Quando cheguei a Covas do Barroso vinha cansada da viagem, num dia de calor, com a garrafa de água vazia. Antes de qualquer conversa sobre minas ou lítio, levaram-me até à Fonte que Ri, no largo da aldeia. A água corria fresca, transparente e disponível para quem passasse. Mesmo em frente, quase como um contraponto impossível de ignorar, encontrava-se o edifício ocupado pela Savannah Resources. Naquele momento pareceu apenas uma coincidência. Só nos dias seguintes compreendi que aquele pequeno largo condensava o conflito que hoje atravessa o Barroso: de um lado, uma comunidade cuja história foi construída em torno da água; do outro, um projeto mineiro que poderá alterar para sempre a forma como essa água circula, alimenta a terra e sustenta a vida.

O Acampamento em Defesa do Barroso, realizado anualmente desde 2021, tornou-se um dos principais pontos de encontro da resistência à mineração em Portugal. Reúne habitantes locais, ativistas portugueses e internacionais, investigadores, ambientalistas.
