Estamos assim: um incompetente cá é competente lá fora. Basta que seja português.
Os nossos governantes são, a este respeito, muito patrioteiros. Entre um francês imaculado ou um urso polar insuspeito, lutam sempre para que um português tenha direito ao seu lugar no mundo. Não interessa se a figura tem estatuto ou atributos que o recomendem para funções mais ou menos respeitáveis. Interessa, isso sim, que fale português. E o mundo, pensa-se, será, desde logo, um lugar mais habitável. Sobretudo, fora das nossas fronteiras.
Durão Barroso era, como o PS fez questão de lembrar um ror de vezes, um Primeiro-Ministro incompetente. Não tardou, pois, que os socialistas o empurrassem, com elogios e lóbi a condizer, para esse lugar mítico chamado Europa. E a prova de que Portugal tem o resto dos europeus em grande conta é reforçada agora com a escolha de mais um enviado-especial: Vítor Constâncio.
Como governador do Banco de Portugal, ele também deixou a sua marca. É, se a memória não me falha, o mais contestado de sempre, incluindo dentro do PS. Na prática, em termos de supervisão bancária, Constâncio viu passar um elefante à frente julgando tratar-se de mero formigueiro. Os casos BPN e BPP ilustram de forma olímpica as suas aptidões para o cargo. Como prémio, foi eleito para vice-presidente do Banco Central Europeu, com responsabilidades pela supervisão da autoridade monetária europeia. Simplificando: Constâncio pode não ter visto o elefante, mas, pelos vistos, está perfeitamente habilitado para tomar conta do zoo. Sinceramente, entre a política portuguesa e a vida selvagem, venha a National Georgaphic e escolha.