Descemos da Sé até à Ribeira e depressa percebemos que caminhar ao seu lado é percorrer um pequeno trilho de histórias. Germano Silva olha para as paredes, para as portas, para as casas e para as torres. Repara nas janelas e nas antigas varandas de ferro, onde ainda sobrevivem símbolos religiosos, bandeiras de clubes de futebol ou da Seleção portuguesa. E recorda a roupa que, noutros tempos, enchia as varandas e secava sobre as ruas.
Mas Germano não observa apenas a cidade. A cidade também o reconhece. Por entre os muitos turistas que hoje percorrem as ruas da Sé, ouve-se de repente uma voz: “Germano!” Há quem queira cumprimentá-lo, trocar duas palavras ou fazer-lhe uma queixa sobre aquilo que vai desaparecendo do bairro. Alguém fala do lixo deixado junto à Igreja dos Grilos. Outro lamenta uma mudança recente. Para algumas das poucas pessoas que ainda moram na Sé, Germano Silva tornou-se uma espécie de guardião da memória e protetor do lugar.

