Numa altura em que (quase) todos vivem momentos dramáticos, decorrentes dos rigores que o país atravessa, do Orçamento de Estado, das suas implicações nas reduções nos salários dos funcionários públicos e “equiparados”, nas verbas a transferir para as autarquias e demais entidades públicas, da efetiva redução do poder de compra, das consequências nefastas no comércio, na indústria, na economia e na sociedade de forma generalizada … urge encontrar soluções (e eu sou dos que acredita piamente que existem, que Portugal é um país fabuloso e com um potencial incrível) para, perante a reduzida disponibilidade financeira e orçamental, conseguirmos desenvolver igual ou melhor atividade e serviço público, mas a custos manifestamente mais baixos.
Visando a tão propalada “redução de custos”, estabeleceram-se metas (em valores absolutos ou percentuais), de cumprimento teoricamente obrigatório. Veremos quem cumpre e o “quê”?!
As autarquias viram reduzidos os seus orçamentos, os funcionários públicos os seus salários, a carga fiscal de todos nós foi aumentada e as deduções fiscais reduzidas …
Ainda assim, e por incrível que pareça, a conta corrente dos custos inerentes à maioria das entidades públicas e suas atividades, não só não reduz, como consegue mesmo aumentar.
Mas já alguém equacionou, em quantos milhões de euros se traduziria, se conseguíssemos implementar uma medida análoga, de redução de apenas 10%, nas más práticas de cidadania ?
Se reduzíssemos 10 % dos resíduos deixados na via pública (desde sacos de lixo, passando por objetos fora de uso), 10% da deposição indevida de RU sem respeito pela separação respetiva nos ecopontos, 10% dos papéis, pastilhas elásticas e beatas atirados para o chão, 10% dos dejetos caninos nos passeios, 10% dos atos de vandalismo em equipamentos coletivos e espaços públicos, 10% dos furtos de pilaretes, grades de sarjetas, tampas de esgoto, contentores de lixo, placas de sinalização vertical, 10% dos estacionamentos de veículos sobre espaços verdes, 10% dos estacionamentos sobre a calçada e em locais que criam obstruções claras na normal circulação viária … muito provavelmente, estaríamos a dar um contributo igual ou superior ao que agora é exigido a todos os Portugueses.
E estes “esforços”, que em bom rigor e verdade se traduzem em obrigações elementares e que felizmente já são cumpridas pela grande maioria dos cidadãos, mais não são do que a contribuição individual, mas com reflexo no coletivo, na boa gestão do erário público.
Ou seja, se é inquestionável que o Estado gasta o que não tem e não raras vezes, com o que não deve e com quem não precisa, também o será o facto de muitos de nós ainda não terem percebido que, consoante a nossa conduta quotidiana, assim existem impactos diretos e expressivos, neste caso de natureza financeira, naquilo que é de todos nós e … para todos nós: o dinheiro dos nossos impostos, que deve ser entendido como estando confiado ao Estado que, por sua vez, o deverá gerir com parcimónia, critérios de eficácia, eficiência e justiça, com pragmatismo social e prévia definição de prioridades estratégicas, em prol do coletivo.
Reduzir uns milhões na conta corrente do Estado, só está nas nossas mãos. É importante que definitivamente percebamos esta realidade e que, os que ainda não assumiram boas práticas, o passem, com sentido de urgência, a assumir… em benefício de todos, sem exceção, e de Portugal.