Jerónimo de Sousa quer um PCP “mais forte” para ter mais poder de influência no futuro e permitir que se fique “mais perto” da “política patriótica e de esquerda” que defendem. “Num tempo de incertezas, saibamos estar à altura de corresponder às exigências que nos são colocadas”, pede o secretário-geral do PCP.
E porque o objetivo dos comunistas não pode ser entre a influência e as conquistas que alcançaram no quadro do Governo do PS, o secretário-geral do PCP abriu o XX Congresso hoje em Almada afirmando que a opção não pode ser “entre isto e andar para trás”, mas em dar “passos em frente”. “Ninguém como nós tem tanta consciência no quadro contraditório da vida política portuguesa”, assume Jerónimo.
E é por isso que é preciso dar esses passos em frente, que funcionam como alertas para o PS que têm apoiado na “geringonça”-cujo-nome-não-deve-ser-nomeado: “Enfrentar o problema da dívida, preparar o país para se libertar do euro, rejeitar as imposições do tratado orçamental e dos outros instrumentos, assegurar o controlo público sobre a banca e o setor financeiro”. Eis as prioridades de Jerónimo que batem de frente com a “política de direita” que o PS rejeita abandonar.
É um PCP numa nova fase da vida política nacional aquele que a partir de hoje se reúne em Congresso. Jerónimo de Sousa, no arranque dos trabalhos, não escamoteou nem escondeu o apoio que o PCP sob a sua liderança tem dado ao Governo de António Costa, mas aproveitou para a justificar: “É uma solução que permitiu a formação e entrada em funções de um governo minoritário do PS com o seu próprio programa, onde está presente um compromisso de reverter direitos e rendimentos esbulhados aos trabalhadores e ao povo e inverter o rumo de desastre que vinha sendo imposto”.
E Jerónimo acredita que o partido esteve “à altura das exigências que a realidade em movimento nos colocou e coloca”. E aproveitou para reiterar que não existe um governo de esquerda e diz até que também não se trata de “uma situação em que o PCP seja força de suporte ao governo por via de um qualquer acordo de incidência parlamentar que não existe“.
O líder comunista destaca que este quadro político “permite ao PCP manter total liberdade e independência políticas, agindo em função do que serve os interesses dos trabalhadores, do povo e do país”.
Jerónimo não deixou de atacar aqueles que têm questionado o património do partido, garantindo que estão “libertos do capital” e que tudo são “doações dos militantes”. SEja a Quinta do Cabo ou a Quinta da Atalaia, “tudo centros de trabalho”, referiu o secretário-geral, reafirmando que a forma como o partido se organiza permite-lhe “total independência” e uso apenas de “recursos próprios”.