Apesar de ser um espetáculo natural raro e fascinante, a observação de um eclipse solar exige cuidados especiais. Mesmo quando uma parte significativa do disco solar está escondida, a radiação que chega aos olhos pode ser suficiente para provocar uma lesão na retina. Não há fotografia, vídeo ou momento de curiosidade que valha o risco de comprometer a visão. Saiba como proteger-se.
O que pode acontecer aos olhos?
A exposição direta à radiação solar intensa pode danificar as células da retina. O problema é que a lesão pode ocorrer sem dor. A retina não possui recetores de dor e, por isso, uma pessoa pode sentir que está tudo bem enquanto observa o eclipse e só posteriormente notar alterações na visão. Os sinais de alerta podem incluir visão desfocada, uma mancha ou ponto escuro no centro da visão, dificuldade em distinguir detalhes, alteração da perceção das cores ou distorção das imagens. Em casos mais graves, os danos podem ser permanentes. Esta lesão é conhecida como retinopatia solar.
Como observar o eclipse em segurança?
Um dos erros mais frequentes é pensar que uns óculos de sol convencionais são suficientes. Não são. Soluções improvisadas, como radiografias, películas fotográficas, vidros fumados ou outros materiais caseiros, também não são alternativas seguras. A observação direta do eclipse deve ser feita com óculos específicos e certificados para observação solar, os chamados “eclipse glasses”, que cumpram a norma internacional ISO 12312-2. Telescópios, binóculos e máquinas fotográficas, mesmo de última geração, nunca devem ser utilizados para observar o eclipse sem filtros solares específicos. Estes filtros devem ser colocados na parte da frente do equipamento e utilizados de acordo com as indicações do fabricante.
E se houver uma exposição acidental?
Um olhar breve e involuntário não significa necessariamente que tenha ocorrido uma lesão. O risco aumenta com a exposição direta e prolongada. Ainda assim, qualquer alteração visual que surja depois de observar um eclipse deve ser valorizada e justifica uma avaliação por um oftalmologista.
Como proceder com as crianças?
As crianças merecem atenção especial e devem ser supervisionadas durante toda a observação. Só devem olhar diretamente para o Sol com óculos de proteção certificados e corretamente colocados. Para quem não tiver proteção adequada, há uma solução ainda mais simples e segura: acompanhar o eclipse de forma indireta. É possível ver o fenómeno em direto através das imagens captadas por observatórios, astrónomos e meios de comunicação, sem expor os olhos à radiação solar.