O Porto vai receber 32 projetos empresariais, 16 dos quais com capital estrangeiro, que criarão, no total, 2500 novos postos de trabalho. Este é o resultado dos primeiros passos dados pela InvestPorto, entidade criada no final do ano passado para atrair investimento, sobretudo estrangeiro, e que funciona diretamente sob a alçada do presidente da Câmara, Rui Moreira.
Já no próximo dia 26 de novembro, será apresentado um “investimento americano na área dos serviços especializados, que empregará 500 pessoas”, como adiantou à VISÃO Ana Lehmann, líder da InvestPorto. “Haverá ainda um outro projeto, ligado ao desenvolvimento tecnológico, em que competimos com Barcelona, e que trará mais 50 postos de trabalho.”
Não querendo levantar ainda muito o véu sobre a identidade dos grupos que procuram a cidade para instalar projetos, Ana Lehmann foi apenas dizendo que os números acima são os que “já optaram claramente pelo Porto”, tendo fechado a decisão quanto à localização escolhida, de entre uma série de cidades em concurso. “Há investimento americano, francês, alemão, libanês, brasileiro, árabe e chinês”, adiantou, em áreas como “os serviços partilhados, turismo, imobiliário, agroalimentar, centros de investigação e desenvolvimento e TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação”.
Intensivos em conhecimento
A maior parte dos postos de trabalho a criar serão “intensivos em conhecimento”, caracteriza a responsável pela InvestPorto, assegurando que “a cidade não é competitiva em postos de trabalho que não sejam qualificados.” Algo a que não é alheio o facto de ter um dos melhores pólos universitários do país, nomeadamente na engenharia. “Há uma série de indústrias criativas escaláveis, como o software digital de media. E outra área a bombar aqui está ligada à criação de videojogos.”
José Sá Carneiro, economista, considerou que o Porto está “a recuperar da saída das sedes dos centros financeiros da cidade” e a “ocupar um novo lugar na economia do país, com o aparecimento de um outro tecido económico ligado ao conhecimento, TIC, ciências da vida e turismo.”
Procura superior à oferta
“A procura tem sido superior à oferta”, disse ainda o presidente da Câmara, Rui Moreira, durante a Semana da Reabilitação Urbana a decorrer esta semana. Neste âmbito, foi apresentado a Porto Business Location Plataform, um site digital criado pela InvestPorto, em que estão catalogados, caracterizados e georeferenciados 378 localizações disponíveis para investimentos de grande dimensão na cidade.
“Quando alguém nos aborda para a pedir 4 mil metros quadrados de open space, temos uma capacidade de resposta quase imediata para indicar três ou quatro lugares. Tem havido situações de pressão, em que não esperam pela resposta para o dia seguinte. Assim, até agora não perdemos nenhum investimento”, explicou Ana Lehmann. “Estamos a ter um conjunto de pedidos consideráveis e para alguns milhares de metros quadrados”, que começam a faltar na cidade.
Este está a ser uma forma de dar vida nova a uma série de espaços industriais desactivados, como é o caso do Matadouro de Campanhã, a ser reabilitado com espaços de coworking e indústrias criativas.
O interesse demonstrado pelos investidores empresariais está também a revitalizar o mercado imobiliário na cidade. Tem aumentado a procura de projectos residenciais, destinados ao mercado de arrendamento, e comerciais, para o comércio de rua. E os espaços de coworking substituirão cada vez mais os escritórios de antigamente.