Um dos grandes mitos em torno do nosso cérebro é a falsa ideia, muito propagada, de que usamos apenas cerca de 10% das suas capacidades. Uma “fake news” que se cultiva em terreno fértil porque o cérebro continua a ter, em boa medida, recantos absolutamente misteriosos que a Ciência tenta desvendar. Por outro lado, quem não gostaria de ser uma Lucy, a personagem interpretada por Scarlett Johansson no filme de Luc Besson como o mesmo nome, de 2014? Depois de o seu corpo absorver uma droga psicadélica que contrabandeava, Lucy torna-se uma supermulher com capacidades incríveis que vão do controlo da dor à telepatia, da absorção imediata de todo o tipo de conhecimento à telecinese. Um cérebro pleno, capaz de abraçar o amor fati… ou de o destruir de vez.
Talvez um dia, talvez não assim tão distante, conseguiremos ser Lucy, mas isso será à custa de implantes e de nova tecnologia e não do facto de usarmos apenas uma pequena percentagem do cérebro, como se não tivéssemos acesso aos seus grandes poderes. Temos. Aliás, durante um só dia ativamos praticamente todas as zonas cerebrais e isso está demonstrado através de ressonâncias magnéticas funcionais.
