Ao longo dos anos, a literatura tem desempenhado um papel fundamental na representação da diversidade e na promoção de diferentes culturas, ideais e perspetivas. Contudo, se antes, nem todas as histórias podiam ser publicadas e lidas, tudo mudou com o aparecimento de uma ferramenta poderosa, capaz de dar voz a diversas pessoas que viram as suas histórias serem declinadas pelas editoras tradicionais.
Nos últimos anos, a autopublicação tem mudado o mercado literário, ao democratizar o acesso à publicação e à leitura de livros. Mas qual a relação entre a autopublicação e a diversidade? Desde sempre que ouvimos que devemos ouvir a opinião dos outros, conhecer as suas perspetivas, mesmo que não concordemos com elas. O mesmo acontece na literatura. Para enriquecer o nosso conhecimento, ter uma perspetiva mais abrangente do que acontece à nossa volta, conhecer diferentes realidades e abrir a nossa mente, é importante dar voz a diferentes escritores e ler diferentes histórias. São eles que nos trazem perspetivas diferentes e histórias únicas e que, por vezes, nos fazem refletir sobre temas que nunca nos tinham passado pela cabeça. Portanto, pode-se dizer que, uma vasta representação de autores na literatura é essencial para nos desenvolvermos como indivíduos e para refletirmos sobre o mundo em que vivemos.
Se antes havia livros sobre diversos temas que eram logo barrados pelas editoras tradicionais, hoje em dia, o escritor tem outras opções que lhe permitem ter a sua obra publicada – ainda que as editoras tradicionais, hoje, estejam mais abertas a histórias sobre minorias étnicas ou temas LGBTQ+.
Neste sentido, a autopublicação vem permitir que escritores de diferentes origens e perspetivas contem as suas histórias sem a necessidade de passar pelo filtro das editoras tradicionais. Aqui, a evolução tecnológica tem desempenhado um papel fundamental ao permitir que os autores publiquem os seus livros gratuitamente, controlando todo o processo desde a publicação até à sua distribuição.
Podemos assim dizer que, neste momento, estamos na era da abundância, onde todos têm voz e onde os escritores podem partilhar as suas histórias sem qualquer censura. E, de repente, as visões do mundo que, provavelmente, estariam relegadas ao esquecimento e que nunca iriam ver a luz do dia, ganharam espaço e conquistaram público, contribuindo para a riqueza literária.
Para termos uma maior noção do mercado da autopublicação, é importante referir que, de acordo com um estudo da WordsRated, publicado em janeiro, a maioria dos livros disponíveis
no mercado são autopublicados, tendo crescido 264% nos últimos 5 anos e vendendo, atualmente, cerca de 300 milhões de exemplares anualmente. Mas isto não é tudo. O mesmo estudo prevê que o mercado de livros autopublicados cresça 17 vezes mais que o de livros tradicionais por ano, alcançando um inquestionável domínio do setor editorial global.
E o que significa isto? Que todos têm voz e capacidade para contar as suas próprias histórias se assim o quiserem, permitindo a existência de uma literatura mais heterogénea e pluralizada, capaz de ir ao encontro de diferentes pessoas com diferentes gostos. Assim, leitores que antes lutavam para encontrar personagens com os quais se pudessem identificar têm agora acesso a histórias que refletem as suas próprias vidas. E cabe a todos nós contribuir para este caminho, de forma a celebrar e impulsionar a diversidade e inclusão na literatura.
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