
Uma História de Amor e Trevas, de Natalie Portman, será um dos filmes para ver na Judaica
Ran Mendelson
Os temas dos refugiados e da sobrevivência marcam a programação da quarta edição da Judaica – Mostra de Cinema e Cultura, que começa em Lisboa esta quarta-feira, 16, e se prolonga até domingo, 20, no Cinema São Jorge. Este ano, além de Lisboa e de Belmonte, a Judaica estreia-se em Cascais e em Castelo de Vide, em abril e maio. “Vimos a pertinência e a importância de partilhar com outras cidade a Mostra. Percebemos o interesse e a curiosidade pela cultura judaica. Existe uma linha comum entre as programações, mas também atividades diferenciadas. A proposta é atrair o público para as quatro cidades”, explica Elena Piatok, diretora artística da Judaica.
Doze filmes de ficção, onze documentários, quatro curtas-metragens, dois lançamentos de livros, um concerto e debates após algumas sessões integram o programa, em Lisboa, que se iniciará às 18h30, com a apresentação do livro Os Bebés de Auschwitz – Nascidos para Sobreviver, com a presença da autora Wendy Holden e de Hana Moran, uma das protagonistas. Logo de seguida, será exibida a primeira longa-metragem realizada pela atriz Natalie Portman, Uma História de Amor e Trevas, baseada na autobiografia do escritor israelita Amos Oz.
Quinta-feira, 17, será marcada pela exibição de um documentário que aborda os filmes de propaganda nazi, Filmes Proibidos, cuja reprodução continua proibida na Alemanha. Por cá, teremos o seu realizador, Felix Moeller, num debate. Na sexta-feira, 18, passará Todos os rostos têm um nome, de Magnus Gertten, um documentário com entrevistas de sobreviventes do holocausto, que aparecem numa filmagem de 1945 no Porto de Malmö, na Suécia, e que traça um paralelo com a atual crise dos refugiados na Europa. Após a exibição, o realizador junta-se a Pedro Calado, do Alto Comissário para as Migrações, e Rui Marques, líder da Plataforma de Apoio aos Refugiados, num debate com moderação da historiadora Irene Pimentel. A bilheteria desta sessão reverterá a favor da Plataforma de Apoio aos Refugiados.
Segundo Elena Piatok, a escolha dos temas dos refugiados e da sobrevivência aconteceu naturalmente. “Os filmes selecionados tratavam estes assuntos. Não são problemas recentes e ainda continuarão por muito tempo”, sublinha a diretora artística da Judaica.

Claude Lanzmann: Espectros da Shoah, de David Evans
Adam Benzine
O filme Claude Lanzmann: Espectros da Shoah, de David Evans, nomeado para o Óscar de Melhor Curta Documental, será exibido no sábado, 19. Nesse dia, às 22h, haverá ainda concerto de Daniel Kahn & The Painted Bird. Para encerrar a Judaica em Lisboa, no domingo, 20, será exibido Cânticos dos Cânticos, de Eva Neyman, baseado na obra do escritor Sholem Aleichem, cujo centenário da morte se assinala agora, e ainda a longa-metragem Febre ao Amanhecer, de Péter Gádos. Esta sessão contará com a presença do realizador húngaro para o lançamento do livro Carta à mulher do meu futuro, no qual narra a história dos seus pais, fonte de inspiração para o filme.
O Centro Cultural e o Cinema da Villa, em Cascais, recebem a Judaica entre 8 e 10 de abril. E depois a Mostra de Cinema e Cultura estará em Belmonte, entre 14 e 17 de abril, no Museu Judaico e no Auditório Municipal. Em Castelo de Vide, a Judaica há de estrear-se entre 5 e 8 de maio, no Paço do Concelho e no Cineteatro Mouzinho da Silveira.

Febre ao Amanhecer, de Péter Gádos
Judaica – Mostra de Cinema e Cultura > Cinema São Jorge > Av. da Liberdade, 175, Lisboa > T. 21 310 3400 > 16-20 mar, qua-dom > €3,50 a €4
Veja o teaser da Judaica