, na verdade. Sem eleições à porta, vive em minoria, e aparentemente mostra-se incapaz de dialogar com o terceiro Estado, e atrair as suas bem-aventuranças. Há sobressaltos episódicos, mas que rapidamente perdem o ímpeto. Têm pela frente uma contraofensiva muito lenta, com extensas zonas de minas, e intensamente desgastante. E tudo isto para não introduzir mais uma incógnita na equação nacional: o Reino do Pineal. Um delírio nunca vem só.
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