Nancy Pelosi, a desafiadora «speaker» da Câmara dos Representantes, decidiu abandonar a chefia dos democratas no Congresso. Finalmente! Tem 82 anos, está nessa liderança há mais de 20, e percebeu que o partido precisava de uma renovação geracional urgente. Os três líderes democratas mais importantes, a começar pelo presidente, somam 232 anos de idade: Biden com 79, o senador Chuck Schumer com 71, e Pelosi, que bate todos. É muita velhice, juntinha, para governar um país e um partido.
A saída de Pelosi é explicável: os democratas perderam a maioria na Câmara, nas intercalares, e a «speaker» vai entregar o «martelo» aos republicanos. Sendo simbólico, é um gesto de grande importância na liturgia do Congresso, e a líder dos representantes democratas não está disponível para esperar mais uns anos, no mínimo dois, para voltar ao «poder». Esta decisão, contudo, não terá sido fácil de tomar. Pelosi é a terceira na hierarquia constitucional americana, tem um imenso poder na governação dos EUA, e nenhum presidente consegue funcionar, e executar, sem a sua autorização.
Duas outras razões terão igualmente influenciado: o violento ataque que o seu marido sofreu, causando pânico em toda a família, que está agora com segurança reforçada pela polícia do Capitólio e, naturalmente, o clamor entre os democratas, novos e velhos, para que a «speaker» não voltasse a disputar a liderança. Esta razão terá sido decisiva.
A última disputa interna já tinha sido muito controversa, para as novas gerações que querem «agarrar» o martelo, e esta derrota na Câmara, com alguns estados tradicionalmente democratas, como a Califórnia, a perderem muitos representantes para os republicanos, foi o sinal que faltava a Pelosi para sair pela porta grande. Entre os democratas há agora um reconhecimento agradecido à única mulher, até agora, que ocupou este cargo, mas também um grande alívio por se evitar a fase em que teria de ser «empurrada» pelos seus colegas de partido. Pelosi é história, e fez história.