Mal se dá por ele quando se percorrem as ruas de Miragaia, no centro histórico do Porto, de tal maneira este se encontra integrado no antigo casario, próximo da margem do rio Douro. Situado à esquerda da Igreja São Pedro de Miragaia, ou ao fundo das escadas das Virtudes, o hotel é reconhecível pelas paredes de pedra, com 120 metros de frente, que evidenciam a História deste edifício do século XVI – foi residência de uma família aristocrática, os Rocha, Ferreira e Barbuda, acolheu uma fábrica a vapor de conservas e, mais tarde, um armazém.
O passado ligado à atividade mercantil e à construção naval testemunha-se logo no piso térreo, com as arcarias de pedra, onde se encontram a receção, o bar Amuras e o restaurante Través. Os nomes de um e de outro têm que ver com a terminologia náutica, ligada ao mar e ao passado comercial desta zona da cidade: amura é o cabo que se prende ao punho inferior de uma vela; través é a linha que divide uma embarcação de bombordo a estibordo.
A mesma inspiração continua na porta de entrada de cada quarto – ao todo são 71, divididos em nove tipologias (seis são duplexes), alguns com varanda –, em que foi colocada uma bússola de orientação, ou nos corredores dos cinco pisos, através das aguarelas do artista plástico Vítor Espalda. Além das paredes em pedra, a requalificação deste edifício da autoria do arquiteto Miguel Nogueira, cuja obra demorou seis anos, manteve as namoradeiras em alguns dos quartos, junto às janelas que dão para o casario de Miragaia.
Mas é do terraço no quinto piso que se podem observar os maiores atrativos desta zona histórica: as casas medievais com a roupa estendida nas varandas, o edifício da Alfândega em frente, a Igreja de São Francisco mais adiante e o jardim e miradouro das Virtudes (o seu nome advém das propriedades curativas das águas de uma fonte ali mandada construir em 1619).
Restaurante com cunho Michelin

Aberto a passantes, o Través tem a consultoria de Tiago Bonito, chefe de cozinha que alcançou uma Estrela Michelin no Casa da Calçada, em Amarante. Para o restaurante do Hotel das Virtudes, desenhou uma carta “de reinterpretação da cozinha tradicional portuguesa, que pretende agarrar na nossa História”, diz à VISÃO. Peixinhos da horta; polvo assado e o seu arroz, pico de gallo e alioli de açafrão; pato cerejado, arroz de enchidos, laranja e alecrim; bacalhau confit, húmus de grão, migas e caldo-verde ou a tarte de queijo Serra da Estrela, gelado de goiaba e Jerez são algumas dessas recriações, que se podem saborear de quinta a segunda, das 19h30 às 22h30. A par deste projeto, Tiago Bonito prepara a abertura do próprio restaurante no Porto, integrado no Palacete Severo (construído pelo arquiteto Ricardo Severo, no início do século XX), com inauguração prevista para junho.
Hotel das Virtudes > R. São Pedro de Miragaia, 60, Porto > T. 22 016 3930 > a partir de €145