Ninguém na Valentim de Carvalho tinha preparado uma festa. Não havia um jantar reservado para celebrar uma vitória, nem uma sala pronta para receber jornalistas e convidados. A noite de 7 de março de 1981 prometia ser importante, mas poucos acreditavam que terminasse com Carlos Paião a erguer o troféu do Festival RTP da Canção. Mais de quatro décadas depois, Paula Freitas continua a recordar esse momento com a nitidez de quem o viveu por dentro. Na altura, fazia parte da equipa de promoção da Valentim de Carvalho, a editora de Carlos Paião. “Não tínhamos festa preparada. Foi tudo organizado à pressa”, conta. À medida que a votação decorria no Teatro Maria Matos, tornava-se evidente que o jovem médico de 23 anos estava prestes a contrariar todas as previsões.
A concorrência reunia alguns dos nomes mais reconhecidos da música portuguesa. José Cid, Maria Guinot, Carlos Alberto Moniz e as Doce surgiam como os candidatos naturais à vitória. Paião, que então ainda conciliava os estudos com uma atividade musical cada vez mais intensa, apresentava-se a concurso com Playback, uma canção construída sobre um humor inteligente, uma melodia irresistível e uma ironia que satirizava o próprio universo da música ligeira. Era uma proposta diferente, mas poucos acreditavam que fosse suficiente para vencer.
