Por que razão as pessoas muito poderosas e muito ricas se comportam com as pessoas que nada têm, com as famílias e os filhos delas, como se as desprezassem, as detestassem e odiassem, ou, talvez pior, como se as não vissem?
Que vantagens, que prazeres e que sensações agradáveis retiram os muito poderosos e os muito ricos do sofrimento que, com os seus comportamentos grosseiros, abusivos, humilhantes e não raramente violentos, provocam nas pessoas que nada têm? Estas são as pessoas que os servem e fazem enriquecer! Os seus filhos também o vão fazer!
Como pode alguém respeitar-se, suportar a sua própria imagem no espelho, quando não suporta o outro? É esta a vida e a sociedade que queremos? É esta a pessoa que cada um de nós quer ser?
O que aconteceu connosco? Ninguém nasce a odiar, poucos nascem cegos!
O que aconteceu connosco para descermos tão baixo, para não termos a força e a vontade necessárias para nos amarmos a nós mesmos e aos outros? Porque não choramos? Porque não respiramos fundo e não fazemos o nosso melhor para mudar o nosso comportamento de acordo com a nossa consciência e sentido de justiça, com uma sensação profunda de respeito e admiração por quem vive mal, por todos os que são maltratados e vivem muito mal?
Porque não choramos quando alguém nos pede ajuda e não temos nada para lhe dar ou não temos a coragem para o fazer?
Quem fez o pobre, o pedinte e o doente? Ninguém nasce pobre, pedinte ou doente!
Porque nos afastamos de nós mesmos e dos outros? Que mal nos fizeram, que não vemos o mal que fazemos?
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.