Nunca houve tantos turistas portugueses a visitar o Japão como nos últimos anos. Em 2025, foram quase 55 mil. A desvalorização do iene ajudou, mas o affaire é antigo. Há séculos que o País do Sol Nascente faz parte do imaginário nacional – pelo menos, desde que chegou a notícia de que três portugueses, em 1543, foram os primeiros ocidentais a pôr pé nesse arquipélago isolado. Foi um acaso – um tufão desviou um junco com destino a Macau –, mas há muitos acasos que fazem História. Acabámos por ser expulsos quando nos tornámos demasiado gananciosos e quisemos impingir-lhes um deus único, criador de todas as coisas. Mas deixámos lá as armas de fogo, a tempura (os nossos peixinhos da horta), as cartas de jogar, o vidro, o pão de ló (identificado como Castela, que então mandava por cá) e a fama de sermos selvagens (de facto, não tínhamos requintes nem maneiras).
Muito tempo depois, foram eles que chegaram cá com desenhos animados que marcaram as crianças da revolução, como eu. O Marco, a Heidi, Conan, o Rapaz do Futuro, A Navegante da Lua… Os dos anos 60 e 70 foram crescendo, e o impacto do made in Japan crescia com eles e com as gerações seguintes. O Walkman da Sony, o Gameboy da Nintendo, o Super Mário, o Dragon Ball, o Naruto, a Hello Kitty, o Oliver e o Benji, o sushi, o ramen, o One Piece…
