Culturando na Lusofonia
Saramago fora das aprendizagens essenciais. Não conheço os argumentos (ditos técnicos), mas estou contra!
De facto, é verdade, quer a afirmação que diz que Saramago "é obviamente um escritor de referência", tal como também não é menos verdade que, "felizmente Portugal tem muitos". Com uma verdade, dita da forma certa, mentimos com o que julgamos esconder
A inevitabilidade de uma teologia do Corpo (a inquietação d’'o lugar da incerteza' de Patrícia Reis)
Todo este o lugar da incerteza é um acumular de situação, centrais na definição de personagens, em que o corpo se impõe, entre no dia a dia, e diz estou aqui! Seja um cancro avançado, mostrando a iminência da morte, seja uma gravidez, ou seja o mais comum e normal desejo sexual, o corpo que pede outro corpo
Hanuka. Do ódio ao amor, numa celebração do direito a ser
Em síntese, recebendo a luz que esta festa simboliza, falou-se de vida e de amor. Falou-se da liberdade e do respeito por todos os que desejam praticar publicamente a sua fé. Foi uma noite magnífica que a todos encheu de inspiração para nos focarmos no essencial e deixar o ódio no seu lugar
Lugares esconsos da memória. As "2000 Crianças Judias Raptadas" em 1493
A par do chamado “massacre de 1506”, que teve lugar em Lisboa, na Páscoa de 1506, em que poderão ter morrido cerca de 4000 lisboetas, supostamente cripto-judeus, o roubo de cerca de 2000 crianças judias em 1493, tiradas à força aos seus pais, e enviadas em condições desumanas para São Tomé, onde morreram quase todas, é um dos eventos negros da nossa história que nunca ganhou lugar nos manuais escolares – pudera! Como é que a gloriosa gesta dos Descobrimentos poderia ser manchada?
Goya Lopes, e a tessitura das identidades
Goya Lopes, artista baiana consagrada na área do têxtil, é o rosto mais sólido do trabalho lento que procura cerzir a investigação com a criatividade, dando material contemporâneo a quem queira beber no leite materno da cultura africana que construiu o Brasil
“A Cabeça de Santo” de Socorro Acioli
Este livro é isso mesmo: um texto que nos deixa despertos e incapazes de parar de ler. Numa prosa apelativa e elegante, com um enredo muito bem desenhado, Socorro Acioli leva-nos aos confins de uma religiosidade e de um misticismo popular que retrata de forma esplendorosa a forma de crer e de desejar milagres de muito da nossa sociedade
Festas de Loucos e Carnavais, recuperando um poema de Maquiavel
É que, tal como o Carnaval, toda e qualquer atividade humana não se esgota numa das vertentes com que catalogámos a nossa vida nos dois últimos séculos. Não há social sem religioso, não há ideias sem cultura, tal como não há mentalidades sem política e normas que nos organizem
A sede da perda, ou o “Co[r]po Vazio” de Natália Timerman
O copo vazio é a perfeita síntese deste livro de Natália Timerman, a história de uma perda, do fim de uma relação amorosa, que deixa esse vazio imenso que é um copo sem nada. Mas é uma perda, e esse é o drama da narrativa, que vai além da perda em si
"António Gedeão. Príncipe Perfeito", de Cristina Carvalho. Ensaios biográficos com “registo de interesse”
Nos mais pequenos detalhes do quotidiano, Cristina Carvalho procura encontrar os traços do génio, aquilo que o suportava, com rigor e exigência, num constante ritmo de trabalho
Pompeu Martins, e a voragem de se ser
Pompeu Martins, neste seu livro A Utopia do Não Ser, presenteia cada um dos seus leitores com um arrojado exercício do confronto interior com o tempo, com a criança e com a materialidade do tempo dentro de nós, com os limites do nosso ser, e com a busca do que, afinal, somos
Emma Lazarus, a “velha” Era Dourada
Emma Lazarus, em finais do século XIX, numa época em que os EUA se debatiam também com imensas levas de refugiados e de migrantes, escrevia um texto que algum tempo depois foi escolhido para estar inscrito na base da Estátua da Liberdade
A urgência da Fraternidade
No imaginário de muitos intelectuais, políticos e humanistas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é vista como fortemente inspirada pelos princípios iluministas e humanistas.
A Cegueira a que nos convoca Mia Couto
Mia Couto coloca-nos perante a ironia de a abissal fratura entre uma civilização da escrita, com o que isso tem de controle, e uma outra do oral, com o que isso tem de ancestralidade e, em certa medida, de liberdade, terminar com uma situação em que ficam analfabetos os europeus cultos e poderosos, e dominam a escrita os africanos
Publicações Islâmicas em Portugal
A atividade editorial dos muçulmanos tem, por um lado, funcionado como pedagogia, criando um lugar de diálogo entre muçulmanos e não-muçulmanos e abrindo espaço para o Islão numa sociedade que só recentemente começou a conviver com a diversidade religiosa
O outono e a primavera dos jacarandás. Uma metáfora da Lusofonia
Tal como o jacarandá que floresce também no outono, dizendo-nos que a vários milhares de quilómetros é primavera, também a nós é merecida essa vontade de fazer mais, de fazer sempre primavera
Mãe + Língua "língua-mãe"
O universo das coincidências faz-nos pensar. Este ano, calham no mesmo dia o tradicional Dia da Mãe e o mais recente Dia Mundial da Língua Portuguesa
Os “Becos da Memória” que nos traz Conceição Evaristo
Ler o Becos da Memória é um exercício que implica humildade e ser capaz de reconhecer que o coletivo se construiu em cima de muita desgraça, de muita dor. Uma dor de humanos que apenas queriam ser humanos como nós
O 25 de Abril, hoje: Património ou desafio?
(Texto de introdução ao “Nómadas do Pensamento” de 16 de abril de 2024, com Rui Tavares e D. Américo Aguiar)
As “Pobres Criaturas” e o desejo de imagem de Lisboa
Interessante imaginar que é esta a Lisboa que circula um pouco por todo o mundo, resultado de muitos turistas, de muitos Erasmus, de muita diversão. Pena se for apenas isso
Educação em Transformação: salvação ou engano? A vertigem dos desafios que se colocam ao Ensino Superior no Brasil
A capacidade crítica, a vida de mundo, o conhecer a realidade fora do pequeno mundinho de cada um, é a principal formação a adquiri numa instituição de ensino superior. A Universidade serve para isso: para dar capacidades, não técnicas, mas de vivência, de saberes cognitivos e relacionais