Editorial
Uma questão de intensidade
É esta uma das imagens de marca deste verão: analisar as alegadas irregularidades de Luís Neves com a mesma lupa com que se costuma discutir se a intensidade de um empurrão dentro da área deve ser punida com penálti
Que País queremos? Editorial de Rui Tavares Guedes
Implantar quilómetros de painéis solares em zonas agrícolas ou abrir minas a céu aberto no meio de comunidades que deviam ser protegidas exige uma discussão que vá para lá da burocracia habitual que costuma estar associada aos processos de consulta pública
Acelerar de olhos fechados… contra o muro
Face ao desvario digital e ao crescente descontrolo das máquinas, o mundo está mesmo a precisar de mais prudência e de bom senso
Negativa a credibilidade
Luís Neves deixou a sua credibilidade pessoal ser posta em causa. Mas Fernando Alexandre permitiu um golpe profundo na credibilidade do Estado. O primeiro caso resolve-se com a mudança de ministro. O segundo, mesmo com demissão ou não, vai deixar marcas profundas na confiança dos cidadãos nas instituições
A sobrevivência também se aprende
Ninguém sabe quando será a próxima catástrofe, mas sabemos que a probabilidade de ela ocorrer está a aumentar. É preciso, por isso, transformar a proteção civil numa disciplina viva e comunitária
Ganhar o mundo sem ter de vencer o Mundial
Cabo Verde, com o seu espírito solidário e coletivo, ganhou o respeito global, mesmo perdendo com o campeão do mundo. Já Trump, com a sua ânsia de controlar o Mundial, perdeu o pouco respeito que ainda lhe restava no resto do mundo
As leis da atração
Mais do que procurar fechar fronteiras, é preciso saber como as abrir. Em vez de expulsar pessoas, precisamos de saber como as atrair
A irresponsabilidade paga-se caro
Há dez anos, agora completados, o referendo que aprovou o Brexit foi o sinal perfeito do que acontece a um país quando se deixa iludir pelo canto dos populistas, quando passa a acreditar que pode ser mais forte se fechar as suas fronteiras e se se libertar dos “ditames” de Bruxelas
Para que queremos a realidade se a simulação rende mais?
Quem ganha não é obrigatoriamente quem obtém os melhores resultados, mas aqueles que conseguem desenvolver uma narrativa ilusória, que promete muitos lucros no futuro
O golo é uma arma contra o populismo?
Os populistas isolacionistas sabem jogar com as palavras, mas na verdade não percebem nada do jogo que importa: o do desenvolvimento e do progresso, com oportunidades para todos
O verão mais perigoso de sempre?
A perspetiva de um verão perigoso, depois de um inverno terrível, devia ser o impulso para nos prepararmos, a sério, para o desafio das alterações climáticas
Queremos continuar a ser humanos na era da IA?
Na discussão do pacote laboral, há uma frase de Leão XIV que deveria ser levada à mesa da concertação: “É necessário conceber sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho”
Os duros não dançam, mas levam baile
Carlos III e Xi demonstraram como se deve falar com Trump e a atual Administração dos EUA: ditaram as regras, selecionaram as palavras que mais pesam e ignoraram qualquer pose intimidatória do oponente. Ou seja, dançaram a música que escolheram para ser posta a tocar
Esperança efémera
Um pouco por todo o mundo, os políticos deparam-se com o mesmo problema: a incapacidade de dar resposta, rápida e eficaz, aos principais desafios que as sociedades enfrentam
Irremediavelmente atrasados
O excesso de burocracia não pode ser justificação para que se atrase a limpeza das matas, antes de mais um verão em que, com toda a probabilidade, vamos ser assolados por novas ondas de calor
Duas perplexidades e um (quase) funeral
Como é que o mau funcionamento da Justiça, em especial nos processos mais emblemáticos, continua a ser recebido com um encolher de ombros pelos decisores políticos?
A urgência da memória
A batalha pela preservação da memória do 25 de Abril não é um sintoma de saudosismo, mas sim um plano para salvaguardar o futuro
Trump tornou-se um ativo tóxico
Enfrentar Trump, no plano político, passou a ser uma medalha de bons serviços. Aceitar ser seu súbdito significa perder duas vezes: primeiro, a honra e, depois, os eleitores
Atacar, confundir e perder
Já se percebeu que Trump não tem um plano para o pós-guerra. É bom que a Europa prepare o seu
É proibido esquecer o esquecimento
Num mundo em que os algoritmos cavam e lucram com as divisões, em que se volta a instituir, no plano internacional, a lei do mais forte, e em que crescem os sentimentos de rejeição em relação aos “outros” – sejam eles quais forem –, é mais do que nunca necessário voltarmos a ligar-nos ao território em que habitamos, aos lugares que formaram as nossas memórias
Donald Trump faltou às aulas de História
O problema não é Trump decidir por instinto, com base na ignorância e sem uma avaliação correta dos riscos. O que preocupa mesmo é o muro de silêncio que ele conseguiu erguer à sua volta