Terça, 22 de fevereiro
Primeiras conversas
Escritor a escritor enche as Correntes o encontro. À medida que os convidados chegam, começam as conversas no bar. O ambiente é de festa, um reencontro de amigos. O escritor Ricardo Menéndez Salmón e o organizador Francisco Guedes discutem as diferenças entre a literatura portuguesa e espanhola.
Pré-arranque
Apesar de só começar amanhã, as Correntes d’Escritas tiveram um pré-arranque hoje à noite, com os primeiros lançamentos de livros – vão ser 30 no total. A sessão teve um forte cunho político, dado pelo romance de Ricardo Menéndez Salmón, O Revisor, que aborda os ataques terroristas de 11 de Março. “Não podemos ficar indiferentes à lógica do poder que procura introduzir discursos paralelos na realidade”, afirmou. Ao escritor acabe também a revisão das gralhas e erros sociais e políticos que nos querem impor. As hostilidades, para quatro dias à volta dos livros, estão abertas.
Júri
Parece que a reunião do júri do Prémio Correntes D’Escritas/Casino da Póvoa, constituído por Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe, foi rápida. A porta da sala reservado para o efeito esteve fechada pouco tempo. O resultado sabe-se amanhã, às 11 horas, durante a sessão de abertura do encontro.
Quarta, 23 de fevereiro
Sessão de Abertura
O Livro do Sapateiro, de Pedro Tamen, é o grande vencedor do Prémio Literário Correntes D’Escritas/Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros. Trata-se do maior galardão associado ao encontro e foi atribuído por maioria. Na ata, o júri destaca as qualidades do livro, descrevendo-o como “uma obra de grande coerência interna, com um discurso lúcido, refletindo uma sabedoria da humildade”. O anúncio foi feito na sessão de abertura, na qual ficaram conhecidos os vencedores dos restantes prémios.
Instituído este ano, o Prémio Fundação Dr. Luís Rainha tem com objetivo distinguir um trabalho sobre a Póvoa de Varzim, ou de um poveiro, foi atribuído a “Sete Histórias do Vento Salgado”, de Ana Paula Mateus. “Indícios para um cântico poveiro”, de Pedro Baptista, e “Patrão Lagoa – o sonho de ser Cabo-do-Mar”, de José Azevedo, receberam menções honrosas. Com o poema “Esquecimento”, Ana Filipa Reis recebeu, por seu turno, o Prémio Papelaria Locus, para trabalhos de jovens entre os 15 e os 18 anos. Por último, no Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes/ Porto Editora, várias escolas foram distinguidas: Turma 15 da Escola EB1/JI de Medo, de Vila Praia de Âncora (1.º Prémio), Turma 40, do Centro Educativo do Cávado – Monsul, da Póvoa de Lanhoso (2.º Prémio), Turma A, da Escola EB1 de Cadilhe, Amorim, da Póvoa de Varzim (3.º Prémio), e Colégio da Arrábida, de Setúbal, e Turma 9 da Escola EB1 de Nogueira, de Braga, com menções honrosas.
Luísa Dacosta
A cerimónio de abertura não terminou sem a sessão de homenagem à escritora Luísa Dacosta, que é capa da edição deste ano da revista das Correntes. Textos, fotografias, cartas, manuscritos e poemas de Luís Diamantino, Francisco Duarte Mangas, João Pedro Mésseder, José António Gomes, Maria da Conceição Nogueira e Paulo Morão compõem este dossier especial. No seu discurso, a escritora agradeceu a homenagem e, salientando o caráter autobiográfico da sua obra, afirmou: “A minha escrita apela ao preenchimento de espaços por leitores interessados, que queiram sentir-se participantes, aduzindo as suas próprias experiências e a isso levados por uma poeticidade, envolvente, a tentar tornar-se ninho, acolhedor, de outras alegrias, mágoas e angústias”.
Conferência de Abertura
“Na Conferência de Abertura, vou colocar-me no papel de um observador curioso”, disse, ao JL, Álvaro Laborinho Lúcio, no artigo de antecipação das Correntes, que publicámos na última edição. E na sua intervenção cumpriu com a palavra dada. Assumindo esse olhar exterior, o ex-ministro da Justiça e da República nos Açores, apresentado por José Carlos de Vasconcelos, glosou os temas das 10 mesas do Encontro, naquilo que apelidou de um “prefácio”. Mas foi daqueles prefácios que tentam aproximar, mais do que afastar, que espreitam com interesse, em vez de lançarem com desdém uma simples espreitadela. Recorrendo aos seus extraordinários dotes de orador, aqui bem comprovados, falou sobre as palavras e os universos que elas encerram, de tolerância e novas tecnologias, de utopias e liberdade, sempre na companhia da poesia. Um diálogo bem à maneira socrática, que vê no confronto com o Outro uma forma de chegar mais além e conceber um entendimento do mundo. O público, encantando, manifestou-se, com palmas e perguntas. E alguém exclamou: “Já valeu a pena ter vindo”, ao que outro alguém acrescentou. “Bem que me disseram, vai que é bom. E é mesmo!”. A corrente da Literatura começou.
Mesa 1
De início, pensou que seria um daqueles enigmas que os jornais publicavam antigamente, para entreter leitores. Mas quando percebeu que era mesmo o tema da 1.ª mesa das Correntes, Eduardo Lourenço pôs-se a pensar. Alinhou algumas ideias, revisitou a obra de vários pensadores e recordou textos que ele próprio escreveu. Só esta manhã, no entanto, ao olhar pela janela do seu quarto, encontrou a melhor imagem para abordar este verso de Armando Silva Carvalho, “Falta futuro a quem tem no presente ambições passadas”. “Para falar deste tema vou ter de falar do mar”, disse. E explicou porquê: “Ele é a concretização de dois mundos. Tem o efémero, na renda de espuma que cada vaga cria, e tem ao mesmo tempo, no mar propriamente dito, a essência do tempo, aquele tempo que se converteu em problema e que nos problematiza”.
Seria o tempo a marcar as intervenções desta mesa, em que também participaram Aida Gomes, Almeida Faria, Fernando Pinto do Amaral, Maria Teresa Horta, Ricardo Menéndez Salmón e José Carlos de Vasconcelos (moderador). Os escritores dissertaram sobre as complexas redes que ligam passado, presente e futuro. Para Aida Gomes, é no passado que muitas vezes encontra o material para um romance. Ela própria decidiu viver primeiro e só depois se dedicar à escrita, sonho que alimentou desde criança. “Quanto mais vivesse mais passado teria”, disse. “E assim mais verdades poderia descobrir ou desmascarar”. Ricardo Menéndez Salmón situou-se no mesmo campo, glosando Fernando Pessoa. “O poeta é um fingidor e a literatura um enorme cemitério”. Para o escritor espanhol, quando se escreve o futuro não existe e o presente é apenas o momento em que decorre a escrita. “Ninguém escreve sobre amor quando está enamorado. Ninguém escreve sobre o medo quando está assustado. E ninguém escreve sobre moinhos de vento quanto está a lutar contra moinhos de vento”, atirou, concluindo: “O escritor é o amo de um cão chamado ontem”.
Quinta, 24 de fevereiro
Mesa 2
Pode a Literatura ser um campo de batalha? Parece que sim, a julgar pela 2.ª mesa, dedicada ao tema “Eu começo depois da escrita”, um verso de Luís Quintais, mesa que contou com Ignacio del Vale, João Paulo Cuenca, Júlio Conrado, Karla Suarez, Maria João Martins, Miguel Miranda e Carlos Vaz Marques, como moderador. De um lado, e com o privilégio de serem os primeiros a atacar, os escritores centraram as intervenções no seu trabalho. A ideia de “começo” foi entendida como resultado de um jogo, de um embuste, de uma necessidade, de um simulacro. Karla Suarez contou como sonhou, em criança, ser atriz. No entanto, ficou angustiada com a ideia de todas as personagens terem um único corpo, uma única voz. Pela escrita, os horizontes tornaram-se ilimitados. Assim, as personagens podiam viver em várias épocas, em vários mundos, com vários corpos, sem estarem presas às palavras do dramaturgo. Pela escrita, seria ela a ditar as regras. No mesmo sentido, Miguel Miranda acrescentou: “A primeira escrita começa antes da escrita, é interior e intimista”. E acrescentou: “Mas também começa depois porque não consigo suportar o silêncio ensurdecer que surge no fim de cada livro”.
O público não se deixou ficar. Reagiu. E num contra-ataque recolocou a questão: “Então e o leitor?” “Ah, pois é,” exclamaram. É depois da escrita que o leitor entra em campo e reescreve qualquer história. Aberto o flanco, os ataques sucederam-se, levando João Paulo Cuenca a concluir: “Concordo plenamente. O leitor é um coautor”. E para rematar, disse: “Sou daqueles que defendem que o nome do leitor devia vir na capa”. As tréguas só chegaram quando o escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho pediu a palavra. “Se calhar podemos resolver este conflito esquecendo os escritores e os leitores”, brincou. “É melhor falarmos só dos livros”.
Mesa 3
Foi uma mesa do Diabo. Ou melhor, ele andou lá por perto, em várias intervenções. David Toscana, Juva Batella, Luís Represas, Manuel Jorge Marmelo, Mário Lúcio Sousa, Ricardo Romero e Rui Zink, como moderador, falaram sobre o tema A minha arte é uma espécie de pacto, um verso de José Tolentino Medonça, e o mal esteve sempre à espreita. Juva Batella confessou inclusivamente o eterno dilema em que vive. O Grande Juva incentiva-o a realizar feitos extraordinários, enquanto que o Pequeno Juva está sempre a destruir qualquer início de criação. Daí que o escritor brasileiro diga: “A minha arte não é uma espécie de pacto, é uma guerrilha constante”. Mais longe foi David Toscana, que deixou no ar a seguinte questão: “Se soubesses que o teu livro provocaria a morte do leitor terias coragem de o publicar?”. E rematou: “Na Literatura, a haver um pacto não é com Deus. É com o Diabo”.
Mesa 4
À 4.ª Mesa, dedica ao verso de Paulo Teixeira “Nua de Símbolos e Alusões é a Poesia”, as Correntes entram num ritmo alucinante. Lançamentos entre mesas, mais escritores a chegar, novos livros, novidades, entrevistas. É difícil não perder nada. O descanso fica para depois. Por enquanto, é a poesia quem mais ordena, pela voz de Ana Luísa Amaral, Carmen Yãnez, Gastão Cruz, Ivo Machado, Uberto Stabile e Francisco José Viegas como moderador (Conceição Lima não esteve presente, por problemas com o voo entre São Tomé e Porto). No ar ficaram duas ideias fortes. Uma do filme O Carteiro de Pablo Neruda, citada por Stabile: “A Poesia não é de quem escreve, é de quem precisa dela”. E outra de Ana Luísa Amaral, como que rimando com o ‘verso’ anterior: “O pão é fundamental, a poesia é supérflua. Mas o homem não consegue viver sem o supérfluo. Pão e poesia andam lado a lado”.
Livros voadores
Toda a gente sabe que os livros de Gonçalo M. Tavares são uma arma apontada ao leitor. Uma luta, um combate, uma guerra de sentidos, de significados, de forças. Só não se sabia que também podia causar danos físicos, como um valente galo na cabeça. Foi o que esteve quase a acontecer quando Aprender a Rezar na Era da Técnica, o quarto volume dos Livros Negros, caiu à grande vitesse do balcão e esteve prestes a atingir um membro da plateia. Não se sabe se este levou o acidente a bem ou a mal. Certo é que ficou com o livro. Não esteve interessado em pedidos de desculpa e foi-se embora, no fim das intervenções.
Sexta, 25 de fevereiro
Mesa 5
O tema a isso conduzia: “As palavras são apenas uma memória”, como diz um verso de Jaime Rocha. E os escritores – César Ibáñez Paris, Ignácio Martínez de Pisón, João Paulo Borges Coelho, Mário Zambujal, Nuno Júdice, Rui Zink e João Gobern, como moderador -, corresponderam. Nesta mesa, houve palavras, memórias, censuras de outros tempos e atuais e muita luta. Porque só as palavras podem resgatar-nos do esquecimento.
Mesa 6
O prometido é devido. Tal como tinham revelado ao JL, no artigo de antecipação das Correntes, Alberto Torres Blandina e Paulo Ferreira falaram mesmo sobre os novos tempos e a forma como eles estão a condicionar o que escrevemos e como nos relacionamos. O tema era “Espalho sobre a página a tinta do passado”, um verso de Nuno Júdice, e contava ainda com António Figueira, Francisco José Viegas, Inês Pedrosa, Maria Manuel Viana e José Mário Silva (moderador). O primeiro mostrou como o tuning literário nunca esteve tanto na moda. Com um powerpoint analógico (feito em papel e não em computador), deu exemplos de obras que são uma reescrita de obras já feitas, segundo a lição de Duchamp. Já Paulo Ferreira defendeu: “Estas estranhas formas de comunicar (por e-mail, por sms, por chat) têm sido responsáveis por mais desgraças e fins abruptos de amores inconfessáveis do que a ausência de quem se quer”. E reforçou: “Tenho visto tanta gente dar cabo da sua vida por causa de 160 carateres que só posso ter saudades de um tempo que não vivi, em que os amores eram corajosos.”
Mesa 7
Foi uma espécie de história do ovo e da galinha, só que não havia galinha e os ovos só chegaram muitos anos depois. Quando tinha dois anos, apenas dois anos, sublinhe-se, David Machado inventou uma galinha. Não uma galinha qualquer, refira-se, uma galinha imaginária. Daquelas que só as crianças sabem inventar. “Para a minha família era um estorvo”, explicou o escritor durante a Mesa 7 das Correntes, dedicada ao tema A obra que faço é minha, um verso de Pedro Tamen, que contou ainda com Álvaro Magalhães, Francisco Duarte Mangas, João Manuel Ribeiro, Vergílio Alberto Vieira e o moderador Ivo Machado (foi também lido um texto de José Jorge Letria, ausente na sessão). “Havia um animal lá em casa e só eu o via”.
O problema não seria de maior se a dita galinha não estivesse sempre em cima de todas as cadeiras e de todos os sofás. Além disso, o pequeno David mantinha constantemente o braço direito curvado. “Era da galinha. Eu andava com ela de um lado para o outro”. Preocupados, os pais conceberam um plano. Um dia, numa paragem do autocarro, disseram: “Olha filho, a galinha não pode entrar neste autocarro”. E suspenderam a respiração, à espera de uma reação. Sem demoras, David Machado baixou-se e libertou a galinha, deixando-a ao pé do passeio. E nunca mais a viu. Hoje vê nesta história uma metáfora da sua vocação literária. “A galinha são os meus livros e os leitores os meus pais”, afirmou. “As palavras são invenção minha, mas só fazem sentido se derem início a um diálogo. A um diálogo com quem lê”. Com quem encontrar a galinha.
O Pai da Galinha
Na caixa de comentários do post anterior, encontrámos este texto de Carlos Machado: “E eu, como pai, embora pense que sempre tenha apoiado o David nas suas decisões/opções ao longo da vida, se tivesse conseguido antever a qualidade de escrita do David, talvez tivesse optado por construir uma capoeira.”
Prémios Ler/Booktailor
Noite animada no Auditório da Póvoa, com a III Gala dos Prémios de Edição Ler/Booktailors. Com humor e sentido de oportunidade, a dupla de apresentadores, Catarina Homem Marques e Pedro Vieira, do programa Ah, a Literatura, do Canal Q, arrancaram várias gargalhadas à plateia. À semelhança do ano passado, a Tinda-da-China voltou a ser a grande vencedora da noite, numa edição que distinguiu pela primeira o melhor livro do ano e o que mais se destaca no âmbito das novas tecnologias. Eis a lista das categorias e respetivos vencedores: Design de Literatura (A Ilha, Ahab Edições); Design de Não-Ficção (As Entrevistas da Paris Review; Tinta-da-china); Design de Infanto-Juvenil (Depressa, Devagar, Planeta Tangerina); Design de Gastronomia (Sabores de África, Porto Editora); Design de Arte e Fotografia (Em Voz Baixa, Qual Albatroz); Design de Coleção (Literatura de Humor, Tinta-da-china); Design de Livro Escolar (Sociologia 12, Texto); Ilustração Original (Afonso Cruz, Texto); Fotografia Original (Inês Gonçalves, Tinta-da-china). O Júri também atribuiu diversos prémios especiais a Carlos da Veiga Ferreira (Carreira), Paulo Faria (tradução), Centésima Página (Livraria Independente), Ciberescritas (Blogue de Edição), Vera Tavares (Artes Gráficas), Quetzal (Promoção de Autor Português e Editora do Ano), Mediabooks (Inovação), José Mário Silva (Jornalista ou Imprensa de Edição), Isabel Castanheira (Livreiro), Ahab (Editora Revelação) e Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares (Melhor Livro de 2010).
Sábado, 26 de fevereiro
Mesa 8
Uma mesa muito boa, a partir do verso de Margarida Ferra “Não há Palavra Exatas”, que valter hugo mãe fechou com chave de ouro. Depois das intervenções de José Manuel Fajardo, Kirmen Uribe, Nuno Crato, Raquel Ochoa e do divertidíssimo vídeo de Pedro Vieira, que mostrava a impossibilidade de se ser exato, valter hugo mãe contou várias situações em que foi vítima ou culpado de inexatidões. O texto, responsável por muitas gargalhadas, é publicado neste edição, na página 35.
Mesa 9
Última mesa na Póvoa de Varzim, com o tema “Nada no mundo deve ser subestimado”, um verso de A. M. Pires Cabral, que juntou António Victorino de Almeida, Luis Sepúlveda, Manuel Rui, Mário Delgado Aparaín, Onésimo Teotónio de Almeida, Yvette K. Centeno e Maria Flor Pedroso, como moderadora. A frase de Aparaín parece ser a melhor forma de sintetizar estes quatro dias de conversas, de testemunhos e memórias: “Toda a gente tem uma boa história para contar”. É desta convicção que nasce um escritor. “É um facto que ninguém deve subestimar”. Qual é a sua história?
Encerramento
Muita emoção em mais uma cerimónia de encerramento. A presença de pequenos leitores, vencedores dos prémios de Conto Infantil Ilustrado, oferece ao momento um simbolismo especial, reforçado com as homenagens a Malangatana e Carlos Pinto Coelho, recentemente falecidos. A corrente dos livros e da leitura desenha-se no futuro.
Cunha
Ainda no palco, uma professora pede uma cunha ao vereador da Cultura, Luís Diamantino: uma aluna sua queria muito levar para casa um autógrafo do Luis Sepúlveda. O escritor chileno sorri. Fidelizou uma nova leitora.
O fim. E o princípio
A plateia ainda não está vazia e o cenário das Correntes já começa a ser desmontado. É o início do fim. Mas a edição de 2012 já mexe: Pedro Tamen aceitou o convite do vereador da Cultura para estar presente. É o primeiro escritor confirmado.
Organização
Noite de despedidas, últimas conversas. Convívio com escritores, editores e jornalistas. À volta de uma mesa, a equipa que organiza as Correntes, liderada por Manuela Ribeiro, começa a descarregar as baterias. O trabalho está feito. E bem feito. Tal como nos anos anteriores, a organização foi exemplar e nem a greve da CP foi capaz de afetar a serenidade e o profissionalismo de quem faz os bastidores do maior encontro literário de país. Todas as mesas e lançamentos começaram a horas e a simpatia foi sempre desarmante. Como os escritores sublinham, este é um exemplo para o país. Não basta ter patrocinadores e financiamento. É precisar saber rentabilizá-los. Não basta ter uma boa iniciativa. É preciso mantê-la viva. E as Correntes, apesar das restrições orçamentais, continua a divulgar as literaturas de expressão ibero-americana. Raramente se vê uma corrente assim.