Há dias, numa animada conversa, um amigo dizia: “Já não suporto ouvir falar do eclipse. Afinal, qual o interesse?” Argumentei que era uma oportunidade para falar de Ciência e de tudo o que ela envolve. Neste eclipse tem-se falado muito de Astronomia, mas não apenas. A saúde e os cuidados a ter com a observação do Sol têm sido uma constante. Estes avisos nunca são demais. Fala-se também do comportamento de animais domésticos e selvagens durante o obscurecimento do meio ambiente que o eclipse provoca. Até se fala de turismo, e como os alojamentos em Bragança e no norte de Espanha estão lotados e, por vezes, a preços inflacionados.

Quando recebi o convite do diretor Rui Tavares Guedes para escrever um texto sobre o fenómeno do próximo dia 12 de agosto, lembrei-me do comentário do meu amigo. Pensei para comigo: “O que posso eu acrescentar aos leitores da VISÃO tendo em conta a profusa informação que tem aparecido em livros, jornais, página da internet, programas de rádio e TV, podcasts, etc.?” Ocorreu-me abordar duas questões que sempre me interessaram: “Como temos a certeza da hora e do local da ocorrência do eclipse?” e “Para lá da festa da Ciência e do impacto mediático, qual o interesse científico de um eclipse, também nos dias de hoje?” Em face disto, e hora e meia depois do convite do diretor, comuniquei-lhe que aceitava, com gratidão, escrever este texto.
