Abrem-se 44 camas de cuidados continuados, fecham-se 54 camas diferenciadas para doentes agudos. O Ministro da Saúde anuncia a obra e técnicos, enfermeiros e médicos do Hospital Pulido Valente, em Lisboa, convocam marcha cívica, em silêncio, contra a decisão. Também “pela melhoria das condições de internamento hospitalar e pelo Serviço Nacional de Saúde”, diz Filipe Froes, médico daquela unidade e um dos mobilizadores do protesto, que acontecerá das 15 e 50 às 16 e 30, pela Alameda Central do hospital.
Os argumentos apresentados não se ficam pela diferença numérica, reforça o pneumologista. “A instalação desta Unidade de Cuidados Continuados no Hospital Pulido Valente representa o encerramento de duas enfermarias do Serviço de Medicina Interna, com um total de 54 camas de internamento de doentes agudos. Quando há, e sempre houve, défice de camas de internamento e necessidade de internar doentes em macas e por vezes abrir contentores”, continua o médico.
Assumindo que reconhecem a necessidade de aumentar a oferta em cuidados continuados (convalescença, recuperação e reintegração de doentes crónicos e pessoas em situação de dependência), os promotores do protesto sugerem ao Governo que se procurem outros locais, com vista a aumentar a oferta deste tipo de serviços, também deficitários no nosso País.
As 54 camas que serão encerradas caso a reconversão avance representam mil doentes por ano, que vão perder, desta forma, uma cama de internamento. “Portugal tem uma média de camas para doentes agudos inferior à média europeia. Ninguém merece ser internado numa maca.”