Lucília Gago, a Procuradora-Geral da República (PGR), tão invocada ao longo destas duas semanas, veio dilucidar o que já estava dilucidado (adoro esta linguagem e estilo dos senhores das leis). Ficámos esclarecidos. A PGR e o MP não têm nenhuma responsabilidade nas confusões políticas sequenciais – demissões e eleições – e o fatal parágrafo para o primeiro-ministro existiu por soberanas razões de transparência.
Mais disse a PGR: que foi a Belém a pedido do Presidente da República. Só poderia ser. E mais não acrescentou. Anda o país político preocupado com a decisiva questão sobre quem é que sugeriu ao PR a ida da procuradora, como se isso tivesse algum interesse nesta embrulhada política geral, quando já todos sabemos que foi o primeiro-ministro a pedir. E fez muito bem. Agiu corretamente.
Se estava a decorrer o que sabemos, com a gravidade que tinha, seria muito natural que o chefe do Governo – porque não o poderia fazer, obviamente – sugerisse ao Presidente que falasse com a senhora Procuradora. Ele próprio, o PM, também queria saber o que estava a acontecer, de fonte segura, para decidir o que fazer. Também o Presidente da República teria essa preocupação institucional.
Falando, a PGR nada acrescentou ao que se sabia, e isso é uma boa notícia. Apenas disse o que queria. E a sua narrativa é coerente, os seus poderes de independência estão mantidos, e o que sobra, que é tudo, está nas mãos certas, que é a Justiça. Uma coisa ficámos a saber: a Belém, naquele dia, não foram os três Reis Magos.
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