O Banco de Portugal distribuiu, a título do seu exercício em 2017, 525 milhões de euros em dividendos ao Estado, um valor que representa uma subida de 49% em relação ao montante entregue aos cofres públicos no ano anterior, quando tinha sido de 352 milhões de euros. Acrescentando a este valor o IRC pago, o total conduzido para o Estado sobe para 797 milhões. Uma ajuda importante para a descida do défice orçamental em 2017.
No ano passado, segundo o relatório do conselho de administração do banco dado a conhecer esta sexta-feira, 4 de maio, a entidade lucrou 656 milhões de euros, sendo 80% deste valor distribuído em dividendos e os restantes 20% para reserva legal e outras reservas.
A subida de resultado líquido foi também de 49% em relação a 2016, um comportamento que o banco atribui ao resultado da margem de juros (sobretudo os associados aos títulos comprados no âmbito do programa de compra de ativos do Banco Central Europeu) e ainda a prejuízos não realizados e a uma menor provisão para riscos gerais, decorrentes de um menor risco associado à carteira de obrigações soberanas portuguesas.
O programa de compra de ativos levou ainda o balanço do banco central a engordar em 15 mil milhões de euros para 153 mil milhões. Por outro lado, a depreciação do valor do ouro em euros em 2017 levou a que esta reserva – estável em 382,5 mil toneladas – ficasse avaliada em 13.305 milhões de euros, menos 198 milhões de euros que no ano anterior.
Já os gastos do banco subiram 25 milhões de euros num ano, para 208 milhões, o que a instituição liderada por Carlos Costa atribui a 10,5 milhões de euros de gastos relacionados com reformas antecipadas (contabilizados de forma diferente a partir do ano passado) e a mais 7 milhões de euros que custou a assessoria à resolução do Banco Espírito Santo e ao processo de venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star.
Segundo o comunicado do Banco de Portugal, a conclusão da venda do Novo Banco afastou “uma incerteza que condicionava a avaliação externa sobre o sistema bancário português” e foi a “intervenção ativa” da instituição que permitiu cumprir o prazo na venda e na aprovação pelo mecanismo único de supervisão.
O comunicado sublinha ainda a redução no ano passado de 9.300 milhões de euros em ativos não performantes (NPL na sigla em inglês) através da imposição e monitorização de planos estratégicos de redução.