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Mal ouviram as primeiras notícias na rádio sobre a gratuitidade dos transportes, muitos portuenses saíram de casa com o Cartão Porto na mão para garantir a ativação do passe gratuito. Em várias lojas Andante e estabelecimentos da rede Payshop registaram-se filas de utentes ao longo da tarde, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter anunciado a medida logo de manhã.
Na loja Andante da Boavista, Ana Moreira, de 78 anos, residente no Porto, foi uma das primeiras pessoas a chegar.
“Assim que ouvi a notícia, saí logo de casa com o meu Cartão Porto para o carregar. Nunca tive passe porque faço a minha vida a pé aqui na zona e pagar 15 euros por mês era muito dinheiro para mim. Tenho muitas despesas com saúde e a reforma não chega para tudo”, contou. Com o passe gratuito, Ana diz que a sua rotina vai mudar. “Agora posso ir até à Foz ou à Baixa passear mais vezes. Foi uma excelente medida.”
Também Pedro Carvalho e Sónia Sílvia fizeram questão de ativar o passe logo nas primeiras horas após o anúncio, antes do aumento da afluência às lojas.
“Utilizamos o Metro para ir trabalhar e esta medida representa uma poupança importante. São cerca de 30 euros por mês que passam a ficar disponíveis para outras despesas, como a conta da água”, afirmaram.
A elevada procura fez-se sentir igualmente na Papelaria Serpa Pinto, aderente da rede Payshop. Manuela Nuno e Cármen Gomes, responsáveis pelo estabelecimento, disseram que durante a hora de almoço “não tiveram mãos a medir” para atender todos os clientes que procuravam carregar o Cartão Porto.
A gratuitidade dos transportes públicos para os moradores do Porto entrou oficialmente em vigor esta sexta-feira, cumprindo uma promessa eleitoral do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte.
A medida abrange toda a rede de transportes da Área Metropolitana do Porto, incluindo o Metro do Porto, a STCP, a UNIR e a CP, permitindo viagens sem custos em toda a região metropolitana.
Para beneficiar da medida é obrigatório possuir o Cartão Porto e proceder, nesta fase, à ativação presencial numa loja Andante ou num agente Payshop, uma vez que o cartão necessita de ser validado numa máquina. Apenas os jovens abrangidos pelo passe sub-23, que já era gratuito, não necessitam de qualquer procedimento adicional.
Segundo Pedro Duarte, a medida representa um investimento anual entre 20 e 25 milhões de euros por parte do município e pretende incentivar uma mudança de hábitos de mobilidade, promovendo a utilização dos transportes públicos em detrimento do automóvel particular.
O autarca reconhece que a gratuitidade não resolverá de imediato os problemas de trânsito na cidade, mas acredita que será um passo decisivo para transformar a mobilidade no Porto. Como complemento, a Câmara Municipal prevê criar mais seis quilómetros de faixas BUS até ao final do ano, reforçando as condições para uma maior utilização do transporte coletivo.