A responsabilização é uma palavra extremamente dinâmica e muito mais do que uma simples promessa de desempenho. Embora o conceito esteja enraizado nas responsabilidades, o termo também implica uma ação contínua e um sistema saudável de controlo e equilíbrio. Na sua essência, a responsabilização tem a ver com aparecer, reivindicar a ação de uma tarefa e, em seguida, realizar aquilo a que nos comprometemos. E todos nas organizações devem fazer o mesmo – porque o compromisso não é um ato isolado. O compromisso é a energia cinética que alimenta todas as organizações de sucesso.
A própria responsabilidade do gestor de uma empresa é um dado adquirido; como líder de uma empresa, a sua responsabilização e compromisso é uma obrigação. Mas há também enormes benefícios na criação de uma cultura similar a toda a organização.
Acredito que a maioria dos colaboradores quer fazer um bom trabalho e esforça-se por ser responsável. Quando não conseguem, a causa do problema é geralmente uma falha na comunicação. Talvez o líder nunca tenha sido claro quanto às expectativas. A falta de transparência pode prejudicar os resultados. E é frequente a definição de sucesso do colaborador ser diferente da do seu líder direto.
Promover uma cultura de responsabilização e compromisso entre a equipa é fundamental para o sucesso de qualquer empresa e a fórmula começa com o respeito pelos elementos da equipa, pelos seus pontos fortes e pelos seus objetivos comuns e individuais. Ao proporcionarmos aos colaboradores oportunidades de autogestão e responsabilidade, cria-se um melhor alinhamento num ambiente em que se sentem valorizados e os seus talentos estimulados. E é assim que se prepara no terreno uma cultura de responsabilização e compromisso de uma empresa.
Os colaboradores anseiam por autonomia
Os colaboradores mais autónomos têm a capacidade de fazer valer o seu próprio discernimento e de assumir a responsabilidade pelas suas decisões. A adoção de uma cultura de autorresponsabilidade em toda a empresa promove um maior sentido de empenho dos colaboradores, apoia a inovação e demonstra a sua confiança nas capacidades e no
profissionalismo da sua equipa. Ao dar aos colaboradores mais flexibilidade e responsabilidade nas suas próprias abordagens e resultados, tornam-se mais ponderados nas suas ações e processos de tomada de decisão.
A responsabilidade e a autonomia podem, por vezes, parecer conceitos contraditórios. Conseguir o equilíbrio certo pode ser um desafio, mas vale bem a pena o esforço. Tudo começa com comunicação e clareza. Quando o empresário ou a sua equipa de gestão atribuem uma tarefa a um colaborar, é preciso certificarem-se de que a pessoa sabe claramente o que tem de ser feito e quais os resultados esperados. Aconselho a pedir, por exemplo, reconfirmação das tarefas e ações pedidas para validar se a mensagem percecionada foi a correta. Não se esqueça também de informar de que está disponível se ele tiver dúvidas sobre a tarefa, e estar mesmo! Depois, deixe que executem, verificando periodicamente o progresso ao longo do processo, e dando feedback pró-ativo: antes do erro ocorrer!
Os colaboradores querem ter (algum) domínio
A mestria é o processo de aperfeiçoar as competências de uma pessoa até um nível aprimorado. Quando se proporcionam oportunidades de desenvolvimento aos colaboradores, estes tornam-se mais empenhados, produtivos e realizados no seu trabalho. A mestria aumenta o seu sentido de realização, posiciona-os para uma trajetória de carreira mais gratificante e semeia a empresa com pessoas cada vez mais capazes. Falo muito de “win-win” no mundo dos negócios. Criar oportunidades para os colaboradores dominarem as suas competências, aumentando simultaneamente a vantagem competitiva da sua empresa, é certamente uma delas.
Considere a possibilidade de investir em programas de desenvolvimento pessoal, de orientação e de formação de líderes da sua empresa. O ROI das iniciativas de aprendizagem tende a ser elevado do ponto de vista financeiro e cultural. E embora o aumento da responsabilização seja difícil de acompanhar com números reais, é sem dúvida afetado positivamente pela mestria dos colaboradores.
Os colaboradores desejam ter objetivos
Agora, mais do que nunca, os colaboradores anseiam por um sentido de objetivo que sirva como algo maior do que eles próprios nas suas vidas profissionais e pessoais. Os Millennials e a Geração Z são particularmente motivados para fazer a diferença no mundo que os rodeia, tanto a nível micro como macro. Ao incutir um profundo sentido de objetivo na visão e missão da sua empresa, estará a atrair e a reter melhores pessoas que estão alinhadas com preocupações e causas semelhantes.
Quando os colaboradores se sentem capacitados e com impacto na sua capacidade de apoiar aquilo que lhes interessa, são mais empenhados, intencionais e responsáveis. Um objetivo mais ambicioso inspira a responsabilidade de alcançar resultados acima e além.
Os colaboradores motivados por objetivos também tendem a ser mais ágeis a enfrentar desafios. Acreditam na sua própria capacidade de ultrapassar as adversidades para atingir um objetivo
desejado, pelo que assumem de bom grado mais responsabilidades e obrigações para que as coisas aconteçam. O objetivo é um poderoso motivador a muitos níveis.
E quando os colaboradores não assumem responsabilidades nem se comprometem?
E se tiver feito um esforço para criar uma cultura de autonomia, domínio e objetivos dos trabalhadores na sua empresa, mas estes continuarem a ficar para trás quando falamos em responsabilidades ou não corresponderem regularmente às expectativas?
Em vez de recorrer à crítica, a minha sugestão é adotar uma abordagem de coaching. Perguntar como é que o colaborador sentiu que correu um projeto que teve falhas. O que funcionou bem e o que correu mal. Pedir para analisar os processos e procedimentos e partilhar essas opiniões. Isto vai dar-lhe uma visão que poderá não ter considerado, compreendendo melhor a perspetiva do colaborador.
Ao utilizar a abordagem de coaching, é frequente verificar que o colaborador admite a sua própria culpabilidade ou o seu fraco desempenho no projeto e apresenta sugestões de autocorreção. O que, se pensarmos bem, é realmente a definição de responsabilidade, não é?