Não tenho competências para traçar o perfil psicológico de Donald Trump e, mesmo que tivesse, também não me atrevia. Leio por aí que tem traços de personalidade narcísica e chega, por aí me fico. Pelo que observo, sobretudo no que diz respeito a tarifas comerciais, mas não só, constato apenas que o Presidente norte-americano tem ímpetos de espalha-brasas e que, após o primeiro impulso, muitas vezes, acaba por hesitar, titubear, recuar. Chame-se-lhe arrogância, soberba ou outra coisa qualquer, parece-me uma postura mais digna de um negociador do que propriamente de um chefe de Estado, mas adiante. Nada disto é novo, nada disto é de agora, nada disto nasceu com o estilo errático e a liderança transacional de Donald Trump: ao longo da História, o legado maquiavélico – ou a realpolitik, numa linguagem mais prosaica – sempre motivou muitas decisões políticas.
Do que aqui quero falar é da perseguição da Casa Branca à Academia. Em particular, da guerra travada contra as universidades da Ivy League, sobretudo contra Harvard, a mais abonada delas todas, com um fundo de reserva que ronda os 53 mil milhões de dólares. Posso até não estar bem a ver a cena, admito, mas o ataque às universidades, por parte de Donald Trump, parece-me um gigantesco tiro no pé (para ser simpática e não usar já a palavra estupidez, que, apesar de tudo, é um bocadinho deselegante).