António Costa tem fama de dar prioridade e ouvir os especialistas de comunicação que escolhe e isso não tem prejudicado os seus objetivos. Mais recentemente, ao nomear um diretor de comunicação para o governo acabou também a institucionalizar quase de forma inédita em Portugal, a comunicação política num executivo.
A escolha de João Cepeda para articular e coordenar a estratégia do governo está em linha com o modelo anglo-saxónico e representa uma mudança de paradigma. Porquê? Porque se não deixa de ser verdade que o lugar existiu em parte no executivo de Passos Coelho, agora passa a estar sob a tutela direta do Primeiro-Ministro e o perfil é o de alguém que vem de fora do mundo da política, longe da opção ter recaído nalgum Ministro ou Secretário de Estado. Uma distância estratégica que é um pormenor, mas sugere toda a diferença. Como também parece sugerir, a ligação de João Cepeda ao mundo empresarial. Dificilmente o PS de ontem, sem maioria absoluta e amarrado aos partidos à sua esquerda, daria este sinal.
A profissionalização da política exige também o mesmo da comunicação e da sua organização. Desengane-se quem vê ou acredita nesta decisão como uma espécie de inflacionamento comunicacional das medidas futuras tomadas por este governo ou no desvirtuamento de algumas gestões de crise. Se assim for e em tempos de maior escrutínio jornalístico, redes sociais, não correrá bem. Deverá seguir, isso sim, um fio condutor e coerente em que ministros e secretárias de Estado falem menos e melhor ou deixem de o fazer fora de tempo. Em que o offline e o posicionamento nos temas da agenda mediática está em consonância com as mensagens-chave no online e até os assessores não se “atropelem” tanto. Para fora, a velha máxima que rege a consultoria institucional nesta área e demasiadas vezes também falha na política: “se não o consegues explicar de forma simples, não o compreendeste ou entendeste suficientemente bem.” Existe no nosso país alguma dificuldade em assimilar ou analisar de forma distante algumas medidas dos adversários políticos de cada partido. Depois de uns anos desastrosos e de comunicação amadora, ziguezagueante e até contraditória a todos os níveis no PSD, seria bom que olhassem mais para este tipo de profissionalização. A recente ideia do candidato que saiu derrotado nas diretas, Jorge Moreira da Silva, em criar uma espécie de governo-sombra neste e nos próximos anos que fizesse uma oposição mais cerrada e construtiva como alternativa ao PS, faz todo o sentido. Não sei se o líder escolhido a seguirá, mas em paralelo e seguindo-a, seria bom que entendesse que tudo começa e acaba hoje numa comunicação eficaz.