Bashar al-Assad abandonou a Síria, deixando os comandos do país às forças rebeldes, ao fim de 50 anos de uma ditadura iniciada pelas mãos do seu pai, Hafez al-Assad. Às primeiras horas da manhã deste domingo, 8, os rebeldes anunciaram a captura de Damasco, sem grande resistência das forças militares leais a Bashar al-Assad, que terá voado para o estrangeiro a partir do aeroporto da capital síria.
Após 13 anos de guerra civil, uma ofensiva relâmpago dos grupos opositores do regime, liderados pelo HTS (Hayat Tahrir al-Sham), também designado por Organização para a Libertação do Levante, supreendeu o regime, os seus principais aliados, Irão e Rússia, e tomou o poder em poucos dias, depois de ganhar o controlo de várias cidades importantes, como Alepo.
Em 2016, os dois aliados tinham ajudado al-Assad a recapturar esta cidade, cuja zona oriental estava na posse dos rebeldes desde 2012, à custa de uma destruição brutal e já depois de terem sido decisivos na recuperação de outras regiões do país.
Nas redes sociais, Donald Trump foi dos primeiros a anunciar, na manhã deste domingo, que Bashar al-Assad “fugiu do país”, uma vez que “o seu protetor, a Rússia, liderada por Vladimir Putin, já não o queria proteger”. Segundo o presidente eleito dos Estados Unidos da América, que tomará posse para um segundo mandato a 20 de janeiro, a Rússia “perdeu todo o interesse na Síria por causa da Ucrânia” e dos “600 mil soldados feridos ou mortos” acumulados “numa guerra que nunca deveria ter começado e que pode durar para sempre”, apesar de ele insistir na necessidade de a terminar o quanto antes, defendendo um cessar-fogo imediato e o início das negociações de paz.
O primeiro-ministro sírio em funções já veio garantir uma transição pacífica no poder, e os rebeldes, extremistas islâmicos, prometeram não ocupar para já as instituições governamentais, embora tenham apelado a que as forças militares não se aproximem das mesmas. Na televisão nacional, sugeriram também o regresso de todos os exilados a “uma Síria livre”, mas o futuro próximo na região ainda é muito incerto, até porque há várias fações e interesses entre os grupos islâmicos que derrubaram o regime.