Vivemos tempos em que os dealers de droga são mais honestos que os influenciadores que promovem casas de apostas e, obviamente, que estas próprias casas. “Ó Faro, como é que sabes? Conheces muitos dealers, é?”. Sabemos todos, escusam de estar a insinuar coisas. E sabemos todos que os dealers não andam para aí a dizer que fumar crack vai ser excelente para a nossa vida, que além de divertido é a forma mais fácil de tudo ficar melhor e mais bonito. É que até os dealers de droga têm mínimos.
No Brasil, o Lula proibiu temporariamente as apostas, e estas empresas e todos os influenciadores que as promoviam estão num pranto histérico, quase histórico. Não sei se estão a par, mas o Lula não fez isto porque perdeu dinheiro a apostar num Flamengo – Fluminense, e por vingança, irritado, usou dos seus poderes. O Lula fez isto porque as apostas são um negócio absolutamente destruidor para as famílias, para crianças e jovens, e até para um monte de empresas, visto que devastam o mercado todo à sua volta. Mas têm-no assim feito, enquanto se promovem como um arco-íris que só traz cor e alegria para o mundo todo. Lá está, nem um dealer de crack teria coragem para tamanha desonestidade.
É que enquanto os influenciadores enriquecem a incentivar toda a gente a entregar o seu dinheiro para as apostas, não páram de aumentar os milhões de famílias endividadas com o jogo, os casos de suicídio, o número de pessoas – incluindo tantos jovens e crianças – completamente viciados. Isto tudo, por causa de um negócio que não produz absolutamente nada de jeito para a sociedade e é puramente extrativista.
Por isto tudo é que é tão caricato ver agora o pranto dos influenciadores que faziam publicidade às apostas. Há dados sobre a destruição que este negócio está a causar em tantos países, e eles estão a fazer vídeos do tipo “meu deus, como é que me estão a proibir de ficar rico com o sofrimento dos outros, se cada um devia ser livre para ficar viciado, inclusive as crianças?”. Risível.
As bets são os Dementors que estão a sugar a alma de tudo, que se alimentam do desespero das pessoas, mas que ao contrário da sua versão original em Harry Potter, onde aparentam o que são, aqui mascaram-se de purpurinas e felicidade.
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