A fotografia escolhida foi tirada no interior de um dos poucos edifícios federais usados pelo ICE (Serviço de Controlo de Imigração e Fronteiras dos EUA, na sigla em inglês) a que os fotógrafos tiveram acesso. Carol Guzi, para o Miami Herald, captou o momento em que uma família é separada: O equatoriano Luis é detido pelos agentes do ICE, a 26 de agosto do ano passado, deixando para trás a mulher e três filhos, de 7, 13 e 15 anos.
A imagem agora premiada faz parte de um trabalho mais extenso, que o World Press Photo distinguiu na categoria Stories da região da América Central e do Norte.
“Este prémio destaca a importância crucial desta história a nível mundial. Testemunhamos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também a sua dignidade e resiliência, que transcendem a adversidade, o que tem sido uma verdadeira lição de humildade. A coragem de abrirem as suas vidas às nossas câmaras permitiu-nos contar as suas histórias. E, sem dúvida, este prémio pertence-lhes a eles, não a mim”, comenta a autora da foto.
As outras duas imagens finalistas
Ajuda de emergência em Gaza, por Saber Nuraldin, para a EPA

Uma multidão de palestinianos a tentar subir para um camião de ajuda humanitária, na Faixa de Gaza, para receberem farinha. A imagem, captada a 27 de julho de 2025 era uma das candidatas ao título de Foto do Ano.
O júri salienta que a fotografia torna visível a escala e a urgência da fome neste segundo ano de conflito em Gaza.
O julgamento das mulheres Achi, por Victor J. Blue, para a The New York Times Magazine

Doña Paulina Ixpatá Alvarado foi mantida em cativeiro e agredida durante 25 dias em 1983, ao lado de outras mulheres da etnia Achi, à porta de um tribunal da Cidade da Guatemala, em 30 de maio de 2025. Nessa tarde, três ex-membros da patrulha da defesa civil foram condenados a 40 anos de prisão por violação e crimes contra a humanidade.
Durante quatro décadas, um grupo de mulheres indígenas Maya Achi de Rabinal viveu nas mesmas comunidades que os homens que as tinham violado.. A guerra civil na Guatemala conduziu ao genocídio de milhares de pessoas do povo Maya Achi pelas forças militares e pelas forças paramilitares locais apoiadas pelo Estado, que utilizaram a violência sexual como arma sistemática para subjugar as comunidades indígenas. Em 2011, 36 mulheres quebraram o silêncio, dando início e vencendo uma batalha judicial de 14 anos contra os seus agressores.