Destituído do poder na sequência da ofensiva rebelde que, às primeiras horas deste domingo, 8, capturou a capital Damasco, Bashar al-Assad deixou a Síria rumo a Moscovo, que lhe concedeu asilo “por razões humanitárias”.
A notícia foi avançada há instantes pelas agências estatais russas TASS e Ria Novosti. Segundo a primeira, uma fonte do Kremlin confirmou a decisão de conceder asilo a al-Assad e à sua família, que já se encontram na capital da Rússia.
A par do Irão, a Rússia de Vladimir Putin foi sempre um dos maiores aliados do ditador sírio, desempenhando um papel fundamental para suster os intentos dos rebeldes, ao longo dos 13 anos de guerra civil, que passavam por derrubar o regime Assad. Com a invasão da Ucrânia, o apoio militar russo ao seu principal aliado no Médio Oriente perdeu força, mas, pelo menos para já, é a Moscovo que o presidente deposto recorre para os primeiros tempos de exílio.
Ainda de acordo com a fonte governamental citada pela TASS, a Rússia defende uma solução política para o futuro próximo da Síria mediada pelas Nações Unidas, que apelou à “calma” neste momento de transição, numa nota assinada pelo secretário-geral António Guterres.
“Depois de 14 anos de guerra brutal e da queda do regime ditatorial, o povo da Síria pode hoje aproveitar uma oportunidade histórica para construir um futuro estável e pacífico”, escreveu o líder da ONU, sublinhando que “a soberania, a unidade, a independência e a integridade territorial da Síria devem ser restauradas” sem recurso à violência e no respeito de todos os sírios e do pessoal diplomático.
O resposável português garantiu ainda o empenho das Nações Unidas no objetivo de “construir um país onde a reconciliação, a justiça, a liberdade e a prosperidade sejam realidades partilhadas por todos”, que de resto estava salvaguardada, desde 2015, na resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU.