O Diário do Governo começou a ser publicado no final de junho, logo a seguir à viabilização do programa e entrada em plenas funções do Governo Montenegro II. Até hoje, divulgámos 124 artigos como exercício de cidadania ativa com uma visão progressista que não deixa de promover o diálogo democrático e saudar os exemplos de boa governação.
O governo não ajudou muito e em 123 dias de análise averbou 96 prémios Laranja Amarga/Limão Azedo, apenas o benefício da dúvida de 18 Laranjas sem Sumo e infelizmente somente 9 manifestações de regozijo merecedoras do galardão Laranja Doce. Vejamos então o ranking dos governantes ao longo do ano de 2025:
Prémio Laranja Amarga/ Limão Azedo
Luís Montenegro – 15 – O líder do Governo destaca-se pela opção pelo alinhamento estratégico com o Chega, pela gestão política do orçamento e das medidas fiscais e pelos clamorosos fracassos nas áreas que mais afetam a vida dos portugueses como a saúde ou a habitação (ainda assim, conseguiu 3 Laranjas sem Sumo e uma Laranja Doce).
Leitão Amaro – 12 – O rosto da propaganda e do alinhamento com a extrema-direita em matéria de política migratória, já com duas rotundas derrotas no Tribunal Constitucional. Promoveu o ódio, defendeu a separação das famílias e criou problemas graves à economia, pelo que é claramente o pior ministro pela intencionalidade política na banalização do mal. Manifestou ainda desprezo pelos direitos fundamentais na forma como desvalorizou que metade do País fique sem acesso a jornais em papel ou pela forma como se referiu à maior greve geral do século XXI.
Rosário Palma Ramalho – 10 – Inexistente em matéria de solidariedade, desbaratando a oportunidade do PRR para o investimento nas áreas sociais, ignorando que o sucesso orçamental da Segurança Social se deve aos contributos dos trabalhadores estrangeiros, lançou uma inútil fronda social com a revisão das leis laborais que a tornou o símbolo da insensibilidade social inimiga dos jovens e das famílias.
Ana Paula Martins – 9 – Absoluta incapacidade de gestão na área bandeira de Montenegro nas eleições de 2024. Quase tudo está pior, sucedem-se demissões e substituições, e os objetivos do Plano de Emergência de 2024 só podem ser lidos como um clássico de humor negro.
Miguel Pinto Luz – 8 – Mostrou determinação no tema aeroporto ou na privatização minoritária do capital da TAP, mas é um desastre na área da habitação com medidas que reduziram ainda mais a oferta e promoveram o maior aumento de preços das casas de sempre (27% desde que chegou ao Governo). O herói dos especuladores imobiliários e das empresas de alojamento local.
Nuno Melo – 8 – Sem peso na agenda internacional, promoveu o maior negócio escuro de sempre com a aquisição secreta de 6 mil milhões de euros em armamento e não explica como vai atingir os objetivos do maior crescimento da despesa em Defesa para 2% do PIB em 2025 e até 5 % futuramente. Igualmente, não se sabe o que pensa sobre regresso das obrigações militares alargadas ou qual o nosso nível de envolvimento na frente ucraniana.
Miranda Sarmento – 8 – Muito longe do peso habitual da pasta, é o rosto da gestão eleitoral do ciclo orçamental, com aumentos da despesa permanente que vão trazer o défice de volta e um crescimento económico medíocre impulsionado pelo consumo interno.
Fernando Alexandre – 6 – Calou os sindicatos de professores, mas não resolveu o problema dos alunos sem aulas e cedeu à demagogia da ideologia de género na educação para a cidadania. Mereceu 2 Laranjas Doces pela contratação de mediadores culturais para as escolas e pela oposição ao discurso xenófobo do parceiro habitual do Governo.
Castro Almeida – 6 – Responsável pelo desperdício do PRR nas áreas sociais, na saúde e na habitação, trocando desenvolvimento estrutural por um mealheiro para o Banco de Fomento, fracassou até na elevação das taxas de execução do programa. É o rosto do abandono da descentralização e do assalto do Governo às CCDR, enterrando o processo de democratização gradual como caminho para a futura regionalização. Inexistente na economia perante a queda do investimento e das exportações.
Rita Júdice – 4 – Quase sempre desaparecida perante a gestão política do Ministério Público, baixou os braços perante o desabar do sistema prisional, está ausente perante a degradação dos serviços de registos e esteve calada perante as atrocidades ao Estado de Direito do Chega.
Paulo Rangel – 4 – Desistiu de ser o nº2 do Governo e está quase sempre desaparecido perante a desconstrução da União Europeia, a traição à liberdade e aos aliados de Trump e as arbitrariedades na Guiné-Bissau. Teve o seu melhor momento ao acompanhar o movimento internacional de reconhecimento da soberania da Palestina.
José Manuel Fernandes – 2 – Representante dos setores agrícolas beneficiários de fundos europeus e de subsídios nacionais, anulou a política de ordenamento florestal e de prevenção de riscos de incêndio e desvalorizou a articulação com a conservação da natureza. Não sabe sequer o que fazer com a crise do setor do vinho.
Carlos Abreu Amorim – 1 -Surpreendeu pela discrição mesmo quando teve de ser rosto das relações parlamentares perigosas do Governo. Teve o mérito de ser o único a reconhecer o fracasso da “Via Verde”, peça essencial da política migratória do Governo.
Prémio Laranja sem Sumo
Gonçalo Matias – 4 – Pela prosápia das promessas grandiloquentes e pela ausência de resultados perante a degradação do atendimento público, dos hospitais aos aeroportos ou na demora na constituição de empresas, é o maior bluff do Governo. Ainda teve uma Laranja Amarga pela exibição de mau gosto na Web Summit.
Margarida Balseiro Lopes – 2 – Parece perdida entre as múltiplas pastas, e sem rasgo em qualquer delas e sobretudo fora de água no mundo escorregadio do desporto. Totalmente desaparecida na área das políticas de igualdade perante os atentados aos direitos das mulheres trabalhadoras e o crescimento da violência doméstica merece Laranja Amarga nesta área.
Lúcia Amaral – 2 – Uma contradição e um equívoco no cargo que justificou 2 Laranjas Amargas, 2 Laranjas sem Sumo e 2 Laranjas Doces. Exemplar na defesa dos direitos fundamentais enquanto Provedora de Justiça, tem aberto inquéritos, mas sido discreta sobre os desmandos policiais enquanto Ministra, máxime quanto aos capangas da escravatura de migrantes. Totalmente impreparada em matéria operacional como se viu com os incêndios florestais ou na gestão do caos na fronteira do aeroporto de Lisboa.
Prémio Laranja Doce
Graça Carvalho – 3 – Claramente a ministra com nota mais positiva do Governo, ao recusar alinhar com o negacionismo das alterações climáticas, pelo pragmatismo de medidas como o E-Lar ou o apoio à mobilidade elétrica e finalmente pela rara coragem de falar contra os poderosos na defesa do direito fundamental de acesso de todos às praias que são domínio público e não coutada privada VIP.
O Diário do Governo vai entrar em 2026 em modelo renovado e ainda mais interventivo, promovendo uma comunidade de debate público na defesa de uma governação decente e de políticas públicas justas e solidárias. Um Feliz 2026 para todas e todos com mais e melhor democracia.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.