O Governo e os evangelistas televisivos mentem ou são ignorantes?
Qualquer especialista em migrações poderá explicar a Leitão Amaro que, havendo emprego, não há fronteira capaz de impedir que as pessoas procurem uma vida melhor
Bem-vindos a um novo pântano
Tudo o que fizer parte da agenda do Chega será viabilizado pelo PSD. Tudo o que o PSD pretender aprovar do seu arremedo de programa será bloqueado pelo Chega. Ou seja, só passa aquilo que Ventura quer
E não é que esta crónica era para ser sobre o Mundial?
Quando no estádio deixarem de estar os que amam os clubes, os que fazem algum tipo de sacrifício para lá estar, para passarem a ser apenas os que podem pagar muito dinheiro, o futebol passa a ser um espetáculo como outro qualquer. Um jogo sem alma
Miséria, humilhação e ódio – o Portugal que a maioria quer
É uma espécie de dois em um da pulhice: retiram-se empregos a pessoas qualificadas para os entregar a mão de obra desqualificada e praticamente gratuita, que passará a cuidar de idosos, crianças ou pessoas com deficiência
Ressentimento e desespero
Chega a ser espetacular vê-lo falar de reformas com um ar de quem está a revelar o terceiro segredo de Fátima sem dizer uma palavra sobre como essas coisas se levam a cabo
A desigualdade mata democracias
O que sabemos é que não há crescimento do PIB que traga mais igualdade, nem crise que não provoque mais desigualdade
A desconfiança mata a democracia
Já era suficientemente mau termos pessoas normais no poder − eu prefiro homens e mulheres anormalmente bons a liderar o País e as instituições −, mas agora temos, digamos, pessoas abaixo do normal
Estamos cada vez mais sós e mais frágeis
A crise de representação sindical é grave por si mesma, mas é um indicador avançado de uma crise social bem mais profunda: a da falência dos organismos ou instituições intermédias
Influencer, Influencer, Influencer
As pessoas estão mais interessadas em ver os inimigos políticos a serem atacados do que em ter uma Justiça que funcione. Desprezam as garantias de defesa, os princípios fundamentais, se isso servir para atacar os direitos de quem não gostam
Seguro, o melhor apoiante da reforma laboral
Daqui a uns tempos, quando os apoiantes do Chega sentirem na pele as alterações no quadro laboral, o partido encarregar-se-á de lhes mostrar que a culpa de isso estar a acontecer não é da lei, mas dos imigrantes, do Turquemenistão, da corrupção ou do Sócrates. O problema é que eles acreditarão
A lição húngara
O maior desafio é perceber como ultrapassar a destruição dos pilares democráticos. A pergunta é: será possível recuperar a democracia depois de uma experiência como a de Orbán? Ou, no mínimo, quanto tempo levará e o que será necessário para a restabelecer?
Revisão da Constituição ou mudança de regime
Parece que anda tudo esquecido de que, no boletim de voto, não há uma seleção de medidas que aqueles que escolhemos devem ou não implementar. Os deputados não são mandatários
Reformas estruturais ou escolhas ideológicas
Não há nada de errado em querer mudar o País de forma profunda. Pelo contrário. O que é errado é esconder essas escolhas atrás de palavras vazias, como se fossem evidências e não opiniões
Saramago e a guerra cultural
Parece que os seus livros vão deixar de ser obrigatoriamente estudados nas escolas secundárias (era assim que se chamavam no meu tempo). Isso, claro está, não altera o que os livros são, nem o que valem, nem o interesse que podem despertar nos mais novos
Tem a palavra o PS. O PSD já se definiu
Passos Coelho tem o processo revolucionário que tanto deseja em curso. O único problema − para ele, claro − é que está a ser levado a cabo sem ele
Estamos adormecidos ou estamos mudados
Não li uma crónica, um editorial. Nenhum daqueles programas de opinião mostrou interesse no assunto. As televisões, que têm debates quase 24 horas por dia, nem de madrugada encontraram espaço para discutir o tema
Passos Coelho regressou, ainda bem
É provável que o PSD recebesse o ex-primeiro-ministro de braços abertos, ainda que com algumas resistências internas, e aceitasse a sua proposta de fazer um bloco de direita radical. Mas o eleitorado do partido ficaria profundamente dividido
Racismo? Sim, também sou culpado
Somos nós, os que dizemos não ser racistas, que toleramos as atitudes mais nojentas. Somos nós os que nos rimos de o Costa ser “monhé” e ao ouvirmos comentários sobre atitudes típicas dos “pretos”, respondemos com sorrisinhos complacentes
Regionalizar é urgente
Quantas mais tragédias terão de acontecer para percebemos que não temos estruturas intermédias e que se não fossem os autarcas os problemas seriam muitíssimo maiores?
O PREC da direita e da esquerda e as presidenciais
Estas eleições deixam absolutamente claro que ou o PSD muda radicalmente (não acredito nisso nem por um segundo) ou esse espaço será preenchido por uma nova força política ou pelo PS moderado
A catástrofe e a propaganda
Já se sabe: basta chegar a um cargo ministerial ou mesmo a primeiro-ministro para um empedernido defensor da regionalização renegar essa convicção. E não, não é por, de repente, ter visto a luz ou se ter apercebido de que seria um erro, é tão-só porque perder poder é coisa que custa muito