No décimo andar do Tate Modern, em Londres, o escurecer do dia ia evidenciando o jogo de luzes de toda a cidade. Na outra margem do rio Tamisa, a “city” londrina destacava-se pela silhueta desorganizada dos arranha céus. A desordem de final de dia daquele lado da capital londrina era abafada pelo silêncio que imperava entre as paredes de betão armado do museu Tate Modern. Era ali, dentro da antiga central elétrica de Bankside, que a Swatch dava à luz a sua mais recente coleção inspirada em obras de arte.
Claudia-Antonia Merkel trabalha naquele museu há mais de dez anos. A especialista em arte moderna diz ter um apelido “muito alemão”, reconhecido por todos, mas afasta qualquer relação com antiga chanceler germânica. Diz “saber de cor todos os labirintos” entre aquelas paredes cinzentas, decoradas com as mais famosas obras de arte de Matisse, Léger ou Mondrian.
Naquela noite, o museu estava fechado ao público. Dava-se início à “Swatch Art Journey”, uma viagem pelas obras de arte escolhidas pelo grupo Tate e pela relojoeira suíça para incorporarem a mais recente coleção. A escolha das obras “foi muito difícil”, explica Carlo Giordanetti, diretor artístico da Swatch, à EXAME, acrescentando que foi uma negociação entre os dois lados.

“Se virmos com atenção cada cor tem exatamente a mesma importância. Se tiramos uma delas, o quadro perde toda a harmonia”, avança Claudia, durante a visita noturna ao Tate Modern, apontando para a obra “The Snail”, do artista plástico francês Henri Matisse. “É quase como se fosse um hino à diversidade”, continua a especialista.
Esta é uma das obras presentes na coleção da Swatch, em parceria com este histórico museu britânico (Tate Britain e Tate Modern são os mais emblemáticos da marca). O pai do Fauvismo revolucionou a arte no início do século XX e teve um impacto mais significativo na pintura. Neste relógio, o famoso quadro é transposto para o mostrador, com uma bracelete transparente.
E a ideia desta parceria entre a Swatch e o Tate passava por salientar essa diversidade de estilos, de cores, mas não só. “Existe aqui uma escolha com muita diversidade e inclusão. Temos artistas mulheres representadas na coleção, que era um passo importante que o Tate e nós queríamos dar”, continua Giordanetti. Trata-se da britânica Wilhelmina Barns-Graham (1912-2004), com a obra “Orange and Red on Pink”, e da franco-americana Louise Bourgeois (1911-2010), com “Spirals”.

Trazer a arte para o relógio
Carlo Giordanetti recusa-se a falar em números de vendas das edições anteriores. A parceria com museus de todo o mundo começou em 2018 e a Swatch já colaborou com museus como o Louvre, de Abu Dhabi, o Centro Pompidou, em Paris, ou o MoMA, em Nova Iorque. Ainda assim, o diretor da marca assume à EXAME que estas coleções de arte “são uma parte muito importante para a marca e para o negócio”.

“Uma vantagem deste tipo de projetos com museus e com grandes nomes no mundo das artes é que o ciclo de vida dos produtos é bastante longo. Lançámos um Van Gogh há dois anos e meio e as pessoas continuam a perguntar por ele e a comprá-lo”, adianta.
Nesta nova coleção, Giordanetti não quer avançar com apostas sobre qual será o mais vendido, mas desvenda que, ainda durante o jantar de apresentação dos relógios – sem terem sido anunciados ao público – já havia um a ser vendido online. Trata-se do relógio inspirado na obra do britânico JMW Turner, intitulado “The Scarlet Sunset”. “Os britânicos são muito orgulhosos dos seus próprios artistas”, diz com graça.
No mostrador deste relógio, a Swatch destaca que “a utilização criativa da roda do calendário confere uma profundidade adicional, com o sol a mudar de cor ao longo de um período de 14 dias até o ciclo recomeçar”.

Outro dos modelos que centrou a atenção dos amantes de relógios nas primeiras horas de venda ao público foi a adaptação da obra de Louise Bourgeois. “É um dos favoritos de muitas das pessoas que estavam na apresentação”, salienta Giordanetti.
Existem ainda relógios alusivos a obras de Marc Chagall (“Blue Circus”), de Joan Miró (“Women and Bird In The Moontlight”) e Fernand Léger (“Two Women Holding Flowers”). Cada relógio custa entre 100 e 120 euros e estará disponível para venda online, em quatro galerias do Tate (Tate Britain, Tate Modern, Tate Liverpool e Tate St. Ives) e nas lojas da Swatch.