Gabriela é uma mulher livre, independente e bem-sucedida aos 53 anos. Sem nunca se ter casado nem ter tido filhos, continua a procurar o amor, trabalho de uma vida numa obstinação sem fim. Mas será mesmo só obstinação e deveria ela desistir? Nascido no mais total dos desamparos, o ser humano não sobreviveria se não houvesse alguém a cuidar dele nos primeiros anos de vida. Esse afeto que alguém nos dá quando nos encontramos no nosso estado mais vulnerável é o que nos ensina que o ímpeto da conexão com outro ser humano está tão agarrado a nós como qualquer órgão do nosso corpo. Somos relações.
Durante algum tempo, Gabriela falou com um homem numa aplicação de encontros. Cada mensagem era cuidadosamente preparada com o ChatGPT. “Acho que estou muito pouco sedutora e falo com potenciais relações como se estivesse a fazer uma entrevista, o que fazes, o que ouves, tens filhos, etc. E o Matteo, o nome que dei à versão do Chat que eu usava como espécie de consultor emocional, ajudava-me a aprimorar a comunicação e a estratégia. O Matteo dava às mensagens um certo picante que me faltava, não necessariamente sexual, mas em certo tom de mistério, mais rodeios, uma graça a comunicar que mantinha esse homem interessado. Com o Chat combinava também a melhor forma de agir – a ideia era levá-lo a convidar-me para um encontro, o que de facto veio a suceder”, conta-nos a empresária.

