Crónicas

Das Lajes ao Irão

O medo cresce no vazio de informação e na perceção de descontrolo. Se a Base das Lajes é parte de compromissos estratégicos, então que esses compromissos sejam explicados com transparência e enquadrados no respeito pela lei internacional

Pedro Almeida Maia
Crónicas

A idade é um posto. Por Luísa Jacobetty

Não fora os amigos da rua à beira de casa aplacarem o ego impante com que regressava da escola, senhora absoluta de várias línguas, estaria agora a candidatar-me à Presidência da República

Autobiografia Não Autorizada
Exclusivo

Luz, quero luz. A crónica que marca o regresso de Dulce Maria Cardoso à VISÃO

Cada um dos meus mortos é um golpe no meu futuro. O futuro que inventei na infância, o imaculado pano branco de pendurar sonhos, desapareceu para sempre

Dulce Maria Cardoso
Exclusivo
Dulce Maria Cardoso
Tudo é política

Dedicado a todos os homens (e mulheres) que odeiam as mulheres

Eu sei que eles não são a maioria. Eu sei que talvez nunca venham a ser a maioria. Mas eles contam com uma maioria que se cale, que se encolha, que os deixe ocupar todo o espaço com os seus gritos, que aceite que não vale a pena enfrentá-los, que os trate com a compaixão que merecem os que não sabem o que fazem ou se entretenha a tentar compreender os motivos profundos do seu ódio. Não contem comigo para isso. Não estou cá para isso.

Margarida Davim
Opinião

O que nos falta é "espanto político"

Paralisados pelas ideias da autoajuda, limitados pela crença de que só as nossas crenças nos limitam, anestesiados pela indignação amorfa das redes sociais, incapazes de interrogação e “espanto político”, deixamo-nos domar. Porque só “espanto político” nos pode fazer ver o mundo como ele é e ser capazes de exigir que ele seja como imaginamos que devia ser

Margarida Davim
jovens adolescentes smartphones
Tudo é política

A geração do fim da privacidade

Os que agora são adolescentes foram mostrados ao mundo na primeira ecografia, viram filmada cada uma das suas gracinhas de bebé, publicadas todas as fotos de férias e aniversários. Foram os próprios pais que os ensinaram a perder a fronteira entre o público e o privado

Margarida Davim
Opinião

"Nós somos a maioria, eles são o 1%"

“Nós somos a maioria, eles são o 1%”, diz Sanders. Enquanto assisto à queda dos princípios de igualdade perante a lei, justiça e liberdades individuais no prometido oásis das democracias ocidentais, a ideia de Sanders parece a única esperança possível. “Nós somos a maioria, eles são o 1%”

Margarida Davim
Opinião

Endireita as costas!

“Caladinha é que tu estás bem”, “havias de ser violada por um indiano”, “quando fores raptada logo vês”, “calada, és uma puta”, “tem vergonha”, “tem juízo”. “És bonita, é pena seres tendenciosa”, “deves ter a mania que és inteligente”. As mensagens são constantes, quase sempre acompanhadas de comentários ao aspeto físico, sempre que falo em público para denunciar o racismo, a xenofobia, o ódio e a manipulação. Quando as leio, endireito um pouco mais as costas.

Margarida Davim
Tudo é política

A moral é obrigatória para os pobres

Não é difícil imaginar que Lor Neves tenha de ouvir muitas vezes um “vai para a tua terra”. O que exige muito mais imaginação é pensar que um dos 50 estrangeiros a quem o Estado português deu em 2023 uma borla fiscal de 262 milhões de euros tenha alguma vez ouvido coisa semelhante. Ao todo, estes imigrantes ricos receberam do Estado benefícios fiscais que nos custaram 1,3 mil milhões de euros no ano passado. Mas isso não causa sobressalto

Margarida Davim
Granadas de mão e munições roubadas nos Paióis de Tancos
Opinião

O Presidente Rei era o futuro de um passado que desfizemos

Este país parece órfão, sempre à espera de um pai. Olho para trás cem anos. A História já quase lhe apagou o nome, que resiste em avenidas, cravado na pedra, escrito em moradas, já sem emoção. Sidónio Pais. Alguém sabe quem é? Era um homem numa farda, alto, bonito, de olhos doces

Margarida Davim
Opinião

Olhar o passado nos olhos, mesmo que doa

Nada é eterno. Durante 48 anos, o meu avô acreditou viver naquele que era aos seus olhos o melhor e o mais justo dos regimes. Nesses anos, milhares de portugueses viveram na miséria, calados, com medo, com fome de tudo, mas sobretudo de liberdade. Eram muitos, mas não foram os suficientes. E talvez nunca tivessem sido, se a guerra colonial não tivesse tornado absolutamente insuportável o que até aí a maioria aguentava, mais ou menos resignada

Margarida Davim
Tudo é política

As mulheres metem medo

A ideia de que há uma guerra entre géneros só favorece os homens que odeiam as mulheres. E eu acredito que nem todos os homens odeiam as mulheres. Mas por algum motivo estamos a deixar que regresse uma retórica bafienta que pensávamos enterrada num passado de horrores. Mesmo que não pareça, este é o tempo de falar de amor. E de olhar para o exemplo de Ahoo Daryaei, abraçando-nos para segurar o medo que temos por dentro, enquanto enfrentamos quem nos teme. Não, não temos de nos esconder

Margarida Davim
Tudo é política

O caminho para sair do medo

E é por aí que temos de ir, sabendo que a cada onda de medo e opressão que se aproxima, cabe-nos dar o peito e mostrar o caminho, porque ele existe, mas apenas se acreditarmos nele. Quando o começarmos a imaginar, ele começará a aparecer. E, então, estas frases de desalento parecerão apenas a memória de umas trevas que já deixámos (outra vez) para trás

Margarida Davim
Autobiografia Não Autorizada
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Uma escova de cabelo que lavra o tempo ou O número perdido

Semicerro os olhos como faço para ver ao longe, o passado são cargueiros que invento para pousar na linha do horizonte

Dulce Maria Cardoso
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Dulce Maria Cardoso
Autobiografia Não Autorizada
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Que eu nada mais tenha

Ela, a mulher, chama-se Gisèle. Não sei o que escrever sobre a Gisèle. Como escrever. Despedaçada

Dulce Maria Cardoso
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Dulce Maria Cardoso
Tudo é política

Estamos a perder amigos e a razão é política

Quando fizermos uma equação que traduza a dificuldade de ter e manter amigos devemos juntar às horas de trabalho infindáveis e desreguladas, às exigências da família, aos custos da vida social, à emigração forçada de quem procura uma vida melhor, o facto de termos casas incomportavelmente caras e serviços públicos degradados

Margarida Davim
Tudo é política

O lugar do juízo (ou da falta dele)

Haverá poucas coisas que mais dividam os seres humanos do primeiro mundo do que a forma como educam os filhos. Começa na fraturante discussão sobre métodos de introdução alimentar e vai por aí adiante, com batalhas campais sobre quais os castigos adequados (se é que há algum), os decibéis que as professoras podem atingir sem serem acusadas de maus-tratos ou a forma como ensinamos os limites do corpo e o respeito pelo outro aos nossos filhos. Sim, até a decência pode ser problemática.

Margarida Davim
Autobiografia Não Autorizada
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Obra (sempre) incompleta

Dulce Maria Cardoso
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Dulce Maria Cardoso
Opinião

Dar a cara por todas

Gisèle está a mostrar-nos um caminho. Está a ensinar-nos que é o criminoso aquele que tem de se esconder. Fá-lo com um esforço indizível, que talvez não chegue sequer para fazer-nos avançar mais do que uns centímetros nesta longa caminhada. Mas vamos continuar a andar. Por muito que nos travem, não vamos parar

Margarida Davim
Crimes contra crianças estão a aumentar. Outra vez 
Tudo é política

Meninos "fechados na rua"

Depois de um verão à procura de atividades para crianças e de perceber que muitas (sobretudo em agosto) têm valores absolutamente incomportáveis, pareceu-me que talvez a história deste menino não seja só de abandono e negligência, mas também de desespero e falta de apoio

Margarida Davim
Autobiografia Não Autorizada
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Perdidos e achados

Na catequese, a irmã Flores foi categórica, Os animais não têm alma, Deus não os quis com alma, criou-os para nossa serventia

Dulce Maria Cardoso
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Dulce Maria Cardoso