“Temos de usar evidência (informação científica), temos de usar os estudos e temos de implementar melhores práticas. […] Depois da avaliação e com a evidência que se vai somando, também em outros países, faremos essa avaliação e se houver evidência nesse sentido [de proibição], não teremos problemas nenhuns [em fazê-la] […]. É natural que no próximo possa haver uma alteração política”, admitiu esta segunda-feira o ministro da Educação, Ciência e Inovação, a propósito do uso, por parte dos alunos, de telemóveis nas escolas. Fernando Alexandre falava aos jornalistas à margem da apresentação do projeto Unidades de Apoio ao Alto Rendimento no Ensino Superior (UAARESuperior) no Centro de Alto Rendimento do Jamor, em Oeiras, distrito de Lisboa.
“A recomendação que o Governo fez é de proibição. O que estamos a fazer este ano é estudar o resultado dessa recomendação para no próximo ano reavaliar a medida”, explicou o governante. “Há cada vez mais estudos que mostram os malefícios que o contacto com ‘smartphones’ tem para o desenvolvimento das crianças e para o seu bem-estar”, lembrou o ministro, acrescentando que a orientação de dar “uma total autonomia às escolas para tomar uma decisão […] está a mudar em toda a Europa”.
No início deste ano letivo, Fernando Alexandre anunciou a recomendação de adesão voluntária por parte das escolas, tendo na altura admitido a proibição do uso de ‘smartphones’ em contexto escolar, em função dos resultados.
Um estudo divulgado esta segunda-feira, do Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar (OSPBE), dois anos depois do primeiro, relevou que mais de metade dos alunos a partir do 2.º ciclo passam pelo menos quatro horas em frente a um ecrã nos dias de semana. Um dos aspetos analisados foi o tempo de ecrã e entre os 3.083 alunos do 2.º ciclo ao secundário avaliados, 52,8% passam quatro horas ou mais em frente de um ecrã nos dias de semana. Se estivermos a falar de três horas, a percentagem aumenta para 97,3 por cento.