Ivo M. Ferreira tinha uma ideia antiga. Projecto Global é o resultado, entre outras coisas, de experiências marcantes vividas na infância.
Este não é um filme que surja do nada. Quando é que sentiste, pela primeira vez, que querias fazer um filme sobre as FP-25? Foi uma inquietação antiga ou uma necessidade mais recente?
A ideia é muito antiga. Vem praticamente do momento em que comecei a pensar que queria fazer cinema. Está ligada à minha infância, ao ambiente em que cresci. Os meus pais estavam ligados ao teatro − à Comuna e ao Bando − e aquilo era muito mais do que um espaço artístico: era um verdadeiro polo cultural. Havia concertos, debates, encontros… e também uma certa tensão política no ar. Lembro-me, por exemplo, de assistir em miúdo à prisão de uma pessoa no âmbito da Operação Orion, que desmantelou as FP-25. Esse tipo de episódios marcou-me. Havia sempre um lado quase policial, um cheiro a clandestinidade, a perigo. E isso ficou. Foi ficando. E acabou por regressar agora, de forma mais consciente.
