Culturando na Lusofonia
Identidades: o futebol e o nós
Não se trata de um símbolo, mas de um anti-símbolo. Ele não nos liga ao que somos, mas ao que desejaríamos se
“O Sol se escurecerá, e a Lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu”. Eclipse: ecos antigos de medos apocalípticos
Ironicamente, a ciência consolidou-se, repetindo o que possivelmente Tales terá feito pela primeira vez, ao prever um eclipse, mas o temor esvaneceu-se, sem que tenham lugar quaisquer tréguas. Aliás, já nem os Jogos Olímpicos para isso servem....
Ulisses (Odisseus), a natureza do caminho
Nesta força imensa de querer remeter as origens para Grécia e Roma, várias cidades portuguesas formularam os seus gentílicos com nomes derivados da onomástica latina (escalabitanos, egitaniense, entre outros). Mas o caso mais enigmático, pelo que de inverosímil tem, é o de Lisboa com o mito de origem do nome em Ulisses
“A Alma Só Está Bem Onde Não Cabe”. Para lá dos rótulos e das supostas identidades, a liberdade de Ricardo Ribeiro
Ricardo Ribeiro, além de nos dar boa música, lembra-nos que o humano apenas é humano porque não se esgota na individualidade de cada um
A Lusofonia como “Fratrimónio”. Manuel de Almeida Damásio, Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusófona
A Lusofonia só terá campo para se afirmar se for uma visão dos povos que falam português como uma procura do desenvolvimento, uma fuga à inevitabilidade de sermos pobres e periféricos. Que a língua una, e não separe
Saramago fora das aprendizagens essenciais. Não conheço os argumentos (ditos técnicos), mas estou contra!
De facto, é verdade, quer a afirmação que diz que Saramago "é obviamente um escritor de referência", tal como também não é menos verdade que, "felizmente Portugal tem muitos". Com uma verdade, dita da forma certa, mentimos com o que julgamos esconder
A inevitabilidade de uma teologia do Corpo (a inquietação d’'o lugar da incerteza' de Patrícia Reis)
Todo este o lugar da incerteza é um acumular de situação, centrais na definição de personagens, em que o corpo se impõe, entre no dia a dia, e diz estou aqui! Seja um cancro avançado, mostrando a iminência da morte, seja uma gravidez, ou seja o mais comum e normal desejo sexual, o corpo que pede outro corpo
Hanuka. Do ódio ao amor, numa celebração do direito a ser
Em síntese, recebendo a luz que esta festa simboliza, falou-se de vida e de amor. Falou-se da liberdade e do respeito por todos os que desejam praticar publicamente a sua fé. Foi uma noite magnífica que a todos encheu de inspiração para nos focarmos no essencial e deixar o ódio no seu lugar
Lugares esconsos da memória. As "2000 Crianças Judias Raptadas" em 1493
A par do chamado “massacre de 1506”, que teve lugar em Lisboa, na Páscoa de 1506, em que poderão ter morrido cerca de 4000 lisboetas, supostamente cripto-judeus, o roubo de cerca de 2000 crianças judias em 1493, tiradas à força aos seus pais, e enviadas em condições desumanas para São Tomé, onde morreram quase todas, é um dos eventos negros da nossa história que nunca ganhou lugar nos manuais escolares – pudera! Como é que a gloriosa gesta dos Descobrimentos poderia ser manchada?
Goya Lopes, e a tessitura das identidades
Goya Lopes, artista baiana consagrada na área do têxtil, é o rosto mais sólido do trabalho lento que procura cerzir a investigação com a criatividade, dando material contemporâneo a quem queira beber no leite materno da cultura africana que construiu o Brasil
“A Cabeça de Santo” de Socorro Acioli
Este livro é isso mesmo: um texto que nos deixa despertos e incapazes de parar de ler. Numa prosa apelativa e elegante, com um enredo muito bem desenhado, Socorro Acioli leva-nos aos confins de uma religiosidade e de um misticismo popular que retrata de forma esplendorosa a forma de crer e de desejar milagres de muito da nossa sociedade
Festas de Loucos e Carnavais, recuperando um poema de Maquiavel
É que, tal como o Carnaval, toda e qualquer atividade humana não se esgota numa das vertentes com que catalogámos a nossa vida nos dois últimos séculos. Não há social sem religioso, não há ideias sem cultura, tal como não há mentalidades sem política e normas que nos organizem
A sede da perda, ou o “Co[r]po Vazio” de Natália Timerman
O copo vazio é a perfeita síntese deste livro de Natália Timerman, a história de uma perda, do fim de uma relação amorosa, que deixa esse vazio imenso que é um copo sem nada. Mas é uma perda, e esse é o drama da narrativa, que vai além da perda em si
"António Gedeão. Príncipe Perfeito", de Cristina Carvalho. Ensaios biográficos com “registo de interesse”
Nos mais pequenos detalhes do quotidiano, Cristina Carvalho procura encontrar os traços do génio, aquilo que o suportava, com rigor e exigência, num constante ritmo de trabalho
Pompeu Martins, e a voragem de se ser
Pompeu Martins, neste seu livro A Utopia do Não Ser, presenteia cada um dos seus leitores com um arrojado exercício do confronto interior com o tempo, com a criança e com a materialidade do tempo dentro de nós, com os limites do nosso ser, e com a busca do que, afinal, somos
Emma Lazarus, a “velha” Era Dourada
Emma Lazarus, em finais do século XIX, numa época em que os EUA se debatiam também com imensas levas de refugiados e de migrantes, escrevia um texto que algum tempo depois foi escolhido para estar inscrito na base da Estátua da Liberdade
A urgência da Fraternidade
No imaginário de muitos intelectuais, políticos e humanistas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é vista como fortemente inspirada pelos princípios iluministas e humanistas.
A Cegueira a que nos convoca Mia Couto
Mia Couto coloca-nos perante a ironia de a abissal fratura entre uma civilização da escrita, com o que isso tem de controle, e uma outra do oral, com o que isso tem de ancestralidade e, em certa medida, de liberdade, terminar com uma situação em que ficam analfabetos os europeus cultos e poderosos, e dominam a escrita os africanos