Portugal despediu-se na segunda-feira, 6, do Campeonato do Mundo de futebol com uma derrota pela margem mínima contra a Espanha, num jogo que acaba por ditar o fim de um ciclo de mais de duas décadas de Cristiano Ronaldo como figura de proa do futebol mundial. O jogo até podia ter tido um final totalmente diferente, uma vez que a Seleção Nacional foi capaz, quase até aos instantes finais, de controlar as operações e impedir a Espanha de fazer o jogo que mais gosta. Durante quase toda a hora e meia de desafio, Portugal conseguiu impedir que o adversário conseguisse, como gosta, trocar a bola no meio-campo contrário. Ainda assim, raramente foi capaz de se chegar com muito perigo à área adversária. À exceção de um remate portentoso de Nuno Mendes à barra, aos 41 minutos, nunca Portugal conseguiu incomodar seriamente o guarda-redes Unai Simon, que acabou por ter uma noite tranquila. Com o andar do jogo, a equipa portuguesa começou a acusar a fadiga, permitindo que Espanha fosse crescendo no jogo e, quando já todos pensavam no prolongamento, acabasse por fazer o golo da vitória, aos 91 minutos de jogo, num lance de desatenção da defesa e no qual Diogo Costa nada podia fazer, ao contrário do que fizera na primeira parte, quando evitou, por duas vezes, o golo espanhol. Depois, apesar de uma tentativa final de Bernardo Silva, já nada havia a fazer. Estava confirmado o adeus de Portugal ao Mundial 2026, de Cristiano Ronaldo aos Mundiais e, muito provavelmente, de Roberto Martinez a Portugal.
As escolhas do selecionador para o onze inicial voltaram a não ser revolucionárias. Desta vez, o “lugar livre” (aquela posição que o selecionador parece deixar livre entre os dez titulares absolutos) coube a João Félix, para desgosto de Rafael Leão. No resto, a equipa de Portugal manteve-se praticamente igual às que iniciaram os quatro primeiros jogos neste Mundial. Diogo Costa inamovível entre os postes, a dupla de centrais formada por Rúben Dias e Renato Veiga e as faixas laterais da defesa entregues a Nuno Mendes e João Cancelo. No centro de terreno, Vitinha e João Neves tentavam, mais uma vez, replicar nos EUA a mesma magia que apresentaram nas últimas duas épocas ao serviço do Paris Saint-Germain. À frente deles, Bruno Fernandes tentava, uma vez mais, explicar a razão de ter sido eleito o melhor jogador da última época na Premier League, contando com o apoio de Félix a entrar pela esquerda e Pedro Neto pela direita. Na frente, claro, Cristiano Ronaldo manteve o seu lugar de titular absoluto, ou não fosse ele um jogador que, como fez questão de frisar na conferência de imprensa, “decide quando é que deixa de jogar”. Disse-o em relação a participar em mundiais, mas percebemos todos que a mesma postura se aplica quando questão é saber quem joga a titular na equipa de Portugal. Ou melhor, quando questão era saber quem joga a titular, uma vez que, depois do jogo desta noite, Cristiano Ronaldo deve ter dado por terminada a sua longa e inesquecível passagem pela Seleção Nacional. Honrando um legado único e inigualável, o melhor jogador português de todos os tempos e um dos melhores do mundo de sempre, pode orgulhar-se do trajeto que fez com as cores do país e da projeção que ajudou a construir para o futebol português em todo o mundo. Agora, espera-se, está na hora de dar lugar a outros.
Outros que, por sinal, podiam ter dado alguma ajuda no jogo contra a Espanha. Jogadores como Gonçalo Ramos, Franciso Trincão ou Gonçalo Guedes terão, por exemplo, alguma dificuldade em perceber o que foram fazer um mês aos Estados Unidos. O mesmo poderão dizer Gonçalo Inácio, Samu Costa ou Matheus Nunes. Todos jogadores que pouco ou nada jogaram nos cinco jogos deste mundial. Roberto Martinez lá saberá porquê, mas não deverá ter oportunidade para lhes voltar a dar tempo de jogo. Simplesmente porque, depois deste fracasso, dificilmente continuará à frente da Seleção Nacional.